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Home»Mundo»Covid: a onda de infecções que ameaça hospitais da China após mudança de política 
Mundo

Covid: a onda de infecções que ameaça hospitais da China após mudança de política 

uesleiiclone8By uesleiiclone8dezembro 15, 2022Nenhum comentário6 Mins Read
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covid:-a-onda-de-infeccoes-que-ameaca-hospitais-da-china-apos-mudanca-de-politica 
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Sistema de saúde do país enfrenta alta demanda — ao mesmo tempo em que faltam medicamentos e testes caseiros nas farmácias. O grande aumento da pressão sobre os hospitais da China após a flexibilização da política de covid-zero no país tem levado a uma situação alarmante: os próprios médicos e enfermeiras podem estar infectando pacientes.
Aparentemente, devido à falta de pessoal, os profissionais de saúde da linha de frente estão sendo orientados a trabalhar, mesmo que eles próprios estejam infectados com o vírus.
Chen Xi, um professor chinês especializado em políticas de saúde vem acompanhando a crise em seu país natal pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e contou à BBC que tem conversado com diretores de hospitais e outras equipes médicas na China sobre a enorme sobrecarga no sistema no momento.
“Pessoas que foram infectadas foram obrigadas a trabalhar nos hospitais, o que cria um ambiente de transmissão lá”, diz ele.
Os hospitais da China aumentaram às pressas a capacidade de suas enfermarias de triagem para covid para atender a um grande fluxo de pacientes, mas as mesmas estão lotando rapidamente — em parte porque ainda não estão conseguindo passar adiante efetivamente a mensagem de que não há problema em ficar em casa se você pegar o vírus.
Chen diz que precisa ser feito um esforço muito maior para explicar isso às pessoas.
“Não existe a cultura de ficar em casa por causa de sintomas leves”, diz ele.
“Quando as pessoas ficam doentes, todas vão para o hospital, o que pode facilmente derrubar o sistema de saúde.”
Uma corrida às farmácias levou a uma escassez significativa de remédios usados ​​para tratar resfriados e gripes a nível nacional. Kits de teste caseiro para covid também são difíceis de encontrar.
Em Pequim, embora os restaurantes tenham sidos autorizados a reabrir, eles têm poucos clientes, e as ruas estão desertas.
As empresas estão dizendo aos funcionários que eles devem voltar ao escritório, mas muitos não querem.
Tudo isso faz sentido quando você considera que, apenas algumas semanas atrás, o governo dizia que não haveria desvio da política de covid-zero, que os infectados deveriam ir para instalações de quarentena e que os lockdowns eram necessários.
O coronavírus era algo a temer, e os chineses tinham a sorte de morar aqui porque o Partido Comunista não os sacrificaria no altar da reabertura.
Agora, o objetivo de zerar os casos de cada surto foi abandonado, a covid está se espalhando como um incêndio florestal, e a posição do governo é que pegar a doença não é motivo de preocupação.
Esperava-se que a flexibilização das restrições impostas para controlar a covid na China acontecesse mais lentamente, muito mais gradualmente.
Mas vieram os protestos de rua, cidade após cidade, com manifestantes exigindo suas antigas vidas de volta. Eles queriam ser livres para ir e vir novamente. Houve confrontos com a polícia e coro pela renúncia do presidente chinês, Xi Jinping, e pela saída do Partido Comunista do poder.
Esta foi a gota d’água para mudar a política de covid-zero.
De acordo com Chen, embora o momento “não fosse ideal”, isso fez com que as autoridades tivessem que reabrir o país.
Ele observa que países como Cingapura e Nova Zelândia mudaram suas políticas quando as infecções estavam sob controle. No entanto, a China implementou a mudança com surtos em andamento em cidades como Pequim.
O governo “ouviu a voz dos manifestantes”, diz ele, acrescentando que esta não foi a escolha ideal para eles em termos de momento.
Então os manifestantes podem ter vencido, mas a rapidez com que o governo cedeu deixou os idosos com medo de sair de casa.
Uma mulher que encontramos indo passear com o neto disse que se manteria distante de lugares com aglomerações, e que continuaria a usar máscara e a lavar as mãos regularmente.
Mas a relutância em estar em lugares onde a infecção é mais provável permeia todos os grupos da sociedade.
O impacto em Pequim foi enorme.
Outra razão pela qual os restaurantes estão vazios é que o governo da capital ainda exige um resultado negativo do teste para covid (tipo PCR), feito nas últimas 48 horas, para comer no interior do estabelecimento. No entanto, a maioria dos resultados não está chegando aos aplicativos de código de saúde.
Tudo indica que isso está acontecendo porque os laboratórios estão sobrecarregados de trabalho agora que a covid está se espalhando tão rapidamente.
Uma mulher de 34 anos, que está em isolamento em casa após pegar covid, disse à BBC que a experiência, até agora, tem sido surpreendentemente tranquila.
Ela contou que seus sintomas não foram tão ruins quanto esperava — e que tem tudo que precisa.
Ela também disse que estava muito mais feliz por ter a opção de se recuperar em casa com o marido, em vez de em um centro de quarentena lotado.
Mas ela também se preocupa. Ela tem uma irmã com filhos pequenos, pais morando sozinhos em sua cidade natal e uma avó — e todos vão ter que enfrentar esse período.
Os médicos estão se manifestando nas redes sociais na tentativa de tranquilizar as pessoas de que não há problema em permanecer em casa depois de pegar covid.
As autoridades também começaram a transformar os centros de isolamento de covid em instalações hospitalares temporárias, para lidar com uma explosão de infecções.
Em apenas um dia desta semana, 22 mil pessoas em Pequim tentaram entrar em uma clínica para pacientes com suspeita de covid.
Uma série de questionamentos estão sendo feitos.
Por que o governo não se preparou para isso antes, com a ampliação da capacidade das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais?
Por que demorou tanto para fazer essa mudança quando países ao redor do mundo já haviam feito?
Por que o governo de Xi Jinping permitiu que a política de covid-zero causasse tantos prejuízos à economia de uma maneira geral e aos meios de vida da população mais especificamente?
Uma nova campanha para a vacinação começou, mas também deveria ter acontecido antes de a China entrar nesse estágio.
O governo diz que é o vírus que mudou, que as variantes mais recentes são menos perigosas — e que isso significa que é o momento certo para mudar a resposta.
Seja como for, há muito mais otimismo agora.
Um grupo de chineses no exterior criou um bate-papo especial no aplicativo Wechat para que pessoas que moram em outros países possam compartilhar suas experiências de ter covid com usuários na China.
O objetivo é simples. Acalmar as pessoas.
Com certeza, os próximos meses serão difíceis por aqui. Milhões de pessoas ficarão doentes, e haverá muitas mortes.
No entanto, a antiga abordagem era claramente insustentável — e, finalmente, as pessoas podem ver uma saída.

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