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Home»Mundo»Três décadas de crises: relembre presidentes do Peru desde 1990 que foram derrubados ou presos
Mundo

Três décadas de crises: relembre presidentes do Peru desde 1990 que foram derrubados ou presos

uesleiiclone8By uesleiiclone8dezembro 8, 2022Nenhum comentário7 Mins Read
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tres-decadas-de-crises:-relembre-presidentes-do-peru-desde-1990-que-foram-derrubados-ou-presos
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De 1990 para cá, o país teve 11 presidentes (considerando Dina Boluarte, que assumiu a presidência do país após a saída de Castillo). Desses, oito foram presos ou estão envolvidos em investigações sobre esquemas de corrupção, e três sofreram impeachment. O impeachment e prisão do presidente peruano Pedro Castillo nesta quarta-feira (7) é o mais recente capítulo de uma crise política que se estende há anos no país. O líder peruano foi destituído do cargo pelo Congresso do Peru após ter anunciado um governo de exceção e tentado dissolver o Parlamento do país.
Este, no entanto, não foi o primeiro presidente a sofrer impeachment na história do Peru – e a corrupção é a principal explicação para o quadro conturbado que a política peruana vive nos últimos tempos. De 1990 para cá, o país teve 11 presidentes (considerando Dina Boluarte, que assumiu a presidência do país após a saída de Castillo). Desses, oito foram presos ou estão envolvidos em investigações sobre esquemas de corrupção, e três sofreram impeachment.
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Pedro Castillo: julho de 2021 a dezembro de 2022
Pedro Castillo durante pronunciamento à população em 6 de dezembro de 2022
Jhonel RODRIGUEZ / Peruvian Presidency / AFP
Eleito em julho de 2021, Castillo ocupou a presidência até esta dezembro de , quando sofreu impeachment por parte do Congresso, após decretar um governo de exceção, tentar dissolver o parlamento e declarar estado de emergência.
Desde a posse, Castillo enfrentou acusações de corrupção e foi obrigado a substituir seus ministros em diversas ocasiões. O impeachment foi a terceira tentativa do Congresso de destituí-lo do cargo – a primeira aconteceu em dezembro de 2021 e a segunda, em março deste ano.
Em seu lugar, assumiu a então vice-presidente do país, Dina Boluarte .
Dina Boluarte recebe a faixa do presidente da Congresso, em 7 de dezembro de 2022
Cris Bouroncle/ AFP
Francisco Sagasti: de novembro de 2020 a julho de 2021
Sagasti assumiu a presidência do Peru até que fosse feita uma nova eleição, que terminou com a vitória de Castillo. Ele foi um dos poucos ex-presidentes que não foram denunciados por envolvimento em esquemas de corrupção e investigação.
Francisco Sagasti, em entrevista à agência de notícias Reuters em Lima no dia 19 de novembro de 2020
Sebastian Castaneda/Reuters
Manuel Merino : de10 de novembro de 2020 a 15 de novembro de 2020
Presidente interino Manuel Merino reununciou ao cargo depois de uma semana no poder
Reprodução/Agência Andina
A presidência de Merino durou cinco dias. Ele enfrentou uma onda de protestos que pediam a sua saída por causa de duas mortes que ocorreram em atos públicos contra seu governo.
Ele era um deputado que liderou os procedimentos de impeachment contra seu antecessor. Depois dos protestos, os deputados que ficaram no Congresso afirmaram que iriam abrir um processo de impeachment contra ele. Daí Merino renunciou.
Assim como seus antecessores, Merino também estava envolvido em escândalos e foi investigado por tráfico de influência, por supostamente ter facilitado contratos entre sua família e o governo.
Martín Vizcarra : de março de 2018 a novembro de 2020
Os deputados derrubaram Vizcarra depois da publicação de reportagens que diziam que ele recebeu US$ 640 mil (R$ 3,3 milhões) em subornos de duas empresas que prestavam serviços para o Estado quando ele foi governador em 2014, anos antes de assumir como presidente. Um procurador chegou a enviar um pedido de prisão preventiva para Vizcarra, alegando risco de fuga, mas a solicitação foi considerada infundada pela Justiça peruana.
Martin Vizcarra durante julgamento de impeachment no Congresso, em foto de 2020
Andres Valle/Peruvian Presidency/AFP
Vizcarra negou veementemente as acusações, mas ele não tinha boa relação com o Congresso e foi derrubado —os deputados decidiram que ele tinha “incapacidade moral” para ser presidente.
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Pedro Pablo Kuczynski (PPK) : de julho de 2016 a março de 2018
Kuczynski, conhecido como PPK, foi presidente do Peru foi eleito em 2016. Ele renunciou em março de 2018, um dia antes de o Congresso discutir seu impeachment. Vídeos divulgados pelo Partido “Fuerza Popular” que mostravam uma suposta compra de votos de seus aliados em troca de obras.
O ex-presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski
Reuters/Guadalupe Pardo
PPK foi acusado de ter favorecido a empreiteira brasileira Odebrecht. Inicialmente, ele negou que tivesse qualquer relação com a empresa brasileira, mas depois ele reconheceu que, antes de ser presidente, sua empresa de consultoria prestou serviços à Odebrecht em financiamento de projetos.
Ollanta Humala : de julho de 2011 a julho de 2016
Presidente do Peru de 2011 a 2016, Humala conseguiu terminar seu mandato. Ele também foi acusado de favorecer a Odebrecht. Ele foi preso em julho de 2017, após um juiz decretar 18 meses de prisão preventiva para Humala e sua mulher por lavagem de dinheiro relacionada a doações irregulares de campanha da Odebrecht.
Presidente peruano Ollanta Humala em 2016
Karel Navarro/AP
Em abril de 2018, no entanto, o tribunal Constitucional do Peru revogou a prisão preventiva do casal, ordenando que esperassem o julgamento, que teve início apenas no começo deste ano.
Alan García: de julho de 2006 a julho de 2011
Alan García foi presidente do Peru duas vezes, de 1985 a 1990 e, depois, de 2006 a 2011. Ele terminou os dois mandatos.
Ex-presidente peruano Alan García, em foto de março de 2019
Guadalupe Pardo/Reuters
Após seu mandato, ele foi acusado de receber propina da Odebrecht e foi investigado por acusações de corrupção.
Em 2019, ao saber que seria preso preventivamente por seu envolvimento na Lava Jato, no entanto, se suicidou. Ele era investigado por financiamento irregular de campanha, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
Alejandro Toledo: de julho de 2001 a julho de 2006
Presidente do Peru de 2001 a 2006, Toledo também terminou seu mandato, mas acabou preso em 2019 nos EUA, país que morava desde que saiu da presidência. Investigado pelos supostos crimes de lavagem de dinheiro, conspiração e tráfico de influência, Toledo é um dos ex-presidentes peruanos envolvidos na Lava Jato – ele teria recebido uma milionária da brasileira Odebrecht.
Alejandro Toledo em imagem de 2017
Karel Navarro/AP
Após ser detido em 2019 na Califórnia, Toledo passou oito meses na prisão. Ele foi liberado do regime fechado para prisão domiciliar em março de 2020 e ainda enfrenta pedidos de extradição para o Peru.
Valentín Paniagua: de novembro de 2000 a julho de 2001
Paniagua assumiu após a ditadura de Fujimori. Ele foi um dos únicos presidentes do país nos últimos anos a não estar envolvido em escândalos de corrupção e investigação nos últimos 20 anos. Ele ficou no governo entre novembro de 2000 e julho de 2001, quando uma aconteceu uma nova eleição presidencial no país, que elegeu Alejandro Toledo.
Alberto Fujimori: de julho de 1990 a novembro de 2000
Fujimori foi eleito presidente em 1990 e conseguiu prorrogar seu tempo no poder com um golpe de Estado em 1992.
O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, participa como testemunha de julgamento em base naval em Callao, no dia 15 de março
Reuters/Mariana Bazo
Ele também foi um dos líderes do país a sofrer impeachment. Ele tentou deixar o cargo após estourar no país um escândalo que envolvia seu assessor e chefe do serviço secreto peruano, Wladimiro Montesinos, mas sua renúncia foi recusada pelo Congresso do país. Vale pontuar que Fujimori, que havia fugido para o Japão em meio às denúncias, enviou sua renúncia por fax, de Tóquio.
Foi aberto um processo para investigar o caso, que resultou no impeachment de Fujimori – que aconteceu um dia após sua tentativa de renúncia. Ele foi destituído do cargo pelo Congresso, que alegou atos de corrupção e “incapacidade moral permanente”.
Em 2009, foi condenado por violação dos direitos humanos e sentenciado a 25 anos de prisão.

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