O presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, têm uma reunião na tarde desta sexta-feira (10) na Casa Branca, residência oficial do governo norte-americano.
O encontro marca uma reaproximação entre as duas maiores democracias das Américas e é repleto de simbolismos.
Lula e Biden passaram por situações parecidas ao se elegerem. Lá, houve o ataque ao Capitólio, o Congresso norte-americano, em 6 de janeiro de 2021, duas semanas antes de Biden tomar posse. Aliados do ex-presidente Donald Trump queriam tumultuar a sucessão.
Aqui, no 8 de janeiro deste ano, uma semana após a posse de Lula, golpistas depredaram as sedes dos três poderes da República.
A defesa da democracia será um dos principais temas da conversa entre os dois presidentes. Nesse ponto, Lula e Biden não só têm convergência como também percebem que podem liderar um movimento global contra a extrema-direita não democrática.
A viagem de Lula aos EUA, por sinal, foi definida durante ligação telefônica que Biden fez para o presidente brasileiro no dia 9 de janeiro, quando manifestou indignação com o ataque à Praça dos Três Poderes.
Lula desembarcou nos Estados Unidos para se reunir com Joe Biden
Meio ambiente e clima
Outra área em que Lula e Biden têm vários pontos de concordância e querem trabalhar juntos é o meio ambiente.
A preservação da Amazônia é uma bandeira tanto do presidente norte-americano quanto do brasileiro.
Biden quer levar o Brasil de volta às mesas internacionais de negociação sobre desenvolvimento sustentável e combate ao aquecimento global. E é do interesse de Lula tornar o país protagonista na discussão ambiental.
Além disso, Lula quer atrair os Estados Unidos para o Fundo Amazônia, que já conta com recursos de países europeus. A discussão sobre a Amazônia vai abordar também meios de conter a extração ilegal de recursos minerais e o avanço da estrutura do narcotráfico na floresta.
Igualdade racial
Lula e Biden também devem conversar sobre ações para promover a igualdade racial e combate ao racismo.
Os dois países sofrem com violência racial e episódios de intolerância, inclusive por parte de agentes do Estado.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, está na comitiva do governo brasileiro nos Estados Unidos.
Comércio e investimentos
Os Estados Unidos já são um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Mas os dois presidentes querem reaquecer essa relação, que esfriou nos últimos anos. Biden e o ex-presidente Jair Bolsonaro não tinham um bom diálogo, já que Bolsonaro é apoiador declarado de Trump.
Ao estreitar laços comerciais com o Brasil, os Estados Unidos também buscam fazer frente à China, que tem cada vez mais ganhado espaço nas parcerias com os países latino-americanos.
Saias-justas
Há também a previsão de que eles tratem de temas globais, e é aí que podem surgir algumas saias-justas entre os presidentes.
Venezuela é sempre um tópico que aparece em reuniões desse tipo. O governo norte-americano é contrário ao regime de Nicolás Maduro, que considera ditatorial. Mas Lula e o PT suavizam críticas em relação ao país vizinho. Nos últimos meses, os EUA ensaiaram comprar petróleo venezuelano, o que mostra que permanece aceso o interesse no país.
Uma das maiores questões atuais na política internacional é a guerra da Ucrânia. Também aí Lula e Biden têm algumas diferenças.
O norte-americano, desde o primeiro momento da invasão russa à Ucrânia, se colocou contra a iniciativa de Moscou e liderou a imposição de sanções comerciais à Rússia.
O Brasil, apesar de ter se posicionado contra a invasão em deliberações na ONU, não faz declarações incisivas condenando a invasão russa. Postura tanto do governo anterior como da gestão Lula. Além disso, o Brasil não tem enviado equipamentos de guerra para ajudar a Ucrânia, contrariando o movimento que nações ocidentais têm feito.
Por fim, a China também será um assunto. Lula gostaria de ver os chineses colaborando para a paz entre Rússia e Ucrânia e quer trazer Pequim para o diálogo.
Biden, por sua vez, vive novo momento de tensão com a China, após os Estados Unidos abaterem nos céus de seu país um balão chinês que, segundo os EUA, servia para fazer espionagem.
Declaração conjunta
Após a reunião, os dois presidentes devem fazer uma declaração conjunta, que vai buscar reunir todos os pontos de convergência. Isso não será difícil nos temas em que Biden e Lula têm grande afinidade. Mas, mesmo nos temas em que possuem alguma discordância, tentarão destacar pontos de harmonia.
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