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Home»Economia»Campos Neto fala com Haddad sobre gastos do governo e juros e alerta para efeito do crédito subsidiado
Economia

Campos Neto fala com Haddad sobre gastos do governo e juros e alerta para efeito do crédito subsidiado

uesleiiclone8By uesleiiclone8dezembro 15, 2022Nenhum comentário4 Mins Read
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Presidente do Banco Central voltou a dizer que permanece até o fim do seu mandato, em 2024, e que um mandato é suficiente para sua gestão. Afirmou que não conversou sobre esse assunto com o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (15) que conversou nesta semana com o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a coordenação entre a política fiscal e a política monetária (definição de juros para conter a inflação, que é responsabilidade do BC).
A política fiscal, executada pelo governo federal, trata das contas públicas, ou seja, sobre a arrecadação de impostos e sobre os gastos públicos.
“Foi uma conversa muito boa de duas horas [com Haddad]. Tocamos vários pontos, são pontos importantes para nossa coordenação. O ponto principal foi coordenação de política fiscal e monetária, mas tocamos outros pontos, como reformas, como agenda de crédito, acesso de empresas ao mercado de capitais”, disse Campos Neto.
Nesse momento, o governo discute no Congresso Nacional a PEC da transição, que abre espaço, por dois anos, para despesas adicionais de R$ 168 bilhões para custear programas sociais e políticas públicas em saúde e educação.
Ao elevar gastos, o governo injeta recursos na economia, o que pode impactar a inflação e elevar a dívida pública, aumentando as incertezas no mercado e contribuindo para uma alta da taxa de juros.
Nesta semana, o BC reforçou reforça preocupação com impacto do aumento de gastos públicos na inflação
Antes disso, Campos Neto já tinha dito que, diante da alta de incertezas no mercado, o BC pode ter de reagir por meio da taxa de juros
Também já tinha informado que, com as discussões da PEC da transição, o mercado financeiro passou a prever alta na taxa Selic
Campos Neto também reafirmou nesta quinta-feira que não ficará na Presidência do BC após o fim do seu mandato, em 2024.
“Tenho dito há bastante tempo que eu acho que um mandato é suficiente para fazer o que eu preciso fazer (…) Quando foi feita a lei de autonomia, disse que não achava bom a recondução. Não discutimos isso (com Haddad), mas pretendo ficar até o fim do meu mandato”, declarou.
Definição dos juros
Ao fixar os juros, o BC busca atingir as metas de inflação, fixadas anualmente. Se a projeção de inflação está em linha com as metas, pode baixar os juros. Se está acima, pode ser obrigado a subir o juro básico da economia, atualmente em 13,75% ao ano – maior nível em seis anos.
Campos Neto afirmou que o Banco Central já considera, nos modelos usados para a definição da taxa de juros, que haverá um aumento de gastos nos próximos dois anos. Para 2023, o BC estima uma alta de R$ 130 bilhões nas despesas e, para 2024, de R$ 109 bilhões. Esses números foram obtidos por meio de pesquisa realizada com o mercado financeiro.
Além disso, a instituição também embute, em seus modelos, a retomada da tributação federal sobre combustíveis no próximo ano. Até o momento, o governo eleito ainda não informou sei vai manter zerados o PIS/Cofins sobre diesel e gasolina. A decisão será tomada somente no próximo ano.
Crédito subsidiado
Durante entrevista nesta quinta-feira, Campos Neto também afirmou que um a redução, nos últimos anos, do crédito subsidiado (com juros menores com forma de estimular setores da economia) teve um “impacto importante” gerou ganho de potência para a política de juros do BC.
A lógica é que, se há menos empréstimos no mercado com juros subsidiados, uma decisão do BC sobre a taxa Selic tem impacto maior, pois abrange uma quantidade maior de operações.
Pela lógica inversa, um aumento do volume de crédito com juros subsidiados tem efeito negativo sobre as decisões do BC, que pode ter de subir mais os juros para ter o mesmo impacto na economia.
“Se voltar a ter uma massa de crédito subsidiado grande, pode ter uma taxa neutra que suba [nível de juros que permita o crescimento da economia com inflação sob controle] e uma potência da politica monetária influenciada negativamente. Tem uma perda na potência da política monetária”, disse Campos Neto.
Nesta semana, Fernando Haddad afirmou que está, entre as prioridades da pasta, o fortalecimento e a democratização do acesso à crédito.
“Crédito é mecanismo mais eficaz de permitir ascensão social”, afirmou ele. Questionado se os bancos públicos serão usados para essa agenda, disse que o objetivo é utilizar outros instrumentos, sem especificar quais.

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