
Embarcações de guerra do Irã estão atracados no porto do Rio. Washington já havia criticado Brasília por permitir operação. O navio militar iraniano Iris Makran navega na costa do Rio de Janeiro enquanto banhistas se encontram na Praia de Ipanema, Brasil, em 27 de fevereiro de 2023
REUTERS/Ricardo Moraes
Os Estados Unidos afirmaram achar que o Brasil vai “na direção errada” ao abrigar navios militares iranianos.
Desde 26 de fevereiro, dois navios de guerra do Irã estão atracados no porto da cidade do Rio de Janeiro, com visita autorizada pelo governo federal e publicada no Diário Oficial da União.
A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, criticou a postura de Brasília de permitir que os navios atracassem no Rio, o que, para ela, “envia uma mensagem errada na direção errada” neste momento.
“Hospedar embarcações navais iranianas pertecentes a um regime que está brutalmente reprimindo seu povo e fornecendo armas à Rússia para usar na guerra contra a Ucrânia e envolvido em terrorismo e proliferação de armas em todo o mundo envia uma mensagem errada na direção errada”, declarou Jean-Pierre, durante entrevista coletiva na noite de quarta-feira (8).
“O Brasil é um país soberano, que toma suas próprias decisões e decide como se relacionar com outros países, inclusive o Irã. Mas, em uma visão mais ampla, esses navios (…) têm sido usados para facilitar atividades ilícitas. Deixamos claro para os países relevantes que esse navios não deveriam atracar em nenhum país”.
Washington acusa Teerã de ajudar a Rússia na guerra da Ucrânia e de estar secretamente enriquecendo urânio para gerar armas nucleares.
O governo iraniano vem serndo fortemente criticado, também, pela postura diante do maior movimento de protestos no país na história recente, que pede mais direitos para mulheres e teve origem na morte da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, após ser presa por “uso inadequado” do véu islâmico, obrigatório no Irã.
Antes de os navios chegarem, a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Elizabeth Bagley, chegou a pedir que o governo brasileiro não permitisse que os navios atracassem.
“No passado, esses navios facilitavam o comércio ilegal e atividades terroristas, e também receberam sanções pelos Estados Unidos. O Brasil é uma nação soberana, mas nós acreditamos firmemente que esses navios não devem atracar em lugar nenhum”, afirmou Bagley, na ocasião.
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