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Home»Brasil»Cada morte violenta no pauís custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos
Brasil

Cada morte violenta no pauís custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos

PatriciaBy Patricianovembro 3, 2025Updated:novembro 3, 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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Cada morte violenta no pauís custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos
A escalada da violência no Rio de Janeiro e em outras regiões do país vai além das preocupações sociais e políticas, impondo ao Brasil um custo econômico bilionário. O impacto econômico da criminalidade vai muito além dos gastos diretos com segurança pública ou dos investimentos privados em proteção. Ele também engloba a riqueza que deixa de ser gerada, a produção interrompida e a arrecadação perdida, comprometendo o desempenho da economia como um todo.

Segundo o Atlas da Violência 2025, elaborado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os custos diretos e indiretos da violência somam cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) — o equivalente a mais de R$ 1 trilhão por ano.

Em estimativas detalhadas do próprio Ipea, cada morte violenta custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos. O cálculo leva em conta despesas com saúde, previdência, segurança, processos judiciais e perda de produtividade.

O avanço da criminalidade afeta desde o orçamento público até a produtividade das empresas, reduz investimentos, inibe o turismo e corrói a confiança de consumidores e investidores. Considerando apenas os homicídios registrados, os gastos anuais superam R$ 46 bilhões, um valor que expõe o peso econômico do que se perde em vidas humanas e oportunidades.

De acordo com o pesquisador Daniel Cerqueira, responsável pelo levantamento, são bilhões de reais perdidos em produção, arrecadação e bem-estar social. “Os custos da violência vão muito além das despesas diretas, como gastos com segurança ou perda de patrimônio. A maior parte é composta por custos intangíveis, ligados à perda de vidas de à produtividade”, explica em entrevista ao Correio. “A vida não tem preço, mas, do ponto de vista econômico, quando há muita violência, há risco de mortes prematuras, e isso gera um custo para toda a sociedade.”

O economista ressalta que os efeitos da violência vão muito além das perdas imediatas. “No curto prazo, há perda de produtividade porque o comércio fecha, as pessoas não conseguem trabalhar e o transporte é interrompido. No longo prazo, há impactos sobre a educação e o desenvolvimento individual”, afirma.

Ele cita o exemplo de crianças que vivem em comunidades marcadas por tiroteios constantes. “Essas crianças perdem dias de aula, os professores pedem transferência, e o vínculo entre escola e aluno se rompe. Isso compromete o aprendizado e, consequentemente, a produtividade futura. O futuro de muitos jovens é comprometido desde a primeira infância.”

RJ e Cone Sul

No estado do Rio de Janeiro, as perdas decorrentes do avanço da criminalidade são estimadas entre R$ 10,76 bilhões e R$ 11,48 bilhões, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O estudo, inédito, avalia o impacto da violência urbana sobre os negócios do setor terciário e foi apresentado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em março.

O levantamento da CNC considera os impactos da criminalidade sob a ótica do PIB e dos gastos com segurança pública. Para o economista-chefe da entidade, Felipe Tavares, medir as perdas econômicas causadas pela violência é essencial para dimensionar a urgência de políticas públicas voltadas à segurança. “A insegurança urbana não gera custos apenas para um setor específico, mas para toda a sociedade”, destaca.

“Estimativas de instituições internacionais e de especialistas, em linha com os achados da CNC, mostram que a criminalidade tem impactos diretos e indiretos sobre a economia, pois afeta a vida das pessoas, a dinâmica de faturamento das empresas e gera uma série de custos de transação, como seguros, monitoramento privado, além de influenciar até a atração de capital internacional”, explica o economista.

Um outro recorte sobre o tema, analisado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), aponta que os países do Cone Sul poderiam ter uma perda agregada direta de 3,39% do PIB devido às altas taxas de criminalidade. No Brasil, a estimativa é de que a perda social anual agregada causada pela criminalidade chegaria a R$ 372,9 bilhões. No estado do Rio de Janeiro, o impacto seria de R$ 32 bilhões, enquanto considerando apenas os efeitos diretos dos crimes violentos, o prejuízo anual seria de R$ 13 bilhões.

O estudo do BID analisou dados de Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, considerando os efeitos da violência

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