
Economista do FGV-Ibre destaca que resultado surpreende as expectativas. Componentes do índice que avaliam as expectativas futuras recuaram ao menor nível desde abril do ano passado. Setor de serviços perde fôlego após eleições e índice de confiança do setor registra segunda queda mensal seguida.
Carol Prado/g1
O Índice de Confiança de Serviços (ICS) registrou, em novembro, a segunda queda mensal consecutiva, aponta o levantamento divulgado nesta terça-feira (29) pelo do FGV IBRE. A queda foi de 5,4 pontos na comparação com outubro e de 8,0 pontos no acumulado dos dois meses, ficando em 93,7 pontos, o menor nível desde março deste ano (92,2 pontos).
Em médias móveis trimestrais, o índice também recuou, em 2,3 pontos.
“A desaceleração da atividade econômica no final do ano era esperada, mas não era clara no setor nos últimos meses principalmente pela resiliência dos serviços prestados às famílias que agora pioraram fortemente”, avaliou Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.
Tobler destacou que a queda do indicador “chama atenção por seu comportamento disseminado nos dois horizontes temporais, entre os segmentos e pela magnitude da queda”.
Tanto a situação corrente quanto as expectativas nos próximos meses recuaram e influenciaram na queda do indicador. O Índice de Situação Atual (ISACST) caiu 3,1 pontos, para 96,9 pontos, menor nível desde abril deste ano (96,0 pontos).
Este resultado foi influenciado pela deterioração de dois componentes do ISA-S: indicador de volume de demanda atual retraiu 2,9 pontos, para 96,6 pontos, e o indicador que mede a situação atual dos negócios que recuou 3,3 pontos, para 97,1 pontos.
Já o Índice de Expectativas (IE-S) caiu 7,5 pontos, para 90,7 pontos, menor nível desde abril de 2021 (88,7 pontos), influenciado pela queda de dois componentes do índice: indicador que mede a demanda prevista nos próximos três meses que caiu 6,3 pontos, para 91,5 pontos, e o indicador de tendências dos negócios nos próximos seis meses que despencou 8,6 pontos, para 90,0 pontos, o menor desde abril de 2021 (89,6 pontos).
Cenário de incertezas
Segundo o economista do FGV Ibre Rodolpho Tobler, a queda tão acentuada do índice de confiança de serviços reflete as incertezas do ambiente político do país.
“Apesar do término do período eleitoral, fatores políticos passaram a ser muito citados como limitadores a melhor dos negócios nos próximos meses, o que eleva a incerteza do cenário no curto prazo e um ambiente macroeconômico delicado em 2023”, apontou.
Dentre os cinco segmentos dos serviços, somente o de “outros” acumulou ganho de confiança nos dois últimos meses. A queda acumulada mais intensa foi do segmento de serviços profissionais (-11,5 pontos), seguido pelo de serviços prestados às famílias (-9,9 pontos), serviços de transporte (-9,8 pontos) e informação e comunicação (-4,9 pontos).
O FGV Ibre destacou, ainda, que a queda da confiança nos dois últimos meses é maior que o ganho acumulado nos nove primeiros meses do ano. Entre os segmentos, isso só não ocorreu entre os serviços de informação e comunicação, que apresenta bom desempenho desde o começo da pandemia, e e os outros serviços, cujo movimento foi inverso – a queda acumulada até setembro é maior que o ganho obtido em outubro e novembro.
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