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Home»Educação»Educadores criticam decisão do governo de SP de não aderir a livros didáticos do MEC e usar material 100% digital a partir do 6º ano
Educação

Educadores criticam decisão do governo de SP de não aderir a livros didáticos do MEC e usar material 100% digital a partir do 6º ano

uesleiiclone8By uesleiiclone8agosto 1, 2023Updated:agosto 1, 2023Nenhum comentário5 Mins Read
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Secretaria de Educação do Estado diz que decisão se deu porque a rede estadual “possui material didático próprio alinhado ao currículo do Estado e usado nas 5,3 mil escolas”.

Educadores ouvidos pelo g1 criticaram a medida do governo de São Paulo de não aderir ao material didático e pedagógico do Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD), do Ministério da Educação, para os alunos do ensino fundamental e ensino médio da rede estadual a partir de 2024.

Para os anos iniciais, haverá material digital próprio com suporte físico. Já nos anos finais, entre 6º e 9º ano do ensino fundamental e ensino médio, será material 100% digital. A informação foi confirmada nesta terça-feira (1) ao g1.

“O governo estadual está abrindo mão de um recurso enorme, que é de os professores escolherem os livros que realçam e valorizam a autonomia dos professores. Não dá pra compreender porque essa decisão de não aceitar o PNLD. Isso nos deixa muito preocupados, porque uma plataforma única limita a potencialidade do uso de recursos, da pluralidade”, diz Tereza Perez, presidente da Comunidade Educativa CEDAC.

“A gente sabe da dificuldade de acesso em muitos lugares. E também vai na contramão dos países que já tinham optado pelo uso dos recursos digitais e estão retrocedendo. A Suécia, por exemplo, eliminou completamente e agora só trabalha com livro”, ressalta Tereza.

O professor da USP Eduardo Donizeti Girotto afirma que a pandemia demonstrou para os educadores que alunos não tiveram acesso a conteúdo digitais, o que prejudicou o aprendizado.

“Seja por dificuldade de ter smartphones ou – se tem smartphones – não tem os planos de dados para baixar esses aplicativos também. E apostar apenas em conteúdo digital pode ser um equívoco, ainda mais por muitas escolas não estarem dotadas com toda a infraestrutura necessárias para isso”.

E complementa: “Quando a gente teve no primeiro semestre deste ano a aplicação da Prova Paulista, foram muitos os relatos das dificuldades que os estudantes tiveram de acessar a prova pelo meio digital. Os professores tiveram que utilizar os próprios celulares para isso”.

Para Ângelo Xavier, presidente da Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais, a medida do governo estadual de não aderir o material didático do MEC é preocupante, já que vai deixar de receber cerca de 10 milhões de exemplares de livros didáticos a partir do próximo ano, o que equivale R$ 120 milhões em livros que deixarão de ser comprados pelo estado.

“As escolas ficaram preocupadas porque é uma mudança radical sem recurso didático impresso. Causou estranheza porque foi uma medida extrema. Não foi uma decisão que consultou os dirigentes, mas foi decisão de gabinete. O estado sempre faz adesão ao material do MEC, que é fornecido sem custo algum. Agora, eles querem usar material próprio, mas com que recurso? O material do programa é sempre completo, com livro impresso, livro interativo digital. Não é um material qualquer”, ressaltou.

Ainda conforme Ângelo, cerca de 1,4 milhão de alunos da rede estadual paulista deixará de receber livros físicos a partir do ano que vem.

“O que a gente sabe que existe uma realidade de usar os dois tipos de material o físico e digital. Países que tinham como política de usar 100% digital estão voltando o impresso. Suécia, por exemplo está reduzindo o recurso digital porque o aprendizado no recurso digital tinha piorado. A própria Unesco publicou sobre muitos países questionarem isso e voltar a questão híbrido”.

Para a deputada estadual e segunda presidenta da Apeoesp, Professora Bebel, “é inaceitável a decisão da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo de abrir mão do material do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)”.

“A alegação de ‘coerência pedagógica’ é, a nosso ver, a imposição do pensamento único a professores e estudantes da rede estadual de ensino, contrariando, mais uma vez, a liberdade de cátedra e o princípio da liberdade de ensinar e aprender garantido pela Constituição Federal”, afirma Bebel.

No programa do MEC, as redes municipais e estaduais escolhem os livros que estão no catálogo e recebem os materiais gratuitamente do governo federal.

De acordo com a Secretaria de Educação, a decisão de não aderir ao PNLD se deu porque a rede estadual “possui material didático próprio alinhado ao currículo do Estado e usado nas 5,3 mil escolas, mantendo a coerência pedagógica”.

Para os anos iniciais, haverá material digital com suporte físico. Já nos anos finais, entre 6º e 9º ano do ensino fundamental, e ensino médio será material 100% digital.

“Dentro da rede a gente tinha um conjunto de livros didáticos e o que a gente está fazendo é uniformizando todos esses livros em um material digital. O que estamos buscando é uma uniformização e coerência pedagógica em todas as escolas do estado”, diz o secretário executivo da Educação Vinicius Neiva.

Sobre todos os alunos conseguirem acesso ao material digital, o secretário ressalta que foram montadas três estratégias.

“Primeiro item é que estamos adotando mais computadores, mais equipamentos nas escolas, para que eles possam usar dentro da escola. O segundo item é que estamos doando aparelhos para os mais necessitados. E o terceiro ponto é que as escolas estarão autorizadas a imprimir esse material nosso e entregar para os alunos que precisam”, diz.

“Nenhum aluno vai ficar sem acesso ao conteúdo didático. Isso foi pensado para uniformar e garantir esse material didático. Estamos para receber 60 mil computadores até o fim de agosto. E a gente já se organizou para repassar dinheiro para as escolas para compra de papel, caso tenha necessidade de imprimir. Estamos fazendo todo esforço para que toda a rede, pelo menos 80%, tenha internet de alta velocidade nas escolas até final de outubro”.

A Secretaria de Educação ressaltou que ainda permanece ativa no PNLD para a distribuição de livros literários.

Fonte: g1

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