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Home»Mundo»‘As pessoas caíram como dominós’: os relatos do pânico em Halloween na Coreia do Sul
Mundo

‘As pessoas caíram como dominós’: os relatos do pânico em Halloween na Coreia do Sul

uesleiiclone8By uesleiiclone8outubro 30, 2022Nenhum comentário6 Mins Read
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‘as-pessoas-cairam-como-dominos’:-os-relatos-do-panico-em-halloween-na-coreia-do-sul
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Na noite de sábado, mais de 150 pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas durante celebração em Seul. Testemunhas descrevem cenas de pânico e caos total quando as estreitas ruas do popular distrito de Itaewon, em Seul, na Coreia do Sul, ficaram cheias com uma multidão que enfrentou dificuldades para respirar e se movimentar.
KIM HONG-JI/REUTERS
Testemunhas descrevem cenas de pânico e caos total quando as estreitas ruas do popular distrito de Itaewon, em Seul, na Coreia do Sul, ficaram cheias com uma multidão que enfrentou dificuldades para respirar e se movimentar.
“Havia dezenas de milhares de pessoas, o maior número que já vi na minha vida… a ponto de sermos esmagados no chão”, diz o jornalista independente Raphael Rashid à BBC.
O que se sabe sobre tragédia que matou 151 pessoas em festa de Halloween na Coreia do Sul
Milhares de adolescentes e jovens na faixa dos 20 e poucos anos foram fantasiados para Itaewon, distrito no coração da capital que é conhecido por sua intensa vida noturna.
Eles estavam animados por poder festejar a data, após dois anos de restrições na Coreia do Sul em razão da pandemia de covid-19.
Mas os vídeos da celebração mostram o desenrolar de uma tragédia que uma das testemunhas comparou a um filme de guerra.
Mais de 150 mortes foram confirmadas e mais de 80 pessoas ficaram feridas na noite de sábado (29/10), segundo as autoridades locais.
As imagens que se espalharam pelas redes mostram multidões tão apertadas que as pessoas mal conseguiam se mexer.
Tragédia na Coreia do Sul: imagens mostram vítimas de incidente em festa de Halloween
Alguns saíram com segurança, mas nesses registros que circulam na internet é possível ver pessoas desesperadas enquanto ajudavam paramédicos a tentarem reanimar os feridos. Além disso, havia uma longa fila de corpos em sacos na calçada.
Um beco íngreme virou uma armadilha mortal quando a multidão parecia avançar e as pessoas na frente caíram e foram pisoteadas por aqueles que estavam atrás.
‘As pessoas no meio’
Vídeos postados no Twitter mostram socorristas tirando desesperadamente as pessoas de uma multidão.
“Uma pessoa baixinha como eu não conseguia sequer respirar”, disse uma testemunha em entrevista à agência de notícias AFP.
Essa testemunha disse que só sobreviveu porque estava na beira do beco e que “as pessoas que estavam no meio sofreram mais”.
Raphael Rashid disse que “ninguém realmente entendia o que estava acontecendo” e que alguns policiais estavam “parados em cima de seus carros de patrulha tentando desesperadamente dizer às pessoas que abandonassem a área o mais rápido possível.”
O médico Lee Beom-suk disse à emissora local YTN que tentou reanimar algumas vítimas com RCP (ressuscitação cardiopulmonar), mas “o número (de vítimas) explodiu logo depois”, superando a quantidade de socorristas no local.
“Muitos transeuntes vieram nos ajudar com a RCP”, disse. Ele também contou que “os rostos de muitas vítimas estavam pálidos”. “Não conseguia medir o pulso ou a respiração e muitos deles estavam com o nariz sangrando.”
Familiares desesperados enquanto esperam notícias de seus parentes e amigos
KIM HONG-JI/REUTERS
Park Jung-hoon, 21, disse à agência de notícias Reuters que a situação estava “completamente fora de controle”.
E Moon Ju-young, também com 21 anos, observou que “havia muita gente”.
“Sei que os policiais e os socorristas estão trabalhando duro, mas diria que faltou preparação.”
Um morador de Itaewon, Lee Su-mi, 53, disse à Reuters que “aqueles jovens que foram chamados de ‘geração covid’ finalmente puderam celebrar o Halloween como seu primeiro festival”.
“Então ninguém foi capaz de prever que o festival se transformaria em um desastre.”
Mais de 150 pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas, segundo as autoridades locais
KIM HONG-JI/REUTERS
“Morreram nas mãos das minhas amigas”
Fan Wang, BBC News em Cingapura
Ana, uma espanhola de 24 anos, foi chamada para ajudar em uma das tentativas para reanimar vítimas por meio de RCP, apesar de nunca ter feito isso antes.
Ela e sua amiga alemã, Melissa, de 19 anos, estavam em um bar ao lado do local em que ocorreu a tragédia.
Quando tentavam sair, por volta das 23h, horário local, avistaram ambulâncias e policiais que corriam para pedir que as pessoas se afastassem para abrir espaço para retirar os mortos e os feridos.
“Havia tantas pessoas que precisavam de gente comum para fazer RCP. Então todos começaram a participar e ajudar. Tínhamos duas amigas que sabiam fazer RCP e elas foram ajudar”, disse Ana à BBC.
“Três minutos depois, ou talvez mais, voltaram, claramente traumatizadas e chorando porque tentaram salvar cinco ou seis pessoas, mas todos morreram nas mãos das minhas amigas”, relatou a espanhola.
Foi quando Ana saiu para ajudar duas meninas. Sem saber como fazer uma RCP, seguiu as orientações dos outros.
“Me diziam como segurar a cabeça, abrir a boca e coisas assim. Eu estava tentando ajudar, mas elas também estavam mortas. Devo dizer que a maioria das pessoas que eles trouxeram para fazer RCP já não respirava, então não podíamos fazer nada. Não podíamos fazer nada, esse foi o meu principal trauma”, disse Ana.
Flores e velas em homenagens foram colocadas na área em que ocorreu a tragédia
KIM HONG-JI/REUTERS
‘As pessoas caíram como peças de dominó’
Serviço Tailandês da BBC
Jessi Jassicah estava em um bar na esquina do beco em que ocorreu a tragédia.
Ela tinha acabado de abrir uma garrafa de champanhe quando ouviu um grito e virou para ver o que estava acontecendo fora do estabelecimento.
“As pessoas já haviam caído”, disse em um vídeo compartilhado no Facebook. “E caíram como peças de dominó.”
De acordo com ela, as pessoas começaram a lutar para ficar em pé e os seguranças tentaram evitar que aqueles que tentavam escapar da aglomeração entrassem no bar.
“Fiquei trancada por um tempo porque a segurança não me deixou sair. Estava aterrorizada quando vi pessoas cuspindo sangue e como tentavam reanimá-las”, disse.
Ela contou que quando conseguiu sair e caminhou pelo beco ao lado, se surpreendeu ao ver que “os turistas ainda dançavam, ainda tiravam fotos”.
“Foi impactante porque muita gente não tinha visto as notícias, eles ainda não sabiam o que estava acontecendo.”

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