{"id":78737,"date":"2026-09-09T12:31:23","date_gmt":"2026-09-09T12:31:23","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=78737"},"modified":"2026-09-09T12:31:24","modified_gmt":"2026-09-09T12:31:24","slug":"comissao-da-verdade-indigena-sera-tema-de-audiencia-na-camara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2026\/09\/09\/comissao-da-verdade-indigena-sera-tema-de-audiencia-na-camara\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade Ind\u00edgena ser\u00e1 tema de audi\u00eancia na C\u00e2mara"},"content":{"rendered":"\n<p>Foto:  Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Demanda de mais de uma d\u00e9cada dos povos origin\u00e1rios, a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o&nbsp;Nacional Ind\u00edgena da Verdade (CNIV) ser\u00e1 pauta no Congresso Nacional, por iniciativa da ex-ministra e deputada federal S\u00f4nia Guajajara (PSOL-SP). A parlamentar organizou uma audi\u00eancia p\u00fablica para 17 de novembro&nbsp;na C\u00e2mara dos Deputados, com o objetivo de avan\u00e7ar na proposta.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1701895&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1701895&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A audi\u00eancia foi aprovada por meio&nbsp;do <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2638801\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Requerimento n\u00ba 86\/2026<\/a>&nbsp;na Comiss\u00e3o da Amaz\u00f4nia e dos Povos Origin\u00e1rios e Tradicionais. O documento destaca a <a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/2025\/09\/30\/forum-de-justica-de-transicao-indigena-divulga-carta-e-marca-cerimonia-para-entrega-de-minuta-da-comissao-nacional-indigena-da-verdade-cniv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil<\/a> (Apib)&nbsp;como uma das entidades que v\u00eam reiterando a necessidade de se captar, com a forma\u00e7\u00e3o da CNIV, mais elementos que comprovem a\u00e7\u00f5es de&nbsp;despotismo durante a ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao criar a CNIV, o objetivo \u00e9 responsabilizar o Estado pelas viol\u00eancias que cometeu, que assumiram a forma de escraviza\u00e7\u00e3o, estupros, envenenamentos, torturas, remo\u00e7\u00f5es dos ind\u00edgenas de seus territ\u00f3rios, entre outras. Houve&nbsp;ainda&nbsp;pessoas desaparecidas e presas ilegalmente e com bens culturais destru\u00eddos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Devem comparecer \u00e0 audi\u00eancia, al\u00e9m de lideran\u00e7as ind\u00edgenas, representantes do poder p\u00fablico, do sistema de Justi\u00e7a, da sociedade civil e&nbsp;pesquisadores. Eles devem apresentar&nbsp;contribui\u00e7\u00f5es, ampliando a documenta\u00e7\u00e3o feita pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), que \u00e9 reconhecida pelo movimento ind\u00edgena mas insuficiente, por conter descri\u00e7\u00f5es dos impactos na vida de dez povos apenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As popula\u00e7\u00f5es dos Tapayuna, Parakan\u00e3, Arawet\u00e9, Arara, Panar\u00e1, Waimiri-atroari, Cinta-larga, Xet\u00e1, Yanomami e Xavante equivaliam, somadas, a 3,3% dos povos identificados na \u00e9poca. O levantamento permitiu que se chegasse a uma estimativa de&nbsp;8.350 ind\u00edgenas assassinados entre 1964 e 1985. A <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-03\/brasil-conta-com-119-povos-em-isolamento-diz-novo-livro-do-cimi\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">contagem oficial<\/a> do Brasil relaciona 305 povos, n\u00famero que aumenta com os classificados como em isolamento e \u00e9 provavelmente inferior \u00e0 quantidade real.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Eliminados&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos n\u00e3o ind\u00edgenas mais incans\u00e1veis nessa luta, o jornalista Marcelo Zelic, que morreu em maio de 2023&nbsp;em decorr\u00eancia de um AVC, era integrante do Grupo de Trabalho (GT) Ind\u00edgena da CNV e questionou o relat\u00f3rio conclu\u00eddo&nbsp;em 2014. A primeira vers\u00e3o&nbsp;tinha somente 35 p\u00e1ginas, quase o total de unidades federativas do Brasil. Era como se em uma p\u00e1gina pudessem ser&nbsp;resumidos todos os crimes ocorridos&nbsp;em 21 anos de ditadura, caso dedicassem uma p\u00e1gina por estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ap\u00f3s protestos do GT e a&nbsp;manifesta\u00e7\u00e3o de&nbsp;descontentamento de Zelic com a qualidade do relat\u00f3rio, na 29\u00aa Reuni\u00e3o Brasileira de Antropologia (RBA), o material foi substitu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao questionar as autoridades sobre as vers\u00f5es do documento, Marcelo Zelic apresentou o texto &#8220;Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e Povos Ind\u00edgenas: a um passo da omiss\u00e3o&#8221; para expressar sua indigna\u00e7\u00e3o com a s\u00edntese, que considerou curta demais. Ele afirma que o Estado facilitou a pr\u00e1tica das&nbsp;viol\u00eancias e que isso fica evidente quando se descobre que muitas eram perpetradas por funcion\u00e1rios do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o aos \u00cdndios (SPI), ativo de 1910 a 1967, e que foi sucedido pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Os povos ind\u00edgenas foram um dos grupos sociais mais violados em seus direitos no per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o da CNV (1946-1988), crimes b\u00e1rbaros foram praticados em todas as&nbsp;d\u00e9cadas em quest\u00e3o, por a\u00e7\u00e3o, coniv\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o e omiss\u00e3o do Estado brasileiro, diz no texto. Ele citou o <a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/temas\/5-ditadura-militar-e-populacoes-indigenas\/5-1-ministerio-do-interior-relatorio-figueiredo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat\u00f3rio&nbsp;Figueiredo<\/a>&nbsp;e fundou e coordenou o projeto <a href=\"https:\/\/armazemmemoria.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Armaz\u00e9m Mem\u00f3ria<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No texto, Zelic sugere que&nbsp;a comiss\u00e3o deveria contar com uma coordena\u00e7\u00e3o-geral e uma equipe t\u00e9cnica para auxiliar nos trabalhos e por um colegiado de comissionados, composto por \u00f3rg\u00e3os do Estado, representa\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas e entidades da sociedade civil de car\u00e1ter indigenista e de direitos humanos, respons\u00e1veis pela estrutura\u00e7\u00e3o da Rede de Comiss\u00f5es da Verdade Ind\u00edgena (Rede CVI). Assim, casos conclu\u00eddos pela Rede CVI seriam enviados&nbsp;ao colegiado&nbsp;para a abertura de processos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma condi\u00e7\u00e3o para&nbsp;sustentar esse&nbsp;fluxo seria estimular os povos origin\u00e1rios a criarem comiss\u00f5es para si e em universidades que possam colaborar com levantamentos. Outra finalidade diz respeito \u00e0 mensura\u00e7\u00e3o de impactos territoriais, sociais, culturais e espirituais na vida das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00e3o podemos construir uma democracia verdadeira sem reconhecer as viol\u00eancias cometidas contra os povos ind\u00edgenas. Precisamos garantir o direito \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 verdade, identificar responsabilidades e construir pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o integral para que essas viola\u00e7\u00f5es nunca mais se repitam\u201d, afirma&nbsp;S\u00f4nia Guajajara.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil Demanda de mais de uma d\u00e9cada dos povos origin\u00e1rios, a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o&nbsp;Nacional Ind\u00edgena da Verdade (CNIV) ser\u00e1 pauta no Congresso Nacional, por iniciativa da ex-ministra e deputada federal S\u00f4nia Guajajara (PSOL-SP). 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