
Balanço, apresentado nesta terça, leva em conta os dois meses das manifestações que tomaram conta do país. Atos começaram por morte de jovem Mahsa Amini. Tiros de policiais são apontados como principal causa das mortes. Governo iraniano culpa “forças estrangeiras” nos atos. Manifestantes protestam durante funeral de três iranianos mortos baleados durante manifestação na província de Khuzenstão, no Irã, em 18 de novembro de 2022.
Alireza Mohammadi/ AFP
Mais de 300 pessoas já morreram durante os protestos que tomaram conta do Irã e que pedem o fim do regime islâmico nos dois últimos meses, segundo levantamento da agência das Organizações das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos apresentado nesta terça-feira (22).
O país vive a maior onda de protestos de sua história, que eclodiram em reação ao caso da jovem curda Mahsa Amini, de 22 anos, que apareceu morta após ser presa no fim de setembro pela chamada polícia dos bons costumes do país por “uso inadequado” do véu islâmico, obrigatório no Irã.
As reivindicações, contra a repressão às mulheres, rapidamente se tornaram o maior movimento contra a República Islâmica desde a sua proclamação, em 1979.
O governo tem respondido com repressão às manifestações, e há diversos relatos apontam que tiros vindos de policiais durante os atos são os responsáveis pela maior parte da morte.
A agência da ONU não sustenta diretamente essa informação, mas descreve um “endurecimento da resposta das autoridades aos protestos que resultaram em mais de 300 mortes nos últimos dois meses”.
“Instamos suas autoridades a atender às demandas das pessoas por igualdade, dignidade e direitos, em vez de usar força desnecessária ou desproporcional para reprimir os protestos”, disse o porta-voz do chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk.
Multidão marcha em direção a cemitério onde foi enterrada Mahsa Amini, no Irã
Os números apresentados pela ONU são similares aos da Organização Não Governamental (ONU) Iranian Human Rights Watch, , a principal organização de monitoramento das manifestações. A ONG fala em 380 mortes desde o início dos protestos. Ainda segundo esse balanço, 45 eram crianças.
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