
Percepção é alarmante, já que, segundo o Censo de Educação Superior, 61,1% dos concluintes de cursos de formação docente, em 2020, vieram de EAD. Pesquisa da ONG Todos Pela Educação também mostra quais os principais obstáculos enfrentados na carreira, como baixa valorização da profissão e desinteresse dos alunos pelas aulas. Professoras e estudantes em sala de aula de escola municipal em Porto Alegre
Gabriel Varani/SMED/PMPA
Os professores que se formam em cursos presenciais saem da universidade mais bem preparados do que aqueles que estudam em instituições à distância, afirmam 84% dos docentes entrevistados em uma pesquisa da ONG Todos Pela Educação, divulgada nesta terça-feira (28).
Em uma parceria com o Itaú Social, o Instituto Península e o movimento Profissão Docente, o estudo analisou as respostas de 6.775 entrevistados, entre julho e dezembro de 2022. Todos são funcionários de escolas públicas municipais e estaduais, do ensino fundamental I ao ensino médio.
A percepção deles acende um alerta, já que há um significativo avanço da educação à distância nos cursos de formação de professores. Segundo o Censo de Educação Superior, 61,1% dos concluintes dessas graduações vieram da EAD em 2020.
Em pedagogia (que prepara profissionais para a educação infantil), há faculdades com notas baixíssimas “caçando” alunos com mensalidades abaixo de R$ 200.
Número de cursos de pedagogia EAD mais do que triplicou em 10 anos
Arte/g1
Nesta reportagem, publicada em 2022, o g1 explica quais são os principais problemas dos cursos de formação de professor:
Há um crescimento desenfreado de cursos com aulas à distância, com a maioria dos alunos em EAD, em uma graduação que exigiria mais prática e contato presencial em sala.
As aulas são extremamente teóricas e não preparam os profissionais para a realidade das escolas.
Os mecanismos de avaliação de qualidade são falhos, somados à falta de regulação na abertura/fechamento de cursos.
Existe a preponderância de uma lógica mercantil, em que mensalidades baixas, promoções e ligações de televendas para angariar mais alunos sobrepõem-se à preocupação com a qualidade acadêmica.
Principais obstáculos da profissão
Segundo a pesquisa, os maiores desafios dos professores no dia a dia são:
desinteresse dos estudantes pelas aulas (31%);
defasagem na aprendizagem dos alunos (28%).
Por isso, segundo os docentes, as Secretarias de Educação precisam priorizar, nos próximos 10 anos, medidas como:
oferta de apoio psicológico a professores e estudantes (18%);
aumento no salário dos professores (17%);
promoção de programas de reforço e recuperação (16%) .
“O Ministério da Educação tem, nesse início de gestão, a oportunidade de iniciar um conjunto de políticas para apoiar e induzir avanços nos cursos de pedagogia e licenciaturas. Isso passa, por exemplo, por rever a forma como os cursos são avaliados e fortalecer programas de aproximação dos futuros professores com as escolas públicas”, diz Gabriel Corrêa, Diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação.
“Cabe, ainda, às secretarias de Educação, investir em boas políticas de formação continuada, buscando o desenvolvimento profissional dos professores ao longo de toda a sua carreira. Os professores iniciantes, por exemplo, precisam de muito mais apoio do que têm recebido.”
Veja mais destaques da pesquisa:
Desvalorização da carreira docente: Apenas 7% dos entrevistados concordaram que professores são tão valorizados quanto médicos, engenheiros e advogados.
Alegria em ver os alunos aprendendo: 91% dizem que o que traz mais satisfação é ver que os estudantes estão avançando. De 10 professores, 8 afirmam que escolheriam a profissão novamente, mesmo diante dos obstáculos.
Trending
- Hospital Geral de Bonsucesso chegou à marca de 450 leitos para o SUS
- Alcolumbre retira PEC da Segurança Pública da pauta do Senado
- Dólar sobe 1,15% e fecha a R$ 5,09 em dia de cautela
- ANICAM 2026 movimenta Cidade do Saber no fim de semana
- IBGE estima safra de grãos recorde em 2026: 354,5 milhões de toneladas
- Travessia Itaparica-Salvador reunirá provas de diversas categorias nos dias 14 e 15 de novembro
- Hospital Aristides Maltez e Instituto Protea realizam mutirão de câncer de mama
- Sedur promove vivência agroecológica e valoriza saberes tradicionais com estudantes de Camaçari
