{"id":79784,"date":"2026-10-31T21:38:00","date_gmt":"2026-10-31T21:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=79784"},"modified":"2026-10-31T21:38:01","modified_gmt":"2026-10-31T21:38:01","slug":"estudo-mostra-necessidade-de-proteger-soja-para-evitar-perdas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2026\/10\/31\/estudo-mostra-necessidade-de-proteger-soja-para-evitar-perdas\/","title":{"rendered":"Estudo mostra necessidade de proteger soja para evitar perdas"},"content":{"rendered":"\n<p>Foto:  CNA\/Wenderson Araujo\/Trilux<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estudo da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), em parceria com a Croplife Brasil, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane empresas de biotecnologia, melhoramento gen\u00e9tico e defensivos agr\u00edcolas, mostrou que as lavouras de soja no pa\u00eds teriam perdas de at\u00e9 55% na produtividade, caso n\u00e3o fossem protegidas contra pragas, doen\u00e7as e ervas daninhas.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1707430&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1707430&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa, uma redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o poderia causar impactos negativos na economia brasileira e nos pre\u00e7os de produtos ao consumidor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o uso de defensivos qu\u00edmicos&nbsp;\u00e9 um m\u00e9todo de prote\u00e7\u00e3o controverso, uma vez que algumas subst\u00e2ncias usadas para o manejo fitossanit\u00e1rio s\u00e3o nocivas ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana, segundo levantamento publicado por&nbsp;elo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<\/p>\n\n\n\n<p>A soja, segundo o Ipea, responde, junto com o milho e a cana-de-a\u00e7\u00facar, por 76% do consumo de agrot\u00f3xicos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Doen\u00e7as nas lavouras<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo feito pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa&nbsp;trabalhou com simula\u00e7\u00f5es envolvendo quatro doen\u00e7as (entre elas a ferrugem-asi\u00e1tica e a mancha-alvo), cinco pragas (como a mosca-branca) e nove plantas daninhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores analisaram tr\u00eas cen\u00e1rios, lavouras sem qualquer controle, com controle parcial (que garantiria at\u00e9 40% de prote\u00e7\u00e3o da planta\u00e7\u00e3o) e com controle \u00f3timo (80% de prote\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>A universidade&nbsp;estimou que, com controle \u00f3timo, a produtividade por hectare pode chegar a 72 sacas.&nbsp;O controle parcial garantiria uma produtividade de 52 sacas, ou seja, 28% a menos que o controle \u00f3timo. Sem qualquer controle, seria de apenas 32 sacas, o que significa uma perda de 55%.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com isso, de acordo com o estudo, para compensar as perdas com a falta de controle fitossanit\u00e1rio, seria necess\u00e1rio plantar uma \u00e1rea adicional de 33,5 milh\u00f5es de hectares, ou seja, quase do tamanho do estado de Goi\u00e1s. A perda m\u00e9dia, em cen\u00e1rio sem manejo (na compara\u00e7\u00e3o), chegaria a 121,3 milh\u00f5es de toneladas, com um valor estimado de R$ 223,5 bilh\u00f5es.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o cen\u00e1rio de controle \u00f3timo, a receita brasileira simulada com exporta\u00e7\u00f5es de soja chega a US$ 44,2 bilh\u00f5es. Sem controle, recua para US$ 26,6 bilh\u00f5es, uma diferen\u00e7a potencial de US$ 17,6 bilh\u00f5es por safra, segundo o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A redu\u00e7\u00e3o da oferta poderia gerar uma alta estimada no pre\u00e7o da soja de at\u00e9 49%.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Haveria, com isso, um aumento de cerca de 0,26 ponto percentual na infla\u00e7\u00e3o oficial, medida pelo IPCA, uma vez que a alta da soja teria impactos nos pre\u00e7os de produtos como \u00f3leo, leite e ovos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Essa redu\u00e7\u00e3o da produtividade da soja, l\u00e1 no produtor, acaba tendo um impacto significativo no pre\u00e7o da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final, por exemplo, de \u00f3leo de soja e do farelo, que \u00e9 um subproduto da soja.&nbsp;Consequentemente, ia ter uma mudan\u00e7a no pre\u00e7o da carnes, carnes de porco, de frango, porque tudo isso est\u00e1 na cadeia de produ\u00e7\u00e3o da soja&#8221;, destaca a pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O estudo considera quatro m\u00e9todos de controle fitossanit\u00e1rio, que podem ser usados para evitar perdas nas lavouras: a biotecnologia (como os organismos geneticamente modificados), o melhoramento gen\u00e9tico, os bioinsumos e os defensivos qu\u00edmicos, al\u00e9m do manejo integrado, que mistura dois ou mais desses m\u00e9todos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Defensivos<\/h2>\n\n\n\n<p>Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) mostrou que, de 2003 a 2023, o uso dos defensivos qu\u00edmicos, popularmente chamados de agrot\u00f3xicos, cresceu 4,4 vezes no pa\u00eds, passando de um consumo anual de 180 mil toneladas para 800 mil toneladas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com isso, o Brasil se tornou o pa\u00eds com maior uso de agrot\u00f3xicos por hectare plantado, 10,9 quilos por hectare (kg\/ha), quatro vezes mais que os Estados Unios (2,85 kg\/ha) e cinco vezes mais que a China (1,9 kg\/ha).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Os defensivos qu\u00edmicos podem apresentar riscos \u00e0 sa\u00fade humana, incluindo efeitos agudos e cr\u00f4nicos, dependendo da toxicidade das subst\u00e2ncias e dos n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o. No ambiente, podem contaminar solos e recursos h\u00eddricos e afetar organismos n\u00e3o alvo, como polinizadores e organismos aqu\u00e1ticos, com consequ\u00eancias para a biodiversidade&#8221;, alerta o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) Robson Barizon.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Barizon alerta que organismos geneticamente modificados podem tanto servir como estrat\u00e9gia para reduzir o uso de agrot\u00f3xicos como para um incremento deles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isso porque algumas plantas geneticamente modificadas s\u00e3o imunes a doen\u00e7as e a predadores, dispensando, portanto, o uso de defensivos para proteg\u00ea-las nesses aspectos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, algumas plantas OGM s\u00e3o tamb\u00e9m imunes ao efeito de agrot\u00f3xicos. Com isso, produtores podem elevar a dose dessas subst\u00e2ncias para ter mais efetividade na elimina\u00e7\u00e3o de ervas daninhas, que crescem no meio da lavoura.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;No caso dos OGM, aprovados para comercializa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existem evid\u00eancias cient\u00edficas robustas de riscos adicionais \u00e0 sa\u00fade humana associados ao seu consumo. Os poss\u00edveis impactos ambientais est\u00e3o relacionados principalmente \u00e0s caracter\u00edsticas da modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e \u00e0s pr\u00e1ticas agr\u00edcolas associadas, como o uso intensivo de herbicidas em culturas tolerantes, que pode favorecer a sele\u00e7\u00e3o de plantas daninhas resistentes&#8221;, explica Barizon.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>O coordenador de Sustentabilidade da Croplife, Pedro Duarte, afirma que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o do setor com a seguran\u00e7a dos qu\u00edmicos usados na prote\u00e7\u00e3o das lavouras.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para que um produto seja aprovado no Brasil, um defensivo qu\u00edmico passa por muitos estudos. H\u00e1 um investimento muito grande do setor para poder garantir que aquele produto aprovado tenha a seguran\u00e7a, quando aplicado dentro das recomenda\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma Duarte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De 2005 a 2019, 3.151 novos agrot\u00f3xicos foram registrados para uso no Brasil, com apenas 20% desse total sendo considerado de baixa toxicidade, de acordo com a pesquisa do Ipea.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois da promulga\u00e7\u00e3o da nova Lei dos Agrot\u00f3xicos (Lei 14.875\/2023), segundo o Ipea, o ritmo de novos registros de defensivos qu\u00edmicos aumentou. Em 2024, foram 663 libera\u00e7\u00f5es de novos produtos, acima dos 555 registrados em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade divulgados pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Rep\u00f3rter Brasil, mostram que de 2015 a 2025, foram registrados 73.391 casos de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xico no pa\u00eds, sendo&nbsp;9.729 apenas no ano passado.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: CNA\/Wenderson Araujo\/Trilux Estudo da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), em parceria com a Croplife Brasil, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane empresas de biotecnologia, melhoramento gen\u00e9tico e defensivos agr\u00edcolas, mostrou que as lavouras de soja no pa\u00eds teriam perdas de at\u00e9 55% na produtividade, caso n\u00e3o fossem protegidas contra pragas, doen\u00e7as e ervas daninhas. 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