
Desde 2022, população protesta contra presença de missão das Nações Unidas no país. Moradores desmontam um veículo pertencente à Monusco em Kanyaruchinya, território de Nyiragongo, República Democrática do Congo, 8 de fevereiro de 2023.
GUERCHOM NDEBO / AFP
Os Capacetes Azuis, soldados das Forças de Manutenção da Paz da ONU, mataram oito civis com “tiros de advertência” em Kanyaruchinya, leste da República Democrática do Congo, na terça-feira (7). O ataque ocorreu quando um comboio das Nações Unidas retornava para a região, que abriga milhares de deslocados.
“Os soldados da Monusco [Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo] encarregados da segurança efetuaram disparos de advertência, que infelizmente causaram a morte de oito de nossos compatriotas deslocados e 28 feridos”, indicou Guillaume Ndjike, porta-voz do tenente-general Constant Ndima, governador da província.
O grupo da ONU retornava de uma missão de reabastecimento na cidade de Goma quando manifestantes locais queimaram quatro caminhões e bloquearam a estrada. A Monusco registrou três mortes.
As manifestações contra a Monusco aumentam desde 2023. A população local reprova a atuação das forças de paz por não terem conseguido neutralizar dezenas de grupos armados presentes no leste da República Democrática do Congo há 30 anos, especialmente os rebeldes do grupo M23.
Considerada uma das missões mais caras da ONU no mundo, a Monusco está presente na República Democrática do Congo desde 1999 e conta com cerca de 16.000 soldados.
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