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Desde a redemocratização, nunca um candidato que passou ao segundo turno em desvantagem conseguiu virar o jogo e sair vitorioso da disputa presidencial. Mas também nunca foi tão apertada a distância entre os dois postulantes mais bem votados na primeira volta: apenas 1,87 ponto percentual separa os 47,03% de votos válidos do senador Flávio Bolsonaro (PL) dos 45,16% do atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), obtidos no último domingo. Na pesquisa Datafolha divulgada na noite desta quinta-feira, a primeira de segundo turno desde então, os dois somaram 52% e 48%, respectivamente.
Logo após o resultado das urnas, a vantagem do nome do PL acendeu alerta máximo na campanha petista. Depois de medidas tomadas às vésperas da eleição, como o fim das bets e o reajuste no Bolsa Família, não terem sido suficientes para alcançar a liderança, Lula reuniu seus aliados, convocou jovens parlamentares da esquerda eleitos pelo Brasil e apostou no aumento à rejeição do rival com vídeos curtos para as redes sociais, seara na qual o presidente pouco mergulhara até agora. Mas, de zero a dez, qual a chance de Lula reverter o cenário contra Flávio no segundo turno? Esse é o questionamento de hoje da newsletter “Pergunta da semana”, na qual jornalistas do GLOBO focados na cobertura
política respondem, sempre às quintas-feiras, as principais dúvidas que emergem na disputa eleitoral. Nesta edição, analisam o tema os colunistas Malu Gaspar, Pablo Ortellado e Renato Meirelles, além do editor de Política, Thiago Prado.
Malu Gaspar: Nota 4. Uma virada a esta altura é muito difícil, dado que os votos dos candidatos que saíram da disputa tendem a migrar em maior proporção para Flávio. Além disso, as urnas já mostraram uma guinada à direita no Congresso e nos governos estaduais. O eleitor quer mudança e não está fazendo diferença apontar o risco à democracia. Lula vai precisar de um movimento novo e de impacto que convença o eleitor a trocar de voto. As entrevistas e os debates serão fundamentais.
Pablo Ortellado: Nota 3. As chances de Lula reverter a derrota no primeiro turno são de cerca de 30%. Por um lado, nunca um derrotado no primeiro turno reverteu no segundo. Por outro, os padrões de antes de 2018 não parecem valer para o novo mundo em que vivemos. Lula precisaria mudar a direção da campanha e ganhar tração — possível, mas improvável.
Renato Meirelles: Nota 3. O antipetismo é maior do que Flávio e dá ao senador o favoritismo. Lula tem chance se a eleição deixar de ser um plebiscito sobre o PT e virar uma comparação sobre a vida real. A escala 6×1 fala com quem quer tempo para viver, mas Flávio tem vantagem na segurança. A virada exige mais do que lembrar o passado: depende de o eleitor enxergar quem pode organizar melhor a vida futura. Antipetismo é sentimento. Escala 6×1 é vida concreta.
Thiago Prado: Nota 2. Obviamente sem qualquer amparo matemático, mas com base na última pesquisa Datafolha e no sentimento dos entornos de Lula e Flávio, entro no jogo dos palpites: coloco em 2 a chance de virada. Discordo da tese de que campanha em segundo turno é outro jogo. Fazendo a analogia com o futebol, é como se fosse um confronto de mata-mata. No primeiro turno, o antipetismo deu uma dianteira muito forte para o PL. Em 25 de outubro, o PT, além de remar contra a vantagem de 2 milhões de votos, enfrentará o time de Flávio reforçado para a final do campeonato com o apoio de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e os partidos do Centrão.
Fonte O Globo
