A construção de uma escola cada vez mais conectada às realidades, aos desafios e às potencialidades da adolescência ganhou um novo capítulo em Camaçari na tarde desta sexta-feira (24). Promovida pela Secretaria da Educação (Seduc) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a formação do Programa Escola das Adolescências reuniu diversos educadores, entre gestores, coordenadores pedagógicos e professores dos anos finais do ensino fundamental no Teatro Cidade do Saber (TCS), em um momento dedicado ao fortalecimento das práticas pedagógicas e à reflexão sobre os novos cenários da educação.
A iniciativa representa mais um avanço da rede municipal na consolidação de políticas públicas voltadas aos estudantes do 6º ao 9º ano, etapa marcada por importantes desafios relacionados à permanência, à aprendizagem e ao desenvolvimento integral. No município, o programa está presente nas 27 unidades escolares da rede desde 2025, com investimento de R$ 300 mil do Governo Federal. As ações incluem formações continuadas, rodas de conversa, oficinas, escutas ativas e práticas pedagógicas que valorizam a participação dos estudantes na construção do ambiente escolar.
O titular da Seduc, Márcio Neves, enfatizou que Camaçari avança para uma nova etapa do programa, ampliando o alcance das formações e incorporando as discussões sobre inteligência artificial ao cotidiano escolar. “O trabalho iniciado no ano passado, com foco na formação de gestores e técnicos da Seduc, agora chega aos professores, fortalecendo essa política de forma contínua. Queremos uma escola que reconheça a voz do estudante, compreenda as transformações próprias da adolescência e potencialize seu desenvolvimento intelectual e socioemocional, dialogando também com os desafios trazidos pela inteligência artificial”, afirmou o secretário.
Para a coordenadora dos Anos Finais da Seduc, Lecilda Araújo, compreender as múltiplas dimensões da adolescência é essencial para transformar a prática educativa e aproximar a escola da realidade dos estudantes. “Educar nos anos finais exige compreender quem é o adolescente de hoje e reconhecer seu protagonismo. Nosso compromisso não é proibir a tecnologia nem utilizá-la de forma indiscriminada, mas posicionar ferramentas como a inteligência artificial a serviço da cidadania, da emancipação e do pensamento crítico”, disse.
No decorrer da formação, duas palestras provocaram reflexões sobre temas centrais para a educação contemporânea. A professora da Coordenação de Ensino Fundamental da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), Gilbene Esquivel, apresentou a palestra “Clubes de Letramento: Leitura, Autoria e Protagonismo nas Adolescências”, abordando estratégias para estimular a leitura, a produção autoral e a participação ativa dos estudantes no cotidiano escolar.
Conforme a educadora, fortalecer o protagonismo juvenil passa, necessariamente, pelo reconhecimento da voz dos adolescentes. “Quando o estudante percebe que sua leitura, sua escrita e suas experiências têm valor dentro da escola, ele se reconhece como sujeito da aprendizagem e amplia suas possibilidades de participação e transformação”, assegurou Gilbene Esquível.
Na sequência, o assessor especial para Inteligência Artificial na Educação da SEC, Iuri Rubim, conduziu a palestra “Entre Telas e Algoritmos: Adolescências em Tempos de IA”, propondo uma reflexão sobre a relação entre as transformações tecnológicas, a escola e as diferentes vivências da adolescência. Para o especialista, é necessário ampliar o olhar sobre os estudantes, reconhecendo-os para além da sala de aula e aproximando a escola das mudanças vividas pela sociedade.
“A inteligência artificial faz parte da realidade desses adolescentes e a escola precisa dialogar com esse contexto. Quando entendemos o estudante em toda a sua dimensão humana e aproximamos a aprendizagem das transformações do mundo, fortalecemos o vínculo com a escola e criamos ambientes mais saudáveis e favoráveis ao aprendizado”, pontuou.
A programação também evidenciou o protagonismo estudantil desenvolvido na rede municipal. Estudantes dos clubes de ciências dos Centros Educacionais Maria Quitéria e Darcy Ribeiro, além da Escola Municipal Eustáquio Alves Santana, participaram da atividade representando projetos que vêm sendo desenvolvidos nas unidades. Atualmente, a rede conta com estudantes engajados em iniciativas científicas, produção de podcasts e diversas outras ações inovadoras que reafirmam a identidade, a criatividade e o potencial transformador dos adolescentes.
Lançado nacionalmente em junho de 2024, o Programa Escola das Adolescências integra uma estratégia do MEC voltada ao fortalecimento dos anos finais do ensino fundamental. A política busca aproximar a escola das diferentes formas de viver a adolescência no Brasil, promovendo ambientes mais acolhedores e capazes de impulsionar o acesso, a permanência, o progresso escolar e o desenvolvimento integral dos estudantes.
Entre seus principais objetivos estão promover a colaboração entre União, estados, municípios e Distrito Federal para reduzir desigualdades educacionais; dialogar com os interesses, contextos e demandas dos adolescentes; potencializar seu desenvolvimento físico, emocional, intelectual, social e cultural; além de recompor aprendizagens como estratégia para reduzir a evasão e o abandono escolar.
Estruturado nos eixos de governança, organização curricular e pedagógica e desenvolvimento profissional, o programa propõe uma mudança de paradigma ao reconhecer os adolescentes como sujeitos potentes, criativos e capazes de produzir transformações significativas nos espaços escolares e na sociedade.
Fotos: Juliano Sarraf
