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Home»Mundo»Governo peruano anuncia mais 10 mortes no país e ordena desbloqueio de estradas
Mundo

Governo peruano anuncia mais 10 mortes no país e ordena desbloqueio de estradas

uesleiiclone8By uesleiiclone8janeiro 27, 2023Nenhum comentário4 Mins Read
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Ao todo, as autoridades contabilizam 88 bloqueios de estradas em oito das 25 regiões do Peru. O total de mortos desde o início das manifestações já chega a 56 pessoas. Policiais em Cusco, no Peru, em 19 de janeiro de 2023
Paul Gambin/Reuters
O governo peruano deu ordens à polícia e às Forças Armadas para desbloquearem as estradas do país, operação que é autorizada pelo decreto do estado de emergência em vigor. Os bloqueios são armados por manifestantes que exigem a renúncia da presidente Dina Boluarte.
“A Polícia Nacional do Peru, com o apoio das Forças Armadas, realizará o desbloqueio das estradas da rede nacional”, anunciaram na noite da quinta-feira (26) os Ministérios do Interior e da Defesa em comunicado à imprensa.
De acordo com o Ministério do Interior, 10 pessoas morreram apenas em decorrência desses bloqueios. A mobilização provoca escassez de bens de primeira necessidade e de combustível, aumenta os preços e, de acordo com o governo, dificulta o acesso de cidadãos aos cuidados de saúde e a medicamentos em diversas partes do país.
Ao todo, as autoridades contabilizam 88 bloqueios de estradas em oito das 25 regiões do Peru. O total de mortos desde o início das manifestações já chega a 56 pessoas.
A rodovia central que liga os Andes e é a principal rota de importação de produtos alimentícios para Lima foi fortemente afetada pelas barricadas. Centenas de caminhões estão bloqueados.
Peruanos inocentes
O governo acusou os bloqueios de serem a causa direta dessas 10 mortes, incluindo de três crianças que não puderam receber a tempo os cuidados intensivos de que precisavam. “Nesta data, 10 peruanos inocentes perderam a vida por causa deste ato ilegal”, denunciaram os dois ministérios em seu comunicado de imprensa.

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O direito de manifestação “não inclui o bloqueio de vias, e muito menos pode prevalecer sobre o direito à vida das pessoas que precisam ser transportadas para receber tratamento (…) ou que precisam que o oxigênio ou remédios cheguem em suas regiões para que continuem a viver”, continua o comunicado.
O Peru vive uma grave crise política desde a destituição e prisão, em 7 de dezembro, do presidente socialista Pedro Castillo, acusado de tentativa de golpe por querer dissolver o parlamento, que se preparava para derrubá-lo do poder.
Os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes pró-Castillo, que exigem a renúncia de Boluarte e eleições imediatas, deixaram pelo menos 46 mortos em seis semanas.
Traidora
Dina Boluarte, ex-vice-presidente e companheira de chapa do Castillo nas eleições de 2021 e da mesma origem modesta e andina que ele, o substituiu de acordo com a Constituição. Mas ela é considerada “traidora” pelos manifestantes.
Acima de tudo, essa crise reflete o enorme fosso entre a capital e as províncias pobres, em especial a região sul andina, que apoiaram Castillo e viram sua eleição como uma revanche pelo que consideram ser o desprezo de Lima.
Nesta quinta-feira na capital, centenas de pessoas se reuniram novamente de maneira pacífica na praça Dos de Mayo.
“Estamos lutando contra a ditadura de Dina Boluarte”, declarou o manifestante Eduardo Vázquez, enquanto distribuía a outros manifestantes um prato típico feito com tripas de boi.
No entanto, confrontos entre participantes dos protestos e policiais eclodiram no centro histórico da capital. Manifestantes atiraram pedras e fogos de artifício, e a polícia respondeu com balas de borracha e gás lacrimogêneo.
“Só peço justiça”
Em Juliaca, cidade mineira na região de Puno (sul), os familiares das vítimas das manifestações exigiram “justiça” do governo de Dina Boluarte. “Só peço justiça. Peço que nos ajude porque ninguém vai me devolver meu irmão”, exclamou, em lágrimas, María Samilán, irmã do médico Marco Antonio Samillán, 31 anos, morto a tiros durante um protesto.
Nesta região pobre do sul dos Andes, um confronto com a polícia durante uma tentativa de tomar o controle do aeroporto em 9 de janeiro deixou 18 mortos, incluindo um policial que foi queimado vivo.
“Todos os dias também sinto que estou morrendo. Não posso mais viver”, disse Samilán durante entrevista coletiva com o Comitê Nacional de Coordenação de Direitos Humanos (CNDDHH).
As cidades de Juliaca e Puno, a mais de 1.350 quilômetros ao sul da capital, Lima, foram palco das manifestações mais violentas.

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