
Missão das Nações Unidas no Afeganistão pede fim das restrições impostas pelo Talibã às cidadãs do país, impedidas de assistir aulas, trabalhar em diversos postos e frequentar parques públicos e academias. Mahtab, moradora de Cabul de 8 anos, que, como o resto de meninas e mulheres de seu país, foi impedida de ir à escola pelo Talibã.
Ebrahim Noroozi/AP
Há quase dois anos, quando o grupo fundamentalista Talibã conseguiu derrubar o governo e assumir o poder, a vida das mulheres no Afeganistão foi praticamente anulada.
Quem conseguiu, fugiu do país, mas quem ficou teve de enfrentar uma enchurrada de restrições que praticamente anulou a vida que tinham antes.
Nesta quarta-feira (8) – Dia Internacional da Mulher – um comunicado da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que o Afeganistão é o país que mais desrespeita os direitos das mulheres atualmente.
A ONU pediu nesta quarta ao regime o fim imediato das “restrições draconianas” impostas às mulheres no Afeganistão.
“O Afeganistão sob o governo Talibã continua sendo o país mais repressivo do mundo no que diz respeito aos direitos das mulheres”, afirmou, em comunicado, a diretora da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão, Roza Otunbayeva. “Tem sido angustiante testemunhar seus esforços metódicos, deliberados e sistemáticos para afastar as mulheres e meninas afegãs da esfera pública”.
Desde que tomou o poder no país, em 2021, o regime fundamentalista Talibã tem imposto uma série de restrições às mulheres, como:
Proibir que frequentem escolas e universidades;
Proibir a presença de mulheres em parques públicos, jardins, academias e banheiros públics, com o argumento de que muitas não respeitavam as normas de vestimentas impostas pelo regime;
Impor o uso da burca;
Proibir que mulheres viagem sem a companhia de um parente homem;
Segundo a agência de notícias AFP, um grupo de 20 mulheres fez um protesto nesta quarta em Cabul
“Chegou o momento de a ONU tomar ações decisivas e sérias sobre o destino do povo (afegão)”, disse uma das manifestantes durante o protesto, segundo a AFP.
Na segunda-feira (6), as aulas nas universidades do país, que estavam em férias de inverno, foram retomadas sem a presença de mulheres, que foram banidas das salas de aula no ano passado.
“É de partir o coração ver os homens seguindo para a universidade, enquanto nós temos que ficar em casa”, relatou à AFP Rahela, uma moradora da província central de Ghor de 22 anos. “Isto é discriminação de gênero contra as mulheres porque o Islã nos permite buscar o ensino superior. Ninguém deve nos impedir de aprender”.
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