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Home»Mundo»Copa do Mundo: como o físico dos jogadores evoluiu ao longo das décadas?
Mundo

Copa do Mundo: como o físico dos jogadores evoluiu ao longo das décadas?

uesleiiclone8By uesleiiclone8novembro 23, 2022Nenhum comentário6 Mins Read
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copa-do-mundo:-como-o-fisico-dos-jogadores-evoluiu-ao-longo-das-decadas?
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Hoje em dia, os integrantes de uma equipe de futebol são muito mais exigidos em campo e precisam ter um preparo físico invejável para competir com os adversários. Entenda o que mudou no corpo desses atletas para revolucionar a forma como o esporte é praticado. Exigências físicas e táticas do futebol moderno demandaram que jogadores se transformassem em atletas de ponta
Getty Images
Em dezembro de 2019, Cristiano Ronaldo protagonizou um lance que entrou para a história.
Numa bola cruzada durante a partida entre Juventus e Sampdoria pelo Campeonato Italiano, ele saltou 71 centímetros e alcançou 2,56 metros de altura para cabecear a bola e fazer um gol decisivo.
O atacante português talvez seja um dos principais exemplos de como o futebol mudou: atualmente, esse esporte demanda um preparo físico e uma força muscular muito superiores ao que era exigido há poucas décadas.
“Quem pratica futebol profissional hoje não é apenas jogador. Precisa ser um atleta de ponta”, compara o fisiologista Orlando Laitano, professor da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.
“A capacidade de correr, de saltar e de fazer movimentos com o corpo se aproxima cada vez mais de atletas olímpicos que treinam especificamente uma dessas habilidades em específico”, acredita.
Mas o que aconteceu para o esporte mudar tanto em poucas décadas? Por trás dessa verdadeira revolução, está o avanço no conhecimento de fisiologia e preparo físico.
Quase uma nova modalidade
O médico Paulo Zogaib, atual coordenador da medicina esportiva do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, lembra como os jogadores de antigamente tinham tempo para pensar o que fariam com a bola.
“Se você assistir uma partida dos anos 1970, vai conferir que meio campistas como o Gérson recebiam a bola, pensavam, ficavam com ela nos pés por vários minutos até que algum adversário se aproximasse”, descreve.
Hoje em dia, cada centímetro do gramado é disputado e ocupado pelos 22 atletas que estão ali.
“Antigamente, o zagueiro só passava do meio de campo em raríssimas ocasiões. O lateral praticamente não ia para o ataque. E o centroavante pouco saía da área adversária”, informa o especialista, que também é professor aposentado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e trabalhou no Palmeiras por 25 anos.
“Atualmente, os zagueiros iniciam a armação de jogadas, os laterais precisam ir da defesa ao ataque o tempo todo, os centroavantes são responsáveis por iniciar a marcação…”, lista.
O fisiologista do exercício Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), destaca que até os goleiros modernos participam mais da dinâmica de jogo.
“Em tese, o goleiro era quem se movimentava menos. Mas as equipes de hoje exigem que eles saiam da área e joguem com os pés”, acrescenta.
Por trás de tudo isso, está a competitividade e a necessidade de impor o estilo de jogo e a força física sobre o adversário.
“Essa é uma daquelas clássicas perguntas do ovo e da galinha. O que veio primeiro: os jogadores viraram atletas e o esporte ficou mais intenso? Ou a intensidade das partidas exigiu que os jogadores aprimorassem cada vez mais a parte física?”, questiona Laitano.
Do ponto de vista das partidas, essa mudança nas últimas décadas ajudou a igualar e a aumentar a competitividade, acreditam os especialistas.
“Historicamente, os brasileiros sempre tiveram uma vantagem técnica sobre os adversários, o que tornava a nossa seleção praticamente imbatível”, analisa Laitano.
“Porém, com o passar do tempo, os adversários foram diminuindo essa diferença ao evoluir na parte física e na capacidade de marcação”, complementa.
Isso fez com que os especialistas que cuidam dos atletas do país precisassem se adaptar e exigir não apenas habilidade e criatividade, mas também um nível de preparo físico muito maior.
Como isso se resume em campo
A distância percorrida pelos jogadores durante uma partida é uma boa medida para entender a diferença entre o passado e o presente.
Um trabalho publicado em 2015 por um time da Escola Universitária de Educação Física de Poznan, na Polônia, calcula que nos anos 1960 e 1970 um jogador percorria entre 4 e 5 km durante os 90 minutos em campo.
Esse número triplicou de lá para cá. A partir dos anos 2000, um atleta do futebol chega a correr 12 km — e alguns ultrapassam os 15 km.
“Para alcançar isso, é preciso muito treinamento com o objetivo de aumentar a capacidade cardiorrespiratória”, diz Laitano.
Outra diferença notável está na constituição do corpo: os integrantes de uma equipe moderna costumam ser mais altos e fortes, o que permite aguentar o ritmo intenso e disputar o espaço com os adversários.
Zogaib conta que atualmente existem equipamentos e tecnologias capazes de medir cada parâmetro do corpo humano — e, se for o caso, detectar pontos que podem ser aprimorados nos treinamentos.
“Hoje sabemos até as características genéticas dos atletas. Também avaliamos a capacidade de resistência, a eficiência da corrida, os limiares de velocidade, a distribuição da massa muscular, a potência, o tipo de fibras musculares…”, lista.
“Com isso, conseguimos direcionar a carga e o tipo de treinamento de maneiras cada vez mais individualizadas.”
Gualano destaca que toda essa capacidade de análise provocou outra mudança no futebol: os atletas de ponta possuem atualmente um estafe particular.
Ou seja, além do batalhão de técnicos, fisiologistas, preparadores físicos, fisioterapeutas e demais profissionais do clube e da seleção onde atuam, esses jogadores contratam uma equipe própria, que ficará focada apenas nas necessidades deles.
“Isso é algo que vem do basquete nos Estados Unidos, em que o trabalho de todos esses auxiliares se torna absolutamente essencial para que os atletas consigam mostrar o talento que possuem ao jogar em alto nível”, explica o professor da USP.
Apesar de tantos avanços, Zogaib entende que há espaço para evoluir mais e desenvolver jogadores com capacidade física ainda mais avantajada.
Na visão do especialista, a próxima fronteira está nas categorias de base, que reúnem os atletas adolescentes.
“Se essa preparação começa já na infância e na adolescência, é possível pensar que esses indivíduos terão um rendimento muito maior quando forem profissionais mais para frente”, conclui.
– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-63720969

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