Dezenas de apoiadores de Imran Khan, bloquearam estradas na cidade de Lahore, incendiando pneus. Paquistaneses protestam contra condenação de ex-primeiro-ministro do país
O ex-primeiro-ministro paquistanês Imran Khan foi impedido de ocupar cargos públicos nesta sexta-feira depois que o principal tribunal eleitoral do Paquistão o considerou culpado de vender ilegalmente presentes de dignitários e chefes de Estado estrangeiros, disseram um advogado e um ministro.
A decisão aumenta a incerteza política e econômica que assola o país desde o início deste ano, quando Khan foi deposto do poder, e seus apoiadores foram às ruas em diferentes cidades em protesto, bloqueando estradas e rodovias e incendiando pneus.
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O ex-jogador de críquete de 70 anos que se tornou político foi acusado de usar indevidamente seu cargo de primeiro-ministro entre 2018 e 2022 para comprar e vender presentes em posse do Estado que foram recebidos durante visitas ao exterior e no valor de mais de 140 milhões de rúpias paquistanesas (cerca de R$ 3,3 milhões) .
Os presentes incluíam relógios dados por uma família real, segundo funcionários do governo, que alegaram anteriormente que os assessores de Khan os venderam em Dubai.
De acordo com uma lista compartilhada pela ministra da Informação, Marriyum Aurangzeb, os presentes incluem sete relógios de pulso, seis feitos pela relojoeira Rolex, e o mais caro deles seria uma “edição limitada Master Graff” avaliada em 85 milhões de rúpias paquistanesas (quase R$ 2 milhões).
A lista também continha perfumes, joias com diamantes e conjuntos de jantar.
Khan, em um comunicado na sexta-feira, negou qualquer irregularidade e classificou a decisão como “tendenciosa”, acrescentando que comprou legalmente os itens. Ele pediu aos apoiadores que parem com os protestos, dizendo que contestaria a decisão no tribunal, que provavelmente seria revogada.
De acordo com a lei paquistanesa, um legislador considerado culpado de corrupção ou uso indevido de cargo público pode ser barrado por até cinco anos.
Protestos em apoio a Khan
Na cidade de Peshawar, no noroeste, onde o partido de Khan Tehreek-e-Insaf (PTI) comanda o governo provincial, grupos de apoiadores, dezenas de cada um, bloquearam várias estradas importantes, incluindo a rodovia que liga a cidade à capital Islamabad, para desespero dos motoristas.
Algumas dezenas de manifestantes tentaram bloquear uma via arterial importante em Islamabad e foram repelidos com gás lacrimogêneo, disse o policial Sohail Khan. Ele disse que os manifestantes atacaram a polícia com tijolos, ferindo três funcionários, e tentaram, sem sucesso, bloquear outras estradas na capital.
Dezenas de apoiadores de Imran Khan também bloquearam estradas na cidade oriental de Lahore, incendiando pneus.
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