
Pelo menos dez palestinos morreram e dezenas ficaram feridos vítimas de um ataque militar de Israel na quarta-feira (22). Jovens palestinos enfrentam ofensiva de soldados israelenses em Nablus.
AFP – ZAIN JAAFAR
Pelo menos dez palestinos morreram e dezenas ficaram feridos vítimas de um ataque militar das forças israelenses nesta quarta-feira (22) em Nablus, no norte da Cisjordânia ocupada. Nos últimos meses, as tropas de Israel aumentaram operações apresentadas como “antiterroristas” para procurar “suspeitos” nos territórios palestinos.
O ataque aconteceu no centro de Nablus, cidade considerada, junto com Jenin, um dos principais bastiões palestinos. Os disparos visam uma zona urbana, densamente povoada. Segundo os primeiros relatos, pelo menos 80 pessoas foram levadas para os hospitais da região.
“Ninguém liga para os civis”, desabafa o palestino Salem Hantoli, enquanto tenta se proteger no hotel onde trabalha.
“Dezenas de tanques israelenses entraram em Nablus. Eles dispararam dois foguetes contra uma casa e estão cercando o local. De onde estou, ouço os embates e os tiros”, conta.
“É muito raro ver uma operação dessas, organizada pelas forças especiais israelenses, em plena luz do dia”, explica.
Salem Hantoli critica a falta de ação da comunidade internacional diante desse tipo de ofensiva.
“Ninguém está ligando. Dez palestinos podem morrer diariamente e isso não é visto como um problema para ninguém. Há muitos de nós nesta terra. Nossa mera presença aqui é um erro”, afirma.
O Exército israelense anunciou pouco antes das 10h30 (5h30 de Brasília) a operação em Nablus, mas não revelou detalhes. Correspondentes das agências de notícias confirmaram ter visto soldados israelenses lançar granadas de gás lacrimogêneo contra jovens palestinos.
Segundo testemunhos dos moradores, a cidade está parcialmente sitiada. Jovens palestinos tentam bloquear o avanço dos israelenses. Pneus foram incendiados e objetos lançados contra os soldados.
Desde o início do ano, o conflito palestino-israelense provocou as mortes de 53 palestinos – 35 apenas em janeiro – na Cisjordânia.
“Impedir mais violência é uma prioridade urgente”, afirmou na segunda-feira (20) Tor Wennesland, mediador da ONU para o Oriente Médio.
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