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Home»Mundo»Manobras com Belarus geram temor de nova ofensiva russa na Ucrânia
Mundo

Manobras com Belarus geram temor de nova ofensiva russa na Ucrânia

uesleiiclone8By uesleiiclone8janeiro 17, 2023Nenhum comentário5 Mins Read
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Exercícios militares conjuntos indicariam que Moscou esteja preparando novo front para uma grande ofensiva terrestre na Ucrânia. Especialistas consideram possível uma segunda onda de mobilização de tropas. Bandeiras de Belarus e da Rússia em Minsk, Belarus 08/06/2019
REUTERS/Vasily Fedosenko
Rússia e Belarus iniciaram nesta segunda-feira (16/01) exercícios conjuntos de suas forças aéreas, provocando temores em Kiev e no Ocidente de que Moscou possa usar seu aliado para lançar uma nova ofensiva terrestre na Ucrânia. As manobras envolveram todas as bases aéreas de Belarus e deverão se estender até 1º de fevereiro, informou o Ministério da Defesa belarusso.
Segundo o órgão, o principal objetivo do exercício tático conjunto é “reforçar a compatibilidade operacional” entre as tropas de diferentes unidades militares. Embora Minsk insista que os exercícios são de natureza defensiva e que não pretende entrar no conflito, o temor agora é que a Rússia esteja planejando abrir uma nova frente no norte da Ucrânia, como fez no início da guerra, em 24 de fevereiro.
Especialistas militares ocidentais vêm há tempos alertando sobre o risco de um ataque de Belarus à Ucrânia. No entanto, a probabilidade de uma nova ofensiva a partir de Minsk não era considerada muito grande, devido à baixa concentração de tropas.
Nova mobilização à vista?
Em recente pronunciamento em vídeo, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, alertou sobre os planos de Moscou de mobilizar mais tropas para uma suposta nova grande ofensiva. Pouco antes do Ano Novo, o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksiy Reznikov, também já havia se dirigido aos russos, advertindo-os de que o Kremlin se preparava para uma nova mobilização, com planos de impor a lei marcial na Rússia e fechar as fronteiras do país aos homens.
Oficialmente, a mobilização parcial na Rússia iniciada em 21 de setembro de 2022 ainda não terminou. Isso só acontecerá quando o presidente Vladimir Putin assinar um decreto para tal.
“Não se trata de uma mobilização parcial”
“De fato, não há nenhum decreto para acabar com a mobilização”, diz Sergey Krivenko, chefe do grupo russo de direitos humanos Cidadãos, Exército, Direito.
“A primeira onda foi em outubro e não se trata de uma mobilização parcial. Recebemos relatos de habitantes em várias regiões que ainda estão sendo convocados. Talvez o Ministério da Defesa ainda esteja buscando determinados especialistas. De qualquer forma, a mobilização ainda não foi encerrada”, afirmou Krivenko.
A organização de Krivenko foi incluída na lista dos assim chamados “agentes estrangeiros” pelas autoridades russas.
Krivenko recorda um decreto de Putin de agosto de 2022, que tratava de um incremento das Forças Armadas russas para mais de 1,15 milhão de militares. “Na época, diversos especialistas apontavam para um total de cerca de 800 mil militares na Rússia — entre recrutas, soldados profissionais, oficiais e combatentes. E com a mobilização no outono [terceiro trimestre de 2022], um acréscimo de 300 mil estava em andamento.”
Em dezembro, contudo, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, anunciou que aumentaria as Forças Armadas para 1,5 milhão, diz Krivenko, o que representaria um aumento adicional de até 400 mil homens.
“Isso é uma preparação para a mobilização. Acredito que devemos esperar a segunda onda no fim de janeiro ou fevereiro”, disse ele.
Metade dos recrutados foi imediatamente enviada para o front; a outra metade para centros de treinamento.
“Eles foram preparados por vários meses. Quando começar essa ofensiva prometida por Putin e o ministro da Defesa, esses soldados serão enviados imediatamente para o combate. Em breve, serão necessários reforços. Uma nova onda de mobilização precisa então ser iniciada agora para que os recrutas possam ser preparados de novo por alguns meses”, explica o ativista russo de direitos humanos.
“Todas as opções em aberto”
Uma declaração semelhante foi dada à DW no início de dezembro pelo especialista militar Jan Matveyev, de Moscou: “Em primeiro lugar, não há sinais claros de que o Estado [russo] tenha desistido de dar continuidade à mobilização. Ele mantém todas as opções em aberto. E, em segundo lugar, há uma razão prática: soldados russos estão morrendo em grande quantidade ou sendo feridos na linha de frente. Isso se aplica especialmente aos mobilizados, pois são mal preparados. Eles terão, portanto, que ser substituídos.”
Ministro da Defesa russo, Sergey Shoigu, presidente Putin e seu chefe de gabinete, Gerasimov, durante exercício militar
SPUTNIK via REUTERS
Segundo o especialista, a terceira razão para se esperar uma nova onda de mobilização é que Putin não tem intenção de acabar com a guerra.
“Se nada o impedir, ele vai continuar. Para isso, é necessária uma reserva para o futuro. Uma guerra total como essa requer um fluxo constante de recursos e pessoas”, afirmou.
“Pelo menos mais meio milhão de soldados”
“Haverá uma segunda, talvez até uma terceira onda de mobilização, porque seremos forçados a isso”, disse no fim de dezembro o ex-“ministro da Defesa” da assim chamada “República Popular de Donetsk”, Igor Girkin, também conhecido como Strelkov.
“Para vencermos na Ucrânia, ainda precisamos mobilizar pelo menos meio milhão de soldados. E mesmo sem intenção de vencer, teremos que realizar uma mobilização parcial”, disse.
Um vídeo com as declarações de Girkin foi postado no canal do cientista político russo Stanislav Belkowski no Telegram. Ele acredita que haverá outra mobilização em janeiro ou 24 de fevereiro, aniversário da “operação militar especial”.
As autoridades russas, porém, negam tais planos. “Não vejo necessidade de ordenar outra etapa de mobilização nos próximos seis meses”, disse Andrei Gurulev, membro do comitê de defesa da Duma russa, em entrevista ao portal Chita.ru.
“Não há requisitos nem condições para isso. Mesmo entre os convocados anteriormente, nem todos foram enviados para a batalha. A nossa própria indústria também precisa estar em condições de garantir outra onda de mobilização. Na minha opinião, fazer isso nos próximos seis meses é simplesmente contraproducente”, afirmou Gurulev.

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