
Tema proposto é o mesmo para os candidatos que fazem o Enem Digital. Quase 3,4 milhões de pessoas se inscreveram para realizar as provas. Movimentação de candidatos do Enem em Ribeirão Preto
Érico Andrade/g1
Professores de cursinho ouvidos pelo g1 neste domingo (13) consideraram “relevante” e “a cara do Enem” o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022, que foi “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”, e dão dicas de como abordar o assunto.
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A prova de redação do Enem exige a produção de uma dissertação, em que o candidato precisa defender um ponto de vista.
Para Roberta Panza, professora e autora do Colégio e Sistema pH, o tema desta edição do Enem é “bem importante para o contexto” brasileiro. Segundo ela, o tema “dialoga muito com o eixo também de meio ambiente, porque fala da valorização das comunidades e dos povos tradicionais”. Ela pondera ainda que o assunto é bem relevante e universal e faz refletir sobre cultura e sociedade.
“Estamos falando de minorias sociais históricas, que são grupos que sofrem e sofreram opressão. São grupos importantíssimos para o país. Pensar os desafios desses grupos dentro do nosso país é uma questão super importante”, diz.
Na avaliação de Daniela Toffoli, coordenadora de Linguagens do Curso Anglo, esse tema “é a cara do Enem. “É um problema de ordem social que, portanto, vai levar o aluno a pensar em uma proposta de intervenção que valorize os direitos humanos e, em especial, os direitos humanos das comunidades e dos povos tradicionais do Brasil”, reflete.
Falta de representatividade política
A professora do Anglo pondera que, para dar encaminhamentos mais específicos quanto à argumentação, é preciso saber o perfil da coletânea para entender se o recorte é mais cultural ou diz respeito à questão da violência contra estes povos. No entanto, ela destaca que, o fato de o tema já dizer que existem desafios para que se valorize estas comunidades e povos tradicionais faz com que seja possível pensar em alguns pontos afins deste tema.
“Por exemplo, o passado histórico escravocrata em que os indígenas foram escravizados e essa mentalidade de que são povos inferiores, de que não foram inseridos na sociedade de forma adequada ainda predominam nos dias de hoje. Então, existe um certo preconceito”, ressalta.
Daniela cita ainda a falta de representatividade política desses grupos. “Tivemos campanhas, agora neste ano de eleição, muito fortes para que se aumentasse a representatividade política destes povos. A gente pode pensar na mentalidade de preconceitos que existem ainda em relação a estas comunidades, à cultura destes povos, e também, claro, não dá para ignorar o agronegócio que, a partir do momento em que se sobrepõe à preservação destes povos, faz com que sejam desvalorizados”, opina.
Estrutura da dissertação
Na avaliação da professora da Stoodi Letícia Flores, esse tema de redação traz para o aluno a oportunidade de refletir a respeito da sua identidade brasileira.
De acordo com ela, a partir do tema proposto o candidato tem que estruturar a dissertação da seguinte forma:
pensar qual é essa situação-problema para apresentar na sua introdução;
pensar em um ponto de vista para defender em relação a essa frase temática;
mostrar quais são os desafios no desenvolvimento do seu texto, trazendo os dados para argumentar em relação ao seu ponto de vista apresentado na introdução e já apontando caminhos para enfrentar esse problema na sua proposta de intervenção na conclusão com agente claro, com meios e os efeitos que a sociedade colhe beneficamente, com essa ação clara que vai colocar na redação para enfrentar esse problema.
“Lembrando que o resgate à tradição populares dos povos originários brasileiros também é uma oportunidade do aluno relembrar sua história, reforçar sua identidade brasileira, de fato, e conseguir pensar e agir como cidadão no mundo de hoje”, pondera Letícia Flores.
Fabiula Neubern, coordenadora de Redação do Poliedro Curso, nota que a proposta retoma um formato que não aparecia desde 2017 quando o tema foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.
“O problema é o desafio de valorizar. É importante que o aluno, então, pense sobre causas da dificuldade desta valorização destes povos tradicionais e comunidades tão importantes para a cultura do país. E é possível, também, que ele pense em consequências da desvalorização ou da dificuldade de valorizar estas comunidades e povos”, diz.
Manifestações culturais ancestrais
Maria Aparecida Custódio, professora do Laboratório de Redação do Objetivo, destaca que o tema fala de povos indígenas, mas também de outras comunidades que dificilmente são lembradas. “Como os ciganos, os extrativistas, os pescadores, os quilombolas, e tantas outras comunidades que têm um papel importantíssimo de proteção do território e da terra”, diz.
A observação da professora de redação da Plataforma AZ de Aprendizagem, Marina Rocha, vai na mesma linha. Ela ressalta que a proposta inclui povos cujas manifestações culturais brasileiras ancestrais não se organizam de acordo com a lógica urbana e possuem uma característica central que é a dependência dos recursos naturais para manter a sua cultura.
“São grupos que não querem apagar essas diferenças, que trazem uma marca tradicional de determinadas regiões ou de determinada origem e, portanto, eles precisam de certas políticas públicas para sobreviver”, diz.
Wellington Borges Costa, coordenador de redação do Curso Etapa, lembra que o tema aborda aspectos sociais, culturais e ambientais.
“Estamos falando de comunidades, de organizações sociais diferenciadas. Minorias que se organizam, sobretudo, pelo aspecto cultural. São culturas e comunidades que definem identidades, com religiosidades e ancestralidades diferenciadas. E o aspecto ambiental, principalmente, porque o denominador comum entre essas comunidades tradicionais é, justamente, a parceria com a natureza”, avalia.
Na visão de Tatiana Nunes, professora do Colégio Mopi, o tema é amplo pois abraça a geografia, a história, as linguagens, integrando as demais áreas do conhecimento cobradas na prova.
“É extremamente necessário falar dessas comunidades tradicionais brasileiras, pois falar sobre elas é falar sobre traços culturais e identitários, que caracterizam o país, no caso, o Brasil”, completa.
Para Juliana Adolpho, professora de redação das Escolas SEB, o tema proposto reforça o perfil multidisciplinar do Enem. “A partir da frase tema, fica nítida a importância de o aluno abordar as dificuldades pelas quais passam povos tradicionais, como povos indígenas, quilombolas e afins, no sentido de traçar paralelos com a história, com a literatura e geografia, o que mostra mais uma vez a necessidade de conhecimento multidisciplinar para a produção da redação”, pondera.
Para Mateus Leme, professor de redação da Oficina do Estudante, a proposta seguiu a tendência histórica da prova de abordar grupos sociais brasileiros. “A presença dessa temática merece destaque porque, historicamente, o Enem evita assuntos polêmicos e debates polarizados, mas não se priva de dar visibilidade a grupos e minorias por meio da prova de redação, como já ocorreu em outros anos”, avalia.
Para Luciano Segura, professor do Curso Intergraus, a proposta é muito atual e trata de um problema pertinente à realidade dos estudantes, além de ser impactante para toda a sociedade.
O professor Ademar Celedônio, da SAS Plataforma de Educação, concorda e reforça a importância dos textos motivadores para entender a real proposta do tema.
Além da redação, os candidatos fazem neste domingo as provas de linguagens e ciências humanas neste primeiro dia de Enem. Antes da prova, a ansiedade gerou diversos memes nas redes sociais.
Confira o tema da redação do Enem em outros anos
Enem 2021 – “Invisibilidade e Registro Civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”
Enem 2020 – “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, na versão impressa; e “O desafio de diminuir a desigualdade entre regiões no Brasil”, na digital
Enem 2019 – “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”
Enem 2018 – “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”
Enem 2017 – “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”
Enem 2016 – “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”
Enem 2015 – “A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira”
Enem 2014 – “Publicidade infantil em questão no Brasil”
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