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Home»Mundo»Anistia Internacional pede ‘compensação’ para operários imigrantes que trabalham na Copa do Catar
Mundo

Anistia Internacional pede ‘compensação’ para operários imigrantes que trabalham na Copa do Catar

uesleiiclone8By uesleiiclone8novembro 11, 2022Nenhum comentário4 Mins Read
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A nove dias do início da Copa, a organização reiterou o pedido que havia sido feito em maio, corroborado por outras 24 ONGS, incluindo a Human Rights Watch. Bandeiras dos países que disputarão a Copa do Mundo são exibidas ao longo de uma rua em Doha, no Catar
REUTERS/Hamad I Mohammed
A Anistia Internacional pediu ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, a atribuição de uma compensação financeira aos migrantes que trabalharam nas obras dos estádios da Copa do Mundo do Catar. A solicitação foi feita em um texto publicado nesta sexta-feira (11), no jornal francês Le Monde. 
A nove dias do início da Copa, a organização reiterou o pedido que havia sido feito em maio, corroborado por outras 24 ONGS, incluindo a Human Rights Watch.
A “indenização” poderia remediar, em parte, os abusos sofridos pelos trabalhadores estrangeiros, originários, na maior parte das vezes, do sul da Ásia, do sudeste e da África. Muito deles, afirmam as ONGS, foram explorados e maltratados. 
Os trabalhadores se queixaram das condições precárias de trabalho, horas extras que nunca foram pagas e tempo insuficiente de repouso. Alguns patrocinadores da Copa, como a Adidas, a Coca Cola e o McDonald’s, apoiaram a denúncia. A seleção australiana chegou a mostrar, em um vídeo, cenas de maus tratos dos pedreiros que construíram ou reformaram estádios onde acontecerá o mundial. 
Jogadores australianos criticam condições de trabalhadores no Catar
“Mas, em meio a tantas críticas, a voz mais relevante de todas se manteve em silêncio: a de Gianni Infantino”, escreveu a diretora-geral da Anistia, Agnès Callarmard, no texto publicado nesta sexta-feira.
“Apesar das seguradoras públicas e privadas da Fifa terem afirmado que analisariam a proposta, Gianni Infantino sempre se esquivou da questão. Ele nunca respondeu nossa carta conjunta”, declarou.
Recentemente, a presidente da Fifa suscitou revolta das associações de direitos humanos ao incitar os 32 países que participam do torneio a se “concentrar no futebol”, em uma carta divulgada pelo canal Sky News, no dia 4 de novembro. Ele também pediu às equipes que parassem de dar “lições de moral.” 
Violação de direitos humanos
Para a diretora da Anistia, a declaração reforça uma tentativa “grosseira e sem equívoco de inocentar a Fifa de sua responsabilidade em atos de desrespeito aos direitos humanos e aos trabalhadores.” Ela lembrou, entretanto, que o compromisso da Fifa para ‘remediar’ essas violações faz parte de sua própria política, e que Federação estava a par dos riscos para os trabalhadores no Catar quando a Copa do Mundo foi atribuída ao país.
O Catar rejeitou os apelos por uma compensação financeira. O ministro do Trabalho catari, Ali bin Samikh Al Marri afirmou que os países do Golfo implantaram sua própria política de indenização e já tinham distribuído centenas de milhões de dólares para compensar salários.
“Pedimos à Fifa que se comprometa a indenizar as vítimas e financiar programas de prevenção. Entre eles, um centro onde os trabalhadores possam se informar sobre seus direitos e obter assistência e conselhos jurídicos”, diz Agnès Callarmard.
Situação é chocante
Durante uma visita organizada pelo governo do Catar em 2015, o trabalhador imigrante Kuttamon Velayi, da Índia, fala com jornalistas enquanto está sentado em sua cama em um quarto que divide com outros sete trabalhadores indianos em Doha
Maya Alleruzzo/AP
Mustafa Quadri, da ONG Equidem, disse à RFI que a situação é “chocante”. “O que descobrimos é realmente chocante. Não só os trabalhadores foram submetidos à práticas que podem ser comparadas ao trabalho forçado, como também algumas empresas, incluindo uma que é propriedade direta da família real do Catar, fizeram de tudo para esconder seus métodos dos inspetores do trabalho.” 
Ele também elogiou “os esforços de algumas pessoas no Catar e de especialistas internacionais que realmente fizeram tudo para tentar melhorar as condições de trabalho de mais de 2 milhões de trabalhadores. Há boas pessoas no Catar que estão fazendo o possível para mudar as coisas”, disse. “Mas nossa pesquisa mostra que, apesar desses esforços, um sistema de exploração ainda está em vigor na Copa do Mundo”.
Nesta sexta-feira, a Fifa reagiu dizendo que “medidas para garantir a saúde e o bem estar dos operários que atuam nas obras da Copa do Mundo são uma prioridade”. 
Operários caminham até o Estádio Lusail, um dos estádios da Copa do Mundo de 2022 no Catar, em foto de 2019
Hassan Ammar/AP

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