
Segundo governo, 50 trabalhadores ainda estão presos no interior a 300 metros abaixo do nível do mar. Acidente, já considerado um dos piores do país, pode ter sido provocado por explosão de gás comum em minas subterrâneas. Pessoas acompanham trabalhos de resgate em mina em Amsra, na Turquia, onde explosão deixou dezenas de trabalhadores presos, em 14 de outubro de 2022.
Cagla Gurdogan/ Reuters
O número de mortos por conta da explosão de uma mina de carvão na Turquia subiu para 40, informou neste sábado (15) o ministro de Interior do país, Suleyman Soylu.
Equipes de resgate ainda buscam dezenas de trabalhadores presos no interior da mina, que fica em Amasra, no nordeste do país, às margens do Mar Negro. A explosão, que aconteceu no fim da tarde de sexta-feira (14), já é considerada um dos piores acidentes industriais do país.
Segundo Soylu, do total de 110 mineiros que trabalhavam na mina, 52 ficaram presos em galerias subterrâneas localizadas a 300 e 350 metros abaixo do nível do mar.
Outros 58 foram resgatados com vida ou conseguiram sair por contra própria.
Segundo o ministro da Energia, Fatih Donmez, a hipótese incial é de que a detonação foi produzida por uma acumulação de grisu, um gás comum nas minas subterrâneas, composto essencialmente por metano.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cancelou a agenda para viajar ao local do acidente neste sábado.
“Nosso desejo é que a perda de vidas não seja maior e que nossos mineiros possam sair sãos e salvos”, declarou.
Segundo o ministro da Saúde da Turquia, Fahrettin Koca, 11 pessoas foram enviadas ao hospital após serem resgatadas dos escombros .
O ministro do Interior declarou ter se deparado com “um panorama realmente triste” ao comparecer ao local da tragédia ao lado do ministro de Energia.
Imagens da televisão local mostravam centenas de pessoas, muitas delas em prantos, reunidas diante de um edifício branco danificado perto da entrada da mina.
Explosão em mina de carvão na Turquia deixa 100 trabalhadores presos.
REUTERS
O Afad, órgão público responsável pela gestão de desastres da Turquia, anunciou inicialmente que um transformador defeituoso tinha sido a causa da explosão, mas depois corrigiu essa informação e afirmou que se tratava de gás metano que explodiu por razões “desconhecidas”.
Resgate continua
“Não sei o que aconteceu. Houve uma pressão repentina e não consegui ver mais nada”, disse à agência estatal Anadolu um operário que conseguiu sair sozinho dos túneis.
Imagens difundidas pela televisão turca mostravam paramédicos dando oxigênio aos operários que conseguiram sair e depois sendo levados para hospitais próximos.
A governadora local afirmou que uma equipe de mais de 70 socorristas tinha conseguido chegar a um ponto situado a cerca de 250 metros de profundidade.
“Os esforços de resgate continuam”, disse a governadora provincial. Ainda não está claro se as equipes conseguirão se aproximar mais dos trabalhadores e o que estaria bloqueando sua passagem.
O prefeito de Amasra, Recai Cakir, assinalou que “quase metade dos trabalhadores foram retirados”, citado pela emissora turca NTV. “A maioria está a salvo, embora existam alguns seriamente feridos”, acrescentou.
Os trabalhos de resgate continuam madrugada adentro, apesar da dificuldade adicional da falta de luz.
A promotoria local disse que estava tratando o ocorrido como um acidente e que havia aberto uma investigação formal.
Os acidentes de trabalho são frequentes na Turquia, onde o forte desenvolvimento econômico da última década veio muitas vezes em detrimento das normas de segurança, especialmente na construção e na mineração.
O país sofreu seu desastre mais mortal na mineração em 2014, quando 301 trabalhadores morreram em uma explosão na cidade de Soma (oeste).
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