Chegada dos britânicos em 1788 à Austrália deu início a dois séculos de discriminação, opressão e perseguição aos indígenas australianos, que habitam a região há cerca de 65 mil anos. ‘Abolir a monarquia’: Milhares na Austrália protestam contra rainha Elizabeth II
Centenas de ativistas se manifestaram nesta quinta-feira (22) na Austrália para denunciar o impacto destrutivo que o colonialismo britânico teve nos povos indígenas no país, enquanto os australianos observavam um dia de luto pela morte da rainha Elizabeth II.
“Abolir a Monarquia” foi a mensagem que os manifestantes trouxeram para seus protestos em Sydney, Melbourne e Canberra, denunciando a perseguição e pilhagem de povos indígenas desde que os britânicos chegaram à Austrália há mais de dois séculos.
“Não há motivo para lamentar a rainha (…)”, disse Gwenda Stanley, de 49 anos, ativista dos povos indígenas Gomeroi em Sydney, que defende a devolução das terras saqueadas e a compensação pelos “crimes de guerra” cometidos contra eles.
“A monarquia tem que ser abolida, deveria ter sido há muitos anos”, disse outro ativista indígena, Paul Silva, de 24 anos.
Por ocasião de um evento em homenagem à Rainha Elizabeth II em Canberra, o governador-geral da Austrália David Hurley, que representa a monarquia, afirmou que reconhece as preocupações e reivindicações dos primeiros habitantes do país. O rei ou rainha britânica é até hoje o chefe de estado australiano.
“Mesmo considerando o papel unificador que a rainha desempenhou, reconheço que sua morte gerou reações mistas em algumas de nossas comunidades”, disse Hurley.
A chegada dos britânicos em 1788 deu início a dois séculos de discriminação, opressão e perseguição aos indígenas australianos, que habitam a região há cerca de 65 mil anos, segundo estimativas.
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