Para o economista, um dos principais temas a ser tratado no encontro é a pressão inflacionária vista em vários países do grupo por conta da guerra na Ucrânia. Desafios econômicos para o Brasil e o Mundo: Economista analisa perspectivas do país
O economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luiz Gonzaga Belluzzo, declarou, nesta quinta-feira (23), que vê como positiva a reunião do G20, grupo das maiores economias do mundo. O evento acontece em Bangalore, na Índia, entre 23 e 25 de fevereiro.
“Eu acho reuniões como a do G20 importantíssimas. Os países prestam o seu depoimento em relação ao que está ocorrendo. O Brasil, por exemplo, voltou à cena internacional de uma maneira muito especial e favorável por conta da forma como o presidente Lula trata essas questões, de uma maneira muito negocial, e de aproximação com os outros países”, disse Belluzzo em entrevista ao GloboNews Em Ponto.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viajou para a Índia na madrugada desta quarta-feira (22) para se encontrar com ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais de países do G20.
“Eu sempre brinco aqui que, ao ouvir certas análises, imagino que o Brasil esteja no planeta Netuno. O Brasil não está no planeta Netuno, o Brasil está no planeta Terra e convive com os outros países, com seus problemas peculiares. Acima disso, está toda uma articulação internacional que promove as relações entre os países. E o que está ocorrendo agora é um agravamento do desgaste dessas relações”, completa Belluzzo, destacando a “turbulência” causada pela guerra na Ucrânia.
Para o economista, um dos temas a ser tratado na reunião será a alta inflacionária vista em vários países do grupo – consequência dos choques de oferta decorrentes do conflito no Leste Europeu.
“Essa guerra Rússia-Ucrânia causou choques de oferta negativos, que estão produzindo esse processo inflacionário. E, ao mesmo tempo, temos uma espécie de restrição a ser observar que essa inflação não necessariamente é da mesma natureza de uma inflação de demanda. No caso dos EUA há fatores de demanda sim. No caso do Brasil, não”, disse.
Na avaliação do especialista, que foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda durante o governo José Sarney (1985/1990), o momento atual é de desgaste nas relações econômicas entre os países e que isso deve ser contornado em encontros como os realizados pelo G20.
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