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Home»Saúde»Mpox: entenda o que mudou do surto de 2022 para o atual
Saúde

Mpox: entenda o que mudou do surto de 2022 para o atual

uesleiiclone8By uesleiiclone8setembro 17, 2024Nenhum comentário6 Mins Read
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Variante mais agressiva parece ter sofrido mutação que facilita o contágio; confira perguntas e respostas sobre essa zoonose que levou a OMS a declarar emergência de saúde pública

Ao contrário do que muita gente possa imaginar, a mpox – nome atual da doença antes chamada de varíola dos macacos, que causou um surto global em 2022 – nunca deixou de circular no Brasil. Até o último dia 10 de setembro, o Ministério da Saúde registrou mais de 1 mil casos confirmados ou prováveis da infecção.

Esses números são menores do que os de dois atrás, quando o país chegou a 10 mil casos da doença durante o pico. Mas, agora, o mundo passou a olhar novamente para a mpox: no último dia 24 de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública, em razão de um novo surto da infecção.

A seguir, saiba mais sobre a doença e o que mudou de 2022 para cá:

O que causou o novo surto?
O vírus da mpox é endêmico em regiões da África Central e em países como Camarões, Nigéria e República Centro-Africana. Há duas variantes que circulam há décadas por lá, os chamados clado 1 e clado 2. O primeiro, mais comum na Bacia do Congo, está associado a infecções mais agressivas; e o tipo 2, a quadros mais leves.

Essa foi a cepa responsável pelo surto de 2022 e que ainda circula no Brasil.

Até agora, o clado 1 vinha causando surtos mais limitados, restritos a certas comunidades no continente africano.

“No entanto, desde setembro do ano passado, os cientistas vêm observando que essa variante parece ter se adaptado para a transmissão mais sustentada em grupos que não eram tão afetados, como as crianças”, explica a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Onde ele começou?
A recente alta de casos iniciou na República Democrática do Congo (RDC), provavelmente associada a um surto numa região do país chamada Kivu, que está envolvida em conflitos e enfrenta uma crise humanitária. Foi ali que amostras coletadas no final de 2023 revelaram uma nova variante do clado 1, chamada de 1b, que parece se espalhar mais efetivamente por meios além do contato sexual – um dos grandes responsáveis pelo contágio do clado 2. A nova cepa saiu da zona rural e chegou a áreas mais populosas do país.

De que forma o novo surto é diferente do de 2022?
Há dois anos, a variante clado 2 se disseminou rapidamente sobretudo entre homens que fazem sexo com outros homens. A doença chegou a mais de 100 países, incluindo o Brasil e partes da Europa e da Ásia. Com medidas de controle e vacinação, os casos caíram drasticamente.

Já o surto atual, causado pela cepa 1b, preocupa pela velocidade da transmissão, inclusive por vias que não só a sexual. Também chama atenção o alto número de crianças infectadas, embora ainda não se saiba o que explica isso.

Por que a OMS declarou emergência?
A situação se tornou alarmante devido à escalada de casos. Na República Democrática do Congo, só neste ano, foram mais de 15 mil registros e mais de 500 mortes. Em uma única semana de agosto, o país registrou 2.400 casos suspeitos e 56 mortes. Para se ter uma ideia, em 2022, considerando os mais de cem países atingidos, foram quase 100 mil casos e cerca de 200 mortes no total.

A doença também se espalhou para países vizinhos da RDC, como Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda, que não haviam reportado casos previamente, e revelou potencial para se espalhar pelo continente africano e além. “Ela está se espalhando mais rapidamente e existe o temor de que se dissemine, mas ainda não sabemos como vai se comportar”, observa Gouveia.

No fim de agosto, a OMS lançou um plano global de enfrentamento que inclui medidas de vigilância, prevenção e estratégias de resposta, além da necessidade de pesquisas e acesso a recursos como testes e vacinas, e ações para minimizar a transmissão zoonótica e trabalho junto às comunidades para incentivar a prevenção e o controle da doença.

Como a doença é transmitida?
A mpox é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida por animais — no caso, os vetores são principalmente roedores. Ela foi chamada inicialmente de varíola dos macacos após primatas apresentarem lesões parecidas às da varíola humana em um laboratório na Dinamarca, em 1958. O primeiro caso em humanos foi registrado em 1970, na República Democrática do Congo.

A doença é causada por um vírus similar ao da varíola humana, responsável por grandes epidemias no passado e que foi erradicado com a vacinação. A mpox causa lesões bolhosas na pele, formando uma crosta que depois cai.

Embora seja uma zoonose, ela também é transmitida de pessoa para pessoa. O principal meio de transmissão é através do contato direto com as lesões – daí a facilidade do contágio pela via sexual. Mas também pode ser transmitida por gotículas, ao falar ou respirar, e pelo contato com roupas de cama ou objetos de uso pessoal.

A pessoa só deixa de transmitir quando todas as lesões de pele estão completamente cicatrizadas. O problema é que o tempo de incubação (período entre o vírus entrar no organismo e os sintomas aparecerem) pode ser longo, de até 21 dias. E esse também pode ser o prazo até a cicatrização completa das feridas. Para piorar, os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como febre e vermelhidão na pele.

A doença pode ser autolimitida, ou seja, se resolver sozinha, mas também apresentar complicações como infecções secundárias, podendo ser fatal em alguns casos.

Há tratamento?
O tratamento busca o alívio dos sintomas e a prevenção de sequelas. Existe um medicamento antiviral, o tecovirimat, usado em alguns casos, mas que parece não ser tão efetivo contra o clado 1.

Quem pode se vacinar?
As doses da vacina são extremamente escassas no mundo todo devido, em parte, à dificuldade de produção do imunizante. A OMS não recomenda a vacinação em massa, centrando os esforços nos indivíduos de alto risco, como aqueles que tiveram contato próximo com infectados ou trabalhadores da saúde, para interromper a cadeia de transmissão.

Em 2023, o Brasil aplicou quase 50 mil doses em grupos vulneráveis e contatos de casos confirmados. Atualmente, o Ministério da Saúde está em diálogo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para verificar a possibilidade de novas doses, considerando a escassez global do imunizante e sua eficácia contra a variante atual.

Quais outras medidas o Ministério da Saúde está tomando?
Em nota, a pasta afirma que “a prioridade agora é reforçar a vigilância para garantir respostas rápidas e eficazes. No último dia 15 de agosto, o Ministério da Saúde instalou o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE), que se reúne diariamente para monitorar os casos no país, novos eventos e coordenar ações em relação à doença, em alinhamento com estados, municípios e a OMS.”

Fonte: CNN Brasil

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