Investigação da AP em janeiro apontou que a Marsam, com sede em São Paulo, tinha ligações e processava ouro em nome de um intermediário acusado pelos promotores brasileiros de comprar ouro de territórios indígenas e outras áreas protegidas. Uma das maiores refinadoras de ouro do Brasil perdeu um importante selo de aprovação da indústria, em que fabricantes globais, da Apple à Tesla, confiam para erradicar abusos em suas cadeias de suprimentos, segundo informações da Associated Press (AP).
Uma investigação da AP em janeiro apontou que a Marsam, com sede em São Paulo, tinha ligações e processava ouro em nome de um intermediário acusado pelos promotores brasileiros de comprar ouro de territórios indígenas e outras áreas protegidas.
Ainda de acordo com a AP, um ex-sócio da Marsam, Dirceu Frederico Sobrinho, esteve no centro da recente corrida do ouro na Amazônia, comprando, através de uma outra empresa controlada por ele, mais de R$ 2 bilhões em ouro no ano passado de garimpeiros em 252 locais. No ano passado, promotores federais entraram com uma ação civil contra a empresa, F.D’Gold, e outras duas empresas que compram ouro, pleiteando R$ 10 bilhões em danos sociais e ambientais.
Áreas de garimpo superam as da mineração industrial no Brasil, mostra estudo
Com esse processo ainda em andamento, a Marsam este mês foi removida pela Iniciativa de Minerais Responsáveis de uma lista pública de fundições e refinarias que reúne as empresas que seguem as melhores práticas de fornecimento do minério.
À AP, André Nunes, consultor externo da Marsam, disse que vai recorrer da decisão da iniciativa. Ele disse que a Marsam conduziu sua própria avaliação do F.D’Gold e não encontrou nada de errado.
Ele também apontou que as acusações de mineração ilegal contra o cliente da Marsam ainda não foram comprovadas, citando uma decisão judicial do mês passado. Nessa decisão, o juiz criticou os promotores por não fornecerem provas suficientes para apoiar o pedido de que as atividades da empresa fossem suspensas até o resultado da investigação.
“No entendimento da Marsam, fomos diligentes e fizemos o que estava ao nosso alcance”, disse Nunes. “Não vimos motivo para encerrar nosso relacionamento com F.D’Gold e o judiciário corroborou essa decisão.”
A Responsible Minerals Initiative não divulgou suas descobertas, citando acordos de confidencialidade para incentivar as empresas a participar de seu processo de avaliação. Atualmente, 98 refinadoras são consideradas alinhadas aos padrões da iniciativa – o mesmo status que a Marsam desfrutou de 2017 até sua recente deslistagem.
Mais de 300 empresas de capital aberto listam a Marsam como fornecedora em divulgações de mineração responsável que são obrigadas a apresentar à Securities and Exchange Commission (a CVM dos EUA).
Trending
- STF marca julgamento que vai definir alcance da Lei de Anistia
- Olimpíada Brasileira de Matemática está com inscrições abertas
- Brasileirão Feminino 2026 tem datas, horários e locais definidos
- Governo vai triplicar incentivo fiscal para socorrer indústria química
- Bolsa cai mais de 2% em dia de forte correção no mercado
- Plano Municipal de Redução de Risco é apresentado e fortalece política de prevenção em Camaçari
- Vitória encara o Palmeiras na Arena Barueri nesta quarta (04)
- BNDES libera R$ 280 mi para fábrica de bateria da transição energética

