Foto: Bruno Concha / Secom PMS
Por Hieros Vasconcelos
Os novos indicadores da educação na Bahia revelam um cenário marcado por avanços importantes, mas também por desafios persistentes. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) Educação 2025, divulgados ontem lpelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado registrou o maior crescimento do país na escolarização de crianças de até cinco anos e reduziu significativamente o número de adolescentes com atraso escolar. Em contrapartida, segue convivendo com elevados índices de analfabetismo, baixa presença de jovens no ensino superior e mais da metade da população adulta sem concluir a educação básica.
Segundo o levantamento, a taxa de escolarização de crianças de zero a cinco anos passou de 56,6% em 2024 para 63,7% em 2025. O crescimento de 7,1 pontos percentuais foi o maior registrado entre todas as unidades da Federação e fez a Bahia saltar da 15ª para a 4ª colocação nacional, tornando-se líder entre os estados do Norte e Nordeste nesse indicador. Ao todo, 634 mil crianças dessa faixa etária frequentavam creches ou escolas no estado.
O avanço ocorre em uma área considerada estratégica para o desenvolvimento educacional e social. Em municípios do interior e nos bairros populares dos grandes centros urbanos, o acesso à creche e à pré-escola continua sendo uma demanda recorrente das famílias. Além de contribuir para a formação das crianças, a ampliação das vagas permite que pais e mães tenham mais condições de ingressar ou permanecer no mercado de trabalho.
Conforme os dados do IBGE, a melhora também foi observada na adequação entre idade e série escolar. Em 2025, cerca de 122 mil estudantes baianos de 15 a 17 anos ainda não haviam alcançado o Ensino Médio, embora estivessem frequentando a escola. Em 2024, esse contingente era de 166 mil. A redução de 36,1% representa um avanço no combate ao atraso escolar, problema historicamente associado à repetência e à interrupção dos estudos. Ainda assim, dois em cada dez adolescentes nessa faixa etária permanecem em séries abaixo das consideradas adequadas para a idade.
Apesar dos resultados positivos, o levantamento aponta que a Bahia perdeu terreno na escolarização dos adolescentes e jovens. Entre as pessoas de 15 a 17 anos, a taxa de frequência escolar caiu de 96% para 93,3% entre 2024 e 2025. Já entre os jovens de 18 a 24 anos, a proporção dos que frequentavam escola ou universidade recuou de 32,5% para 29,9%. Segundo o instituto, a Bahia registrou a segunda maior queda do país na escolarização de adolescentes.
Os números refletem uma realidade presente em diversas regiões do estado, onde muitos jovens precisam conciliar os estudos com atividades de geração de renda ou acabam abandonando a escola diante das dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias. O cenário também ajuda a explicar os indicadores relacionados ao ensino superior.
De acordo com a PNADC Educação, apenas 13,1% dos baianos com 25 anos ou mais possuem diploma de ensino superior completo. O percentual é o segundo menor do país, superior apenas ao registrado no Maranhão. Em termos absolutos, são cerca de 1,27 milhão de pessoas com formação universitária em um universo de quase 10 milhões de adultos.
O levantamento mostra ainda que mais da metade da população adulta do estado não concluiu sequer a educação básica. Conforme os dados do IBGE, 51,8% das pessoas com 25 anos ou mais não finalizaram o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, o equivalente a mais de cinco milhões de baianos. O percentual permanece acima da média nacional, que é de 42,7%.
Negros ainda são minoria com diploma universitário; Bahia é estado com mais analfabetos
Segundo a PNAD Educação 2025, na Bahia, enquanto 22,3% dos adultos brancos possuem diploma universitário, entre pretos e pardos o índice cai para 11%. As mulheres apresentam níveis educacionais mais elevados do que os homens, tanto na média de anos de estudo quanto na conclusão do ensino superior.
Outro dado que chama atenção é o analfabetismo. Embora tenha registrado nova queda em 2025, a Bahia continua concentrando o maior número absoluto de pessoas que não sabem ler nem escrever no país. Segundo o IBGE, são 1,145 milhão de analfabetos com 15 anos ou mais de idade, o equivalente a 9,5% da população nessa faixa etária. O índice é quase o dobro da média nacional, que ficou em 4,9%.
Conforme o levantamento, 62,7% dos analfabetos baianos têm 60 anos ou mais. Na prática, seis em cada dez pessoas que não sabem ler e escrever no estado são idosas, reflexo de décadas de exclusão educacional, especialmente em áreas rurais e localidades mais vulneráveis.
A pesquisa também identificou que cerca de 700 mil jovens baianos entre 15 e 29 anos não estudavam nem exerciam atividade remunerada em 2025. Esse grupo representa 20,9% da população nessa faixa etária. Embora o percentual tenha diminuído em relação ao ano anterior, continua acima da média nacional, de 17,5%.
Entre as mulheres, a situação é ainda mais preocupante. Segundo o IBGE, 27,3% das jovens baianas não estudavam nem trabalhavam, proporção quase duas vezes maior que a observada entre os homens, de 14,3%. O indicador reforça a influência das desigualdades de gênero na permanência dos jovens na escola e no acesso ao mercado de trabalho.
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