
Toledo foi condenado em seu país por receber propina da brasileira Odebrecht em troca de favorecimento em obras públicas. Gesto de Washington foi visto como sinalização de diálogo com atual governo interino do Peru. No Peru, Ministério Público pediu a prisão preventiva de Alejandro Toledo
Karel Navarro/AP
Em um movimento incomum, os Estados Unidos autorizaram a extradição do ex-presidente peruano Alejandro Toledo para responder em seu país por crimes de corrupção, segundo a Promotoria do Peru.
Toledo, que governou o país latino-americano entre 2001 e 2006, foi condenado pela Justiça por ter recebido dezenas de milhões de dólares da construtura brasileira Odebrecht em um esquema de favorecimento de contrato de obras públicas.
“Foi informado que o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América concedeu a extradição de Alejandro Toledo Manríque pelos crimes de conluio e lavagem de dinheiro”, anunciou o Ministério Público do Peru na terça-feira.
A autorização de extradição por parte de Washington foi vista como uma possível sinalização de mais diálogo com o atual governo do Peru, comandando pelo governo interino de Dina Boluarte.
Boluarte assumiu após o ex-presidente Pedro Castillo, de quem era vice, ser preso por tentar dar um golpe de Estado, no fim do ano passado.
A Procuradoria indica que está “realizando a coordenação” com as autoridades “nacionais e estrangeiras” para “a execução da extradição”.
Toledo reside nos Estados Unidos desde que deixou a presidência. Ele chegou a voltar ao Peru para concorrer às eleições presidenciais em 2011, mas foi derrotado no primeiro turno.
Os promotores peruanos pedem uma pena de prisão de 20 anos e seis meses para Toledo, que admitiu que a Odebrecht pagou pelo menos US$ 34 milhões e que recebeu parte desse dinheiro, mas afirma ser inocente e que foi o falecido empresário Josef Maiman que estava à frente dessas negociações, segundo a imprensa peruana.
Toledo faz parte da lista de ex-presidentes peruanos com processos judiciais ou condenados por corrupção:
Alberto Fujimori (1990-2000);
Ollanta Humala (2011-2016);
Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018);
Martín Vizcarra (2018- 2020);
Pedro Castillo (2021-2022).
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