
Segmento cresceu 1,1% no terceiro trimestre em relação ao anterior– abaixo dos 1,3% daquele período. Fim dos estímulos fiscais e piora do poder de compra das famílias influenciam desaceleração da atividade. Serviços perdem força, mas setor mantém otimismo e projeção de crescimento para 2023
Tânia Rêgo/Agência Brasil
O setor de serviços, um dos principais motores do crescimento econômico no Brasil neste ano, já começa a demonstrar sinais de desaceleração. Dados divulgados nesta quinta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o segmento cresceu 1,1% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores – abaixo dos 1,3% daquele período.
O setor ainda registrou um avanço de 4,5% no terceiro trimestre em comparação ao mesmo intervalo de 2021. Nos três meses anteriores, a alta também havia sido de 4,5%.
Leia também:
PIB do Brasil avança 0,4% no 3º trimestre, na quinta alta seguida
De volta ao ‘voo da galinha’: por que o crescimento da economia brasileira perdeu força no 3º trimestre?
O que explica a desaceleração de serviços?
O movimento tem algumas explicações. A principal delas é o fim dos estímulos concedidos pelo governo à população – que já começa a se traduzir em uma renda menor das famílias disponível para esse tipo de gasto.
“É preciso lembrar que tivemos a antecipação do 13º salário, da aposentadoria, da pensão e a liberação dos saques do FGTS. Tudo isso ajudou muito o setor nos últimos meses, mas agora já começamos a ver uma normalização, com cada vez menos benefícios sendo pagos. O dinheiro que foi antecipado já acabou, e mesmo o Auxílio Brasil já não gera mais renda nova”, afirma o economista e analista da Tendências Consultoria, Thiago Xavier.
O poder de compra das famílias também é prejudicado pelos juros elevados no país, com a taxa básica (Selic) no maior patamar desde 2017, 13,75% ao ano. E o resultado é uma menor demanda no comércio, e a desaceleração do setor de serviços.
O outro lado da moeda
Apesar da projeção mais fraca por parte dos economistas, o setor ainda demonstra otimismo. Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), tanto este quanto o próximo ano serão de bons resultados – ainda que a previsão seja de um crescimento menor em 2023.
A estimativa do presidente-executivo da associação, Paulo Solmucci, é de um avanço real (descontada a inflação) de 8% em relação a 2019, ano pré-pandemia, e de 5% em comparação a 2021.
“Nosso setor tem muita elasticidade. Se tivermos um PIB crescendo 2,5% em 2023, por exemplo, podemos crescer perto de 4%. Nós temos, normalmente, até 50% de elasticidade em relação ao PIB”, diz Solmucci.
Initial plugin text
Esse otimismo também pode ser visto no comércio: em novembro, por exemplo, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado todo mês pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 2011.
“A chegada das festas de fim de ano e o desempenho mais favorável da economia e do comércio estão incentivando as intenções de investir para absorver funcionários e estimular o consumo”, aponta a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva.
Resultados positivos
O Pina Drinques é um exemplo do momento do segmento de serviços. Desde sua abertura, em setembro de 2021 – mês em que São Paulo começou a aplicar a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 –, o bar localizado na região central da capital paulista acumula bons resultados, segundo o proprietário Gabriel Szklo.
Amanda Lordello, Gabriel Szklo e Gabriella Pássaro administram o Pina Drinques.
José Eduardo Moreau/Pina Drinques
“Em um bom mês, faturamos cerca de R$ 50 mil [bruto]. Neste ano, a gente soma um faturamento de R$ 550 mil. Então, o valor que investimos inicialmente já foi praticamente recuperado. Contanto que haja controle, fica mais fácil administrar”, diz.
Ele ressalta que, desde a abertura do estabelecimento, o principal desafio enfrentado foi o mais comum entre bares e restaurantes: a incerteza em relação ao movimento.
“Às vezes, em uma terça-feira em que você acha que não vai acontecer nada, vem todo mundo”, diz. “E um fim de semana – que é quando a gente mais ganha dinheiro –, quando não dá movimento, basicamente você joga a semana fora e o mês vai para o buraco”, continua.
Bar na região central de São Paulo aposta em público da classe média.
Divulgação/Pina Drinques
Szklo prevê um fim de ano positivo e um 2023 também de bons resultados.
“Novembro e dezembro são sempre muito melhores para bar e restaurante. Com décimo terceiro salário e festa de firma, esses meses rendem bem mais do que no começo do ano. Tanto é que decidimos fechar por 20 dias em janeiro, porque precisamos de férias”, conta, destacando que também planeja novidades para o meio do ano que vem.
“O plano é trocar a carta de drinques. Isso dá uma oxigenada. Vamos conseguir fazer um investimento grande no menu”, revela.
Pina oferece drinques e petiscos no cardápio.
Divulgação/Pina Drinques
Esse cenário deve continuar nos próximos meses?
Mesmo com as projeções mais otimistas das associações, o segmento ainda passa por reajustes, e a previsão do mercado é de um crescimento cada vez menor para os serviços e para a economia brasileira como um todo.
Dados recentes de um levantamento da Abrasel, por exemplo, apontam que 18% dos bares e restaurantes analisados ainda operavam com prejuízo em outubro deste ano. O número representa uma boa melhora do que o observado no auge da pandemia, quando 82% dos estabelecimentos funcionavam no vermelho, mas ainda está bem acima da médica histórica, de 5%.
Segundo Solmucci, parte do que explica esse resultado é o nível elevado da inflação dos alimentos e a queda na renda das pessoas, que obrigaram os estabelecimentos a segurarem os repasses nos preços.
Outra explicação, diz o coordenador de contas nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV), Cláudio Considera, vem dos efeitos tardios das elevações da taxa de juros.
“O maior endividamento e volume de calotes entre as famílias também dificulta o crescimento da atividade”, diz Considera, destacando que as incertezas fiscais que ainda existem no país também são um ponto de atenção.
Para Considera, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresça em torno de 2% neste ano, enquanto para Xavier, da Tendências, a previsão é de uma alta de 2,8%. Já para o setor de Serviços, ambos os especialistas projetam um avanço de 4% em 2022.
Initial plugin text
Subscribe to Updates
Get the latest creative news from FooBar about art, design and business.
Trending
- Diretriz contraindica tratamento farmacológico isolado para obesidade
- Tabela de propina, códigos e saques rondam venda de sentenças no STJ
- Marina se despede do Meio Ambiente e cita COP30 como principal desafio
- Dólar cai e fecha a R$ 5,15 com otimismo por trégua na guerra; Ibovespa sobe
- Ministério da Fazenda implementa a iniciativa Mulheres Líderes em Finanças
- Pé-de-Meia contribui para queda de 43% no abandono escolar: ‘Oportunidade de continuar sonhando’, exalta Lula
- Obras de macrodrenagem na Bacia do Rio Camaçari reduzirão riscos de alagamento e beneficiarão mais de 68 mil famílias
- Semana Santa: população pode adquirir produtos na Feira do Peixe nesta quinta-feira
Serviços mostram sinais de desaceleração, mas setor mantém otimismo e projeção de crescimento para 2023
Previous ArticleDe volta ao ‘voo da galinha’: por que o crescimento da economia brasileira perdeu força no 3º trimestre?
Next Article Dólar

