
Cerca de 250 casos serão avaliados individualmente por uma comissão especializada e, em seguida, o presidente Gustavo Petro fará um pedido de suspensão da prisão. Vigília montada em Cali em homenagem a mortos em protestos na Colômbia
Luis Robayo/AFP
Os jovens presos nos protestos de 2021 contra o governo do então presidente da Colômbia, Iván Duque, poderão responder em liberdade em troca de serviços comunitários, anunciou a atual administração nesta segunda-feira (5).
Cerca de 250 casos serão avaliados individualmente por uma comissão especializada e, em seguida, o presidente Gustavo Petro fará “um pedido de suspensão da prisão”, afirmou o ministro do Interior, Alfonso Prada.
“Não é anistia, não é indulto, não é perdão judicial. Os que se beneficiarem desta medida ficam vinculados judicialmente aos expedientes e vão enfrentar o destino que os juízes determinarem em sentença judicial”, disse o ministro.
A lei será regulamentada durante a semana, segundo o governo. Petro já afirmou que centenas de jovens serão declarados gestores de paz antes do Natal.
VÍDEO: Mais um dia de protestos marca conflitos na Colômbia
Sem explicar as tarefas que os beneficiários da medida terão que cumprir, o ministro da Justiça, Néstor Osuna, garantiu que deverão trabalhar pela reconciliação e convivência dos colombianos, sob vigilância “do cumprimento destes compromissos”.
A medida responde a uma promessa de campanha de Petro, que apoiou abertamente o movimento de contestação ao então presidente de direita Iván Duque (2018-2022), quando milhares de jovens e representantes de setores vulneráveis foram às ruas em 2019, 2020 e 2021.
Os protestos mais violentos ocorreram no ano passado em repúdio ao aumento dos impostos proposto pelo governo para amenizar os efeitos da pandemia na economia, e que acabou arquivado por pressão popular.
Segundo a ONU, 46 pessoas, entre civis e policiais, morreram nos distúrbios.
De acordo com dados até 28 de novembro, 155 pessoas estão detidas por ocorrências relacionadas aos protestos e apenas nove já foram condenadas.
Os crimes pelos quais são investigadas são homicídio, tortura, terrorismo, dano ao patrimônio e furto, entre outros.
O governo ainda não decidiu se a medida também beneficiará os já condenados ou membros das forças públicas também envolvidos em crimes.
Oposição reclama
A oposição é contrária à iniciativa.
“Terroristas como esses são perdoados com a desculpa de torná-los gestores de paz. A Colômbia tem memória e sabe o que significava o terrorismo urbano”, afirmou a senadora Maria Fernanda Cabal, do Centro Democrático.
Organizações internacionais denunciaram o uso excessivo da força na repressão aos protestos por parte da polícia.
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