
As três estavam a caminho de Istambul, na Turquia, de onde partem os voos para o Brasil, quando um terremoto de magnitude 7,8 as surpreendeu. Ghazal Baranbo, síria que vive em SP, com as filhas na Síria antes do terremoto
Arquivo pessoal
Quando a síria que vive com a família em São Paulo, Ghazal Baranbo, de 40 anos, embarcou com as duas filhas para seu país de origem, ela não imaginava que as três iam encarar um terremoto na volta para casa.
As três passaram 40 dias na Síria, que está em guerra há 11 anos, para visitar o pai de Ghazal e avô de Yara Altinawi, 17 anos, e Sara Altinawi, 9 anos.
O patriarca está muito doente, mas o drama da família ficou ainda maior. Elas estavam a caminho de Istambul, na Turquia, de onde partem os voos para o Brasil, quando um terremoto de magnitude 7,8 as surpreendeu. Até agora, foram mais de 7 mil mortos nos dois países do Oriente Médio.
Na Síria, são comuns os tremores de terra, porém bem mais fracos, com magnitude por volta de 3.
Número de mortos em terremoto na Turquia e na Síria chega a 7,8 mil
“Eu nunca senti tanto medo”, conta Yara. “No primeiro tremor, estava dormindo. Mal deitei na cama, começou o terremoto, não sabíamos o que fazer, minha mãe começou a chorar.”
Elas conseguiram embarcar de volta para encontrar o marido e o irmão mais velho, que ficaram em São Paulo, nesta terça-feira (7), após passarem mais de 20 horas no aeroporto turco e encararem a neve e temperatura negativa.
“Até agora não falei para minha filha mais nova o que aconteceu. Ela pergunta, mas eu não respondo. Ela só me viu chorando”, conta a mãe, enquanto a pequena abraça o pai e o irmão, já no terminal internacional de Guarulhos.
“A primeira coisa é: graças a Deus, voltamos, depois de três dias muito difíceis. Foram vários tremores, tive muito medo de morrer lá sozinha com as minhas duas filhas”, diz Ghazal, preocupada em falar de novo com a família que ficou na Síria –ela estava há 15 horas no avião sem ter notícia deles.
Em São Paulo, o marido e pai das duas meninas, Talal Altinawi, de 50 anos, e o irmão delas, Riad Altinawi, de 20 anos, tentavam notícias das duas sem sucesso, em meio às manchetes sobre a devastação e os milhares de mortos.
“Caiu a energia, a internet, tudo lá. Ficamos muito preocupados. Já estava difícil de elas chegarem no aeroporto por causa da neve, que tinha mais de um metro. Aí veio o terremoto”, relembra Talal.
Para o irmão, Riad, a palavra que resume os últimos dias é angústia. “A gente via vídeos de prédios caindo, pessoas gritando e passava pela cabeça que estava acontecendo isso com elas. Será que elas vão aparecer em um vídeo? Passou pela cabeça a sensação de: ‘Elas podem nunca mais voltar'”, lembra.
A angústia durou 1h30 até saberem que as três estavam vivas. “Quando conseguimos, choramos muito, Ghazal estava muito nervosa”, conta Talal.
Agora saber que elas chegaram, segue Riad, “que estão aqui, dá um alívio”, comemora o irmão o reencontro da família, em meio, enfim, ao abraço.
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