Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil/Arquivo
Por Hieros Vasconcelos
Salvador entra de vez no mapa da educação internacional ao receber, no próximo dia 29 de março, o Salão do Estudante, maior evento do setor na América Latina. A feira acontece no Fiesta Convention Center, com entrada gratuita, reunindo universidades e instituições de diversos países em um momento em que cresce, de forma consistente, o interesse dos brasileiros por estudar fora.
Longe de ser apenas um sonho distante, a formação internacional passou a ser encarada como estratégia de carreira. Dados do próprio Salão indicam que mais de 90% dos interessados começam a se organizar com pelo menos um ano de antecedência, o que mostra um público mais planejado, informado e consciente das etapas necessárias.
Para a diretora de eventos da BMI/THE, Priscilla Gomes, esse movimento está diretamente ligado às transformações do mercado de trabalho. “O crescimento do interesse dos brasileiros em estudar fora está principalmente ligado ao mercado de trabalho extremamente concorrido e à globalização. Hoje, ter apenas um segundo ou terceiro idioma já não é suficiente. O diferencial está na experiência internacional, como uma graduação ou pós-graduação no exterior”, afirma.
Segundo ela, esse tipo de vivência amplia horizontes e aumenta as chances de inserção profissional. “Esse contato com outras culturas agrega valor ao currículo e aumenta as chances de se destacar e conquistar melhores oportunidades e salários”, completa.
O perfil de quem busca estudar fora também mudou. A presença feminina tem crescido de forma expressiva nos últimos anos, alterando o desenho desse público. “Há um crescimento significativo de mulheres interessadas em graduação e pós-graduação no exterior. Elas já representam cerca de 60% do público da feira”, explica Priscilla.
A faixa etária predominante segue concentrada entre jovens que ainda estão no ensino médio ou no início da graduação, mas há também um aumento na procura por parte de profissionais já formados, interessados em pós-graduação, certificações e especializações internacionais.
Custos – Se antes o principal obstáculo era financeiro, hoje o cenário começa a mudar. O investimento médio anual gira em torno de R$ 30 mil, valor que, dependendo do curso e do destino, pode ser semelhante ou até inferior ao de uma graduação privada no Brasil.
Ainda assim, Priscilla reforça que o custo depende de escolhas bem feitas. “Existe a percepção de que estudar fora é muito caro, mas pode ser mais acessível do que se imagina. Há facilitadores como promoções, isenção de matrícula, dólar congelado e possibilidade de parcelamento”, afirma.
Ela destaca que decisões estratégicas fazem diferença no orçamento. “Escolher cidades menores, próximas a grandes centros, pode reduzir bastante o custo de vida, tornando a experiência mais viável financeiramente”, explica.
Outro ponto essencial é o planejamento. Embora muitos estudantes iniciem a preparação com um ano de antecedência, o ideal é começar o quanto antes. “Quanto antes começar esse planejamento, melhor preparado o estudante estará para lidar com burocracias e escolhas”, orienta.
Entre os erros mais comuns está justamente a falta de pesquisa. “É essencial avaliar destino, clima, custo de vida, documentação, visto, seguro e outros aspectos práticos. Também é importante não focar apenas em grandes centros. Participar de eventos e conversar diretamente com especialistas ajuda a evitar esses erros”, diz.
A chamada graduação sanduíche aparece como alternativa interessante para quem deseja reduzir custos. “Ela pode ser uma opção mais acessível, mas é importante verificar se a universidade no Brasil tem parceria com instituições internacionais para garantir a validação das disciplinas”, explica.
Evento aproxima estudantes da realidade internacional
Nesse contexto, o Salão do Estudante se torna uma ferramenta importante para transformar interesse em ação. O evento permite contato direto com universidades, representantes oficiais, ex-alunos e especialistas, encurtando distâncias e esclarecendo dúvidas que muitas vezes travam o processo.
“O Salão do Estudante tem um papel fundamental, pois permite contato direto com representantes de universidades, ex-alunos e especialistas. No evento, é possível tirar dúvidas ao vivo sobre cursos, visto, seguro, passagens, custo de vida e burocracias”, afirma Priscilla.
Além da orientação, a feira também oferece condições práticas que podem facilitar o ingresso no exterior. “Durante o evento, são oferecidas condições especiais como isenção de matrícula, descontos, dólar congelado e opções de parcelamento. Essas facilidades podem tornar o intercâmbio mais acessível”, destaca.
Em relação aos destinos, os Estados Unidos continuam liderando a preferência dos brasileiros, seguidos pelo Canadá. Portugal se mantém na terceira posição há cerca de seis anos, impulsionado principalmente pela aceitação da nota do Enem como forma de ingresso. “Isso facilitou o acesso e aumentou significativamente o interesse dos brasileiros pelo país”, explica.
Ao mesmo tempo, novos caminhos começam a ganhar força. “Há um crescimento do interesse por outros países da Europa, especialmente diante de mudanças políticas e econômicas em destinos tradicionais. Os estudantes buscam alternativas, mas não desistem da experiência internacional”, afirma.
As áreas de estudo também acompanham as transformações do mundo. “Hoje vemos um crescimento significativo em áreas como tecnologia, computação, comunicação e negócios internacionais. Isso reflete diretamente o cenário global e as novas demandas do mercado”, aponta. Ainda que cursos como engenharia, direito e medicina continuem relevantes, já não ocupam o topo da lista como antes.
No fim, o impacto de estudar fora vai além da formação acadêmica. “A experiência internacional é um grande diferencial no currículo. Ela demonstra vivência multicultural, adaptação e visão global, características muito valorizadas no mercado atual”, reforça.
Para os jovens que ainda enxergam o intercâmbio como algo distante, a orientação é direta. “Muitas vezes, estudar fora é mais acessível do que parece. Participar do Salão do Estudante e conversar diretamente com as universidades é o primeiro passo para entender o processo e enxergar as oportunidades”, conclui.
Com a chegada do evento a Salvador, a expectativa é ampliar o acesso à informação e aproximar estudantes baianos de um projeto que, cada vez mais, deixa de ser exceção para se tornar realidade.

