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Por Rayllanna Lima
A Bahia encerrou 2025 como o estado do Nordeste com o maior número de empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao todo, 386.175 companhias baianas tinham contas em atraso em dezembro, colocando o estado na liderança regional e entre os maiores volumes de CNPJs negativados do país.
Os números refletem tanto o peso da economia baiana quanto os desafios enfrentados pelas empresas em um cenário econômico mais restritivo. No ranking nordestino, a Bahia aparece à frente de Pernambuco, com 242.775 empresas inadimplentes, e Ceará, com 212.270, consolidando-se como o principal polo regional também na concentração de dívidas empresariais.
Além do volume de empresas negativadas, os dados mostram a dimensão das dívidas acumuladas no estado. Na Bahia, mais de 2,18 milhões de débitos estavam negativados, somando cerca de R$ 6,57 bilhões em dívidas. Em média, cada empresa inadimplente possuía 5,7 contas em atraso, com dívida média de R$ 17.027 por CNPJ.
Apesar de liderar em quantidade de empresas com contas em atraso, a Bahia não apresenta os maiores valores médios de dívida da região. Esse indicador foi mais elevado no Rio Grande do Norte, onde o valor médio por empresa chegou a R$ 22.575, sugerindo maior concentração de débitos por CNPJ naquele estado.
No cenário nacional, o levantamento aponta que o Brasil terminou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, o maior patamar da série histórica. Ao todo, as dívidas negativadas somaram R$ 213 bilhões no período. Em dezembro de 2024, eram 6,9 milhões de empresas no vermelho, o que indica um aumento de cerca de 2 milhões de CNPJs inadimplentes em um ano.
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço da inadimplência empresarial ao longo de 2025 reflete um ambiente econômico ainda desafiador. “O ano foi marcado por condições de crédito mais restritivas e custos financeiros elevados, o que reduziu a capacidade de muitas empresas de alongar dívidas e recompor capital de giro”, explica.
Segundo a economista, além do aumento no número de empresas negativadas, houve também crescimento no valor médio das dívidas. “Os dados mostram que
houve aumento do valor médio devido por empresa, o que sinaliza maior pressão sobre o fluxo de caixa, especialmente para negócios com menor acesso a crédito estruturado”, afirma.

