{"id":79572,"date":"2026-10-23T10:15:57","date_gmt":"2026-10-23T10:15:57","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=79572"},"modified":"2026-10-23T10:15:58","modified_gmt":"2026-10-23T10:15:58","slug":"divida-externa-cresce-mais-que-reservas-e-brasil-volta-a-ser-devedor-internacional-apos-19-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2026\/10\/23\/divida-externa-cresce-mais-que-reservas-e-brasil-volta-a-ser-devedor-internacional-apos-19-anos\/","title":{"rendered":"D\u00edvida externa cresce mais que reservas e Brasil volta a ser devedor internacional ap\u00f3s 19 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Foto: Jo\u00e9dson Alves<\/p>\n\n\n\n<p>Com o crescimento da d\u00edvida externa em ritmo superior ao das reservas internacionais, o Brasil perdeu a posi\u00e7\u00e3o mantida por 19 anos de credor internacional. Dados do Banco Central (BC) indicam que as reservas, de US$ 402 bilh\u00f5es (incluindo cr\u00e9ditos brasileiros no exterior), j\u00e1 n\u00e3o cobrem todo o endividamento do Pa\u00eds com o resto do mundo. Somando setor p\u00fablico, bancos e empresas, a d\u00edvida externa alcan\u00e7ou US$ 407,1 bilh\u00f5es, maior n\u00edvel em 40 anos de estat\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>ConsultarAtlas<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a d\u00edvida externa l\u00edquida, negativa de 2007 a 2025 \u2014 ou seja, deixando o Brasil em posi\u00e7\u00e3o de credor \u2014, voltou ao terreno positivo: US$ 5,1 bilh\u00f5es, segundo o balan\u00e7o mais recente, de junho. O quadro n\u00e3o preocupa, por ora, economistas e ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco, mas \u00e9 acompanhado com aten\u00e7\u00e3o pelo potencial de virar vulnerabilidade caso o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes siga elevado e haja sa\u00eddas relevantes de d\u00f3lares. Um epis\u00f3dio desse tipo ocorreu no fim de 2024, quando o estresse do mercado com a pol\u00edtica fiscal obrigou o BC a fazer a maior interven\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do regime de c\u00e2mbio flutuante.<\/p>\n\n\n\n<p>Analistas consultados pelo Estad\u00e3o\/Broadcast consideram improv\u00e1vel a d\u00edvida externa l\u00edquida voltar a ultrapassar a marca de US$ 70 bilh\u00f5es, como acontecia duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, mas veem como plaus\u00edvel uma aproxima\u00e7\u00e3o da marca de US$ 30 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com exporta\u00e7\u00f5es ampliando a entrada de d\u00f3lares e com a desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica limitando sa\u00eddas via importa\u00e7\u00f5es e remessas de lucros, o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes ficou estruturalmente mais alto nos \u00faltimos anos. Pesam, entre outros fatores, o aumento de gastos com servi\u00e7os como streaming, investimentos em criptoativos e o pagamento de d\u00edvidas a credores internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, US$ 67,4 bilh\u00f5es deixaram o Pa\u00eds por transa\u00e7\u00f5es correntes, considerando os saldos de com\u00e9rcio de bens e servi\u00e7os e as transfer\u00eancias de renda ao exterior. O valor \u00e9 mais que o dobro do d\u00e9ficit de 2023, de US$ 27 bilh\u00f5es. A entrada de investimento estrangeiro direto ainda tem financiado esse d\u00e9ficit sem consumo de reservas e sem alta proporcional do endividamento, mas com folga menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2025, o investimento direto superou o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes em US$ 17,6 bilh\u00f5es, bem abaixo do registrado dois anos antes, quando a diferen\u00e7a passava de US$ 38 bilh\u00f5es. Em 2024, essa folga foi ainda menor, inferior a US$ 9 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O economista-chefe da Monte Bravo, Felipe Tavares, avalia que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 exposto a uma crise cl\u00e1ssica de balan\u00e7o de pagamentos, mas perdeu margem de manobra para absorver choques mais persistentes. \u201cAcabou o argumento ret\u00f3rico e t\u00e9cnico de \u2018pa\u00eds credor l\u00edquido\u2019, usado h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas junto a ag\u00eancias de rating e investidores estrangeiros\u201d, afirma. \u201cA perda dessa almofada l\u00edquida reduz a margem de manobra para absorver choques prolongados sem repasse cambial ou press\u00e3o sobre os pr\u00eamios de risco soberano\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>ConsultarAtlas<\/p>\n\n\n\n<p>Impulsionada por investidores que buscaram diversifica\u00e7\u00e3o fora dos Estados Unidos, a d\u00edvida externa subiu 27,4% no atual governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, acima do aumento de 15,8% das reservas, cuja evolu\u00e7\u00e3o foi contida por interven\u00e7\u00f5es do BC e pela valoriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, o descompasso refor\u00e7a a avalia\u00e7\u00e3o de que o Brasil deveria aproveitar janelas de forte entrada de investimento direto e maior estabilidade cambial para recompor reservas. \u201cComprar na calma \u00e9 mais barato.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como a d\u00edvida externa l\u00edquida representa menos de 0,3% do PIB e as reservas cobrem mais de tr\u00eas vezes os vencimentos de curto prazo, as m\u00e9tricas externas ainda apontam um Pa\u00eds relativamente protegido do risco de fuga de capitais. Essa avalia\u00e7\u00e3o pode mudar se a desacelera\u00e7\u00e3o do investimento direto, por fatores como incertezas fiscais ou regulat\u00f3rias, abrir uma lacuna no financiamento externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Jo\u00e9dson Alves Com o crescimento da d\u00edvida externa em ritmo superior ao das reservas internacionais, o Brasil perdeu a posi\u00e7\u00e3o mantida por 19 anos de credor internacional. 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