
“Isso não é contra a lei”, explicou porta-voz russo. Desde que Putin anunciou a convocação de reservistas, voos para deixar o país se esgotaram e protestos foram feitos. Manifestantes são presos na Rússia em protestos contra discurso de Putin
Alguns russos detidos enquanto protestavam contra a convocação do presidente da Rússia, Vladimir Putin, receberam documentos para se alistarem ao exército enquanto estavam sob custódia, disse o grupo de direitos OVD-Info nesta quinta-feira (22).
Desde que Putin anunciou na quarta-feira (21) a primeira mobilização de reservistas em larga escala na Rússia desde a Segunda Guerra Mundial, os voos para deixar o país se esgotaram e protestos foram feitos – e rapidamente interrompidos pela polícia – em cidades em toda a Rússia.
O grupo de monitoramento OVD-Info, uma organização não-governamental que visa reportar situações de perseguição política na Rússia, disse que pelo menos 1.310 manifestantes foram detidos e alguns foram intimados para se alistarem.
Um manifestante em Moscou foi informado de que enfrentaria uma sentença de 10 anos de prisão por se recusar a receber uma ordem de alistamento.
De acordo com a lei russa, a polícia tem o poder de deter pessoas que se acredita estarem fugindo da mobilização. A lei prevê longas penas de prisão e multas pesadas para aqueles que recusam a convocação sem motivos legais que o impeçam.
“Foram recebidas informações de 15 departamentos de polícia de que os homens detidos receberam uma intimação do escritório de registro e alistamento militar”, disse a OVD-Info em um comunicado.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, recusou-se a negar os relatos de que alguns manifestantes receberam ordem de alistamento, dizendo apenas: “Isso não é contra a lei”.
Jornalistas também foram ordenados a se alistar. O canal de TV russo Dozhd disse que Artem Kriger, um jornalista do site de notícias SOTA, recebeu uma intimação depois de ser preso enquanto cobria protestos anti-mobilização em Moscou.
Alguns homens russos tentam sair do país após a ordem de mobilização de Putin. Isso causou tráfego de veículos nas fronteiras com a Finlândia e a Geórgia e aumento nos preços das passagens aéreas saindo de Moscou.
Policiais russos detêm homens durante um protesto contra a mobilização de reservistas pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, em 21 de setembro de 2022
Reuters
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