
A vice-presidente do Peru, Dina Boluarte, que foi convocada pelo Congresso para assumir o cargo de presidente depois que a legislatura aprovou a destituição do presidente Pedro Castillo em um julgamento de impeachment, participa de sua cerimônia de posse em Lima, Peru, em 7 de dezembro de 2022
REUTERS/Sebastian Castaneda
A nova presidente do Peru, Dina Boluarte, vai continuar nesta sexta-feira (9) as negociações para a formação de governo após a destituição e detenção de Pedro Castillo, acusado de tentativa de golpe de Estado e cujos apoiadores exigem nas ruas a sua libertação e a convocação de eleições.
Dois dias após sua fracassada tentativa de golpe, o líder esquerdista, que assumiu o poder há 16 meses, divide um centro de detenção com o ex-presidente Alberto Fujimori, na base das forças especiais da polícia, localizada ao leste de Lima.
O Ministério Público o acusa de rebelião e conspiração, e um tribunal superior ordenou sete dias de prisão preventiva.
As manifestações em várias cidades alimentam a incerteza sobre a viabilidade de Boluarte conseguir concluir seu mandato em 2026, como ela mesma anunciou ao tomar posse na quarta-feira.
Os protestos incluíram ações violentas, como o bloqueio da rodovia Pan-americana Sul na região de Ica e Arequipa com pedras, troncos e pneus em chamas.
Todos os olhares também estão voltados nesta sexta-feira para uma cerimônia do exército peruano pelo 198º aniversário da Batalha de Ayacucho, que selou o fim do domínio colonial espanhol na América Latina.
Boluarte deve comparecer a esse evento e fazer um discurso perante os militares, que tiveram um papel fundamental na queda de Castillo ao não apoiar o regime de exceção proposto por ele.
Castillo tentou dissolver o Legislativo e governar por decreto, mas suas ordens foram ignoradas pelo Congresso e pelas Forças Armadas.
– “Não o deixaram trabalhar” – Milhares de manifestantes exigiram na quinta-feira a renúncia da nova presidente, a primeira mulher a liderar o Peru e a quem alguns esquerdistas chamam de “traidora” por assumir o cargo.
Em Lima, um protesto de cerca de mil pessoas marchou em direção ao Parlamento, onde foi dispersado pela polícia com gás lacrimogêneo e pelo menos três manifestantes foram presos, confirmou a AFP.
“Eu protesto para defender meu presidente Pedro Castillo, que foi destituído injustamente. Eles fizeram o impossível para tirar Castillo. Desde o momento em que ele entrou, não o deixaram trabalhar”, disse Mery Colque à AFP.
“Vivemos um golpe decretado pelo Congresso golpista. Não pode ser que um pequeno grupo de 100 pessoas tire um presidente eleito por milhões”, questionou Ana Zevallos.
Protestos também foram registrados em vários departamentos e cidades do interior do Peru, como Chota (Cajamarca, cidade natal de Castillo), Trujillo, Puno, Ayacucho, Huancavelica e Moquegua.
– Rebelião -Na audiência do tribunal na quinta-feira, Castillo, um professor rural de 53 anos sem contato com as elites peruanas, parecia exausto e sem expressão. Ele vestia a mesma jaqueta azul que usou quando foi preso.
Visivelmente nervoso, ele se recusou a usar o direito de defesa para responder às acusações, cedendo a palavra a seus advogados.
“É claro que o crime de rebelião não foi configurado aqui” porque não se concretizou, alegaram.
Se for considerado culpado, ele pode pegar entre 10 e 20 anos de prisão.
Depois de anunciar a dissolução dos poderes e declarar estado de exceção na quarta-feira, Castillo foi detido por sua própria escolta quando se dirigia à embaixada mexicana em Lima para pedir asilo político.
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