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Por Henrique Brinco
O ex-presidente da Embratur e ex-deputado federal Marcelo Freixo afirmou que a crise política enfrentada pelo Rio de Janeiro está diretamente ligada à direita e acusou a família Bolsonaro de manter relação próxima com o avanço do crime organizado no estado. As declarações foram dadas durante o lançamento do livro Viver é Perigoso – Minha Travessia no Rio, realizado no Bar Velho Espanha, no bairro dos Barris, em Salvador.
Ao comentar o cenário político fluminense, Freixo citou a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacelar, em investigação relacionada ao Comando Vermelho, e disse que o estado esteve próximo de ter um governador ligado à facção criminosa.
“Hoje o Rio de Janeiro não tem um governador eleito pelo Comando Vermelho porque a Polícia Federal agiu e prendeu o Rodrigo Bacelar. Por que o Claudio Castro saindo, o presidente da Assembleia assumiria; o presidente da Assembleia foi preso por relações com o Comando Vermelho. Seria o ápice nós termos um governador eleito representando o Comando Vermelho no governo”, declarou.
Freixo defendeu que o debate sobre segurança pública seja tratado como prioridade nacional e afirmou que parte significativa da população do Rio vive em áreas dominadas pelo tráfico e pela milícia. “O Rio de Janeiro tem mais de 4 milhões de pessoas que vivem em um lugar onde a Constituição de 1988 não vale. Vale o que a milícia ou o que o tráfico determinam”, disse.
O ex-deputado também associou o fortalecimento do crime organizado a governos conservadores no estado. “Se teve alguém que enfrentou o crime organizado de verdade fomos nós. Não foi a direita. A direita no Rio de Janeiro semeou o crime organizado, fez parte do crime organizado. Nessa crise política no Rio, são todos de direita”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Se teve alguém que alimentou o crime no Rio de Janeiro foi a direita, e a família Bolsonaro tem uma relação estreita com isso”.
Durante conversa com jornalistas, Freixo ainda fez um “mea culpa” sobre a atuação da esquerda no tema da segurança pública. Segundo ele, setores progressistas demoraram a compreender a dimensão do problema. “Durante muito tempo a esquerda não deu ao tema da segurança a devida importância”, avaliou.
O lançamento do livro reuniu debate aberto ao público e sessão de autógrafos. Escrita em parceria com o pesquisador Bruno Paes Manso, a obra aborda temas como violência urbana, desigualdade social, democracia e política no Rio de Janeiro. Freixo afirmou que o livro não busca atacar a cidade, mas discutir seus desafios históricos. “Esse não é um livro que fala mal do Rio. Esse é um livro que disputa o Rio”, declarou.
