
Jair Bolsonaro não realizou nenhuma visita ao continente durante seu mandato. Relações Brasil-África devem ser reaquecidas primeiramente no plano econômico. Durante seus dois primeiros mandatos, Lula reforçou as relações com vários países africanos. Na foto, Lula conversa com o presidente moçambicano Armando Guebuza na época, em Maputo, em 9 de novembro de 2010
AFP – BENOIT MARQUET
A eleição de Lula deve permitir uma retomada das relações com a África, quase abandonadas durante o governo de Jair Bolsonaro, ao menos esta foi uma das promessas do petista antes de ser eleito. Lula já foi felicitado por presidentes do continente africano, como Macky Sall, do Senegal, Cyril Ramaphosa, da África do Sul e Umaro Sissoco Embalo, da Guiné-Bissau.
Em uma carta publicada no jornal francês Le Monde na sexta-feira (28), três dias antes de sua vitória, Lula declarou que uma das prioridades de seu governo será “restabelecer a relação com o continente africano”, sobretudo em matéria de ecologia.
As relações Brasil-África devem ser reaquecidas primeiramente no plano econômico. Em 2019, um ano após a chegada de Bolsonaro ao poder, as relações comerciais entre os países africanos e o Brasil teve uma importante queda chegando a seu nível mais baixo.
Além disso, o atual presidente brasileiro não realizou nenhuma visita ao continente. Lula, ao contrário, abriu 30 embaixadas na África quando foi presidente, entre 2003 e 2011. Na época, o petista visitou 29 países africanos, não apenas lusófonos, mas também Argélia, Benim e Gana.
Para os próximos quatro anos, os observadores anteciparam o retorno de empresas brasileiras à África e cooperação sobre questões ambientais e sanitárias.
A resposta à crise climática é uma das promessas de campanha de Lula. Uma boa notícia para a África, um dos continentes mais duramente atingidos pelas mudanças climáticas. A iniciativa pode permitir a diversos líderes africanos estabelecer cooperação com o Brasil, de acordo com especialistas.
“Eleição à africana”
A eleição de Lula foi destaque na imprensa do continente. O jornal Aujourd’hui au Faso, de Uagadugu, afirma que foi um pleito bem “à africana” e que a campanha violenta, feita de insultos e injúrias, “não deixou nada a invejar” ao continente.
O jornal explica que o presidente derrotado foi chamado de “canibal e pedófilo” e Lula de “rei dos ladrões”. “Mas não estamos na África e sim na América do Sul”, esclarece.
“O vencedor, Lula, teve que fazer alianças com nada menos que nove partidos para conseguir vencer, incluindo com ex-adversários”, como seu vice-presidente Geraldo Alckmin.
“A corrupção no país é um fato incontestável”, afirma a publicação do Burkina Faso, “e o dinheiro circulou livremente”, com bilhões de reais previstos no orçamento para deputados com o objetivo de aprovar projetos no Congresso. “Ao menos no Brasil isso é oficializado”, ironiza.
Mas o jornal relativiza as comparações dizendo que a diferença é que existem “linha vermelhas” que nenhum candidato atravessa e a Justiça vigia atentamente o processo eleitoral.
O Aujourd’hui conclui dizendo que talvez a distância geográfica explique essas “pequenas” semelhanças: “Em avião, o Brasil não fica tão longe do Senegal”.
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