
Pushpa Kamal Dahal liderou uma insurgência de uma década contra a monarquia hindu do Nepal. Ele ainda atende pelo nome de guerrilha: Prachanda, que pode ser traduzido para “feroz” ou “terrível”.
Pushpa Kamal Dahal, o Prachanda, é nomeado primeiro-ministro do Nepal. Foto de fevereiro de 2021
Reuters
Pushpa Kamal Dahal, ex-guerrilheiro maoísta que liderou uma insurgência de uma década contra a monarquia hindu do Nepal, foi nomeado, neste domingo (25), primeiro-ministro pela terceira vez.
Dahal, que ainda atende por seu nome de guerra Prachanda —que significa “terrível” ou “feroz”— governará a primeira metade do mandato de cinco anos com o apoio da oposição Comunista Unificada Marxista-Leninista (UML) e alguns outros grupos menores, segundo funcionários do partido.
“Ele foi nomeado e recebe o apoio de uma grande maioria do parlamento”, disse Tika Dhakal, assessor do presidente Bidhya Devi Bhandari, à Reuters.
Prachanda, que substitui Sher Bahadur Deuba, do partido do Congresso nepalês, deixará o cargo em 2025, abrindo caminho para a UML assumir, segundo a imprensa local.
“Este é o entendimento. O trabalho restante de distribuição de outros cargos e ministérios importantes ainda precisa ser resolvido”, disse Dev Gurung, secretário-geral do partido Centro Maoísta de Prachanda, à Reuters após uma reunião da nova coalizão.
O Nepal passou por 10 mudanças de governo desde 2008, quando a monarquia de 239 anos foi abolida.
A nova coalizão chega ao poder horas depois de Prachanda, 68, ter deixado a aliança governista liderada por Deuba, do partido do Congresso nepalês. Deuba recusou-se a apoiar Prachanda para o cargo de primeiro-ministro.
Deuba e Prachanda fizeram campanha nas eleições de novembro prometendo manter a antiga aliança intacta por vários anos.
O partido do Centro Maoísta de Prachanda conquistou 32 assentos na Câmara dos Representantes de 275 membros. A UML tem 78 assentos, e o restante, necessário para a maioria de 138, será controlado por grupos menores.
O partido do Congresso nepalês será a principal oposição controlando 89 assentos.
Analistas disseram que é improvável que Prachanda forneça estabilidade ao país devido a muitos parceiros de coalizão. Ele também enfrenta sérios desafios econômicos.
A inflação é superior a 8%, a maior em seis anos. O Nepal, que fica entre a China e a Índia, também enfrenta reservas cambiais cada vez menores, com uma crescente dependência de importações de produtos básicos.
“É improvável que a economia cresça, já que a instabilidade política vai assustar investimentos e negócios”, disse o ex-presidente do banco central Deependra Bahadur Kshetri à Reuters.
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