{"id":73644,"date":"2026-02-22T21:45:21","date_gmt":"2026-02-22T21:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=73644"},"modified":"2026-02-22T21:45:23","modified_gmt":"2026-02-22T21:45:23","slug":"smartwatch-falha-em-60-dos-casos-de-pressao-alta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2026\/02\/22\/smartwatch-falha-em-60-dos-casos-de-pressao-alta\/","title":{"rendered":"Smartwatch falha em 60% dos casos de press\u00e3o alta"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Foto: Freepik<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A possibilidade de receber no pulso um alerta sobre press\u00e3o alta pode parecer um avan\u00e7o definitivo na preven\u00e7\u00e3o cardiovascular. Mas um novo estudo indica que a tecnologia ainda est\u00e1 longe de substituir o aparelho tradicional de bra\u00e7o \u2014e&nbsp;pode deixar escapar mais da metade dos casos de hipertens\u00e3o n\u00e3o diagnosticados.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise, publicada no&nbsp;<em>Journal of the American Medical Association (JAMA)<\/em>, avaliou o impacto populacional da nova fun\u00e7\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o de hipertens\u00e3o do Apple Watch, liberada em setembro de 2025 pela ag\u00eancia reguladora dos Estados Unidos (FDA). O recurso utiliza sensores \u00f3pticos para estimar padr\u00f5es de fluxo sangu\u00edneo e emitir alertas quando os dados sugerem press\u00e3o elevada.&nbsp;<strong>Ele n\u00e3o faz diagn\u00f3stico \u2014apenas sinaliza risco<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores estimaram que o dispositivo teria sensibilidade de cerca de 41% \u2014ou seja, detectaria pouco mais de&nbsp;<strong>4 em cada 10 pessoas que realmente t\u00eam hipertens\u00e3o n\u00e3o diagnosticada.<\/strong>&nbsp;Em contrapartida, a especificidade foi estimada em 92%, indicando que a maioria dos alertas positivos tende a corresponder a casos reais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pode ajudar, mas n\u00e3o pode ser m\u00e9todo isolado<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o cirurgi\u00e3o cardiovascular Ricardo Katayose, da BP \u2013 A Benefic\u00eancia Portuguesa de S\u00e3o Paulo, os dados mostram que&nbsp;<strong>a tecnologia \u00e9 promissora, mas insuficiente como estrat\u00e9gia \u00fanica de rastreamento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO estudo mostra que o dispositivo pode ajudar a detectar quase metade dos pacientes que n\u00e3o sabem que s\u00e3o hipertensos. Por\u00e9m, a alta porcentagem de pacientes que n\u00e3o foram detectados torna a metodologia insuficiente para detectar hipertens\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o problema central est\u00e1 nos falsos negativos \u2014estimados em 59%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel. Metade das pessoas hipertensas perderiam a oportunidade de realizar controle adequado. Considero inapropriado utilizar como m\u00e9todo isolado de triagem\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O risco da falsa seguran\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>hipertens\u00e3o \u00e9 conhecida como \u201cdoen\u00e7a silenciosa\u201d<\/strong>&nbsp;porque, na maioria das vezes, n\u00e3o provoca sintomas at\u00e9 causar complica\u00e7\u00f5es graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insufici\u00eancia renal.<\/p>\n\n\n\n<p>No estudo, os pesquisadores mostraram que o significado do alerta \u2014ou da aus\u00eancia dele\u2014 varia conforme a idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre jovens com menos de 30 anos, receber um alerta eleva a probabilidade de hipertens\u00e3o de 14% para 47%. J\u00e1 entre pessoas com 60 anos ou mais, o alerta aumenta o risco estimado de 45% para 81%. Por\u00e9m, mesmo sem notifica\u00e7\u00e3o, o risco nos idosos ainda permanece elevado, em 34%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Katayose,&nbsp;<strong>esse dado exige cautela.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm idosos, a sensibilidade cai para cerca de 34%, o que pode gerar a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 tudo bem. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 manter as medidas pelos m\u00e9todos tradicionais, com aparelho de manguito, e nunca suspender medica\u00e7\u00e3o com base apenas no smartwatch\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O cardiologista intervencionista Valerio Fuks, membro da Sociedade Brasileira de Hemodin\u00e2mica e Cardiologia Intervencionista e diretor geral do Hospital Municipal do Cora\u00e7\u00e3o S\u00e3o Jos\u00e9, em Duque de Caxias (RJ), refor\u00e7a que<strong>&nbsp;a hipertens\u00e3o no idoso tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs pacientes mais idosos frequentemente t\u00eam hipertens\u00e3o sist\u00f3lica isolada, por enrijecimento das art\u00e9rias. Pode haver avalia\u00e7\u00e3o falsa pelo smartwatch. O paciente idoso deve ter acompanhamento mais rigoroso e n\u00e3o ficar dependente apenas dessa tecnologia\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E entre os jovens?<\/h2>\n\n\n\n<p>Se por um lado o rel\u00f3gio deixa escapar muitos casos, por outro pode revelar situa\u00e7\u00f5es que passariam despercebidas, especialmente em adultos jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a hipertens\u00e3o seja mais comum com o envelhecimento, ela tamb\u00e9m pode surgir antes dos 40 anos, inclusive por causas secund\u00e1rias, como dist\u00farbios hormonais, doen\u00e7as renais ou uso de determinados medicamentos. Nessa faixa et\u00e1ria,&nbsp;<strong>um alerta no smartwatch n\u00e3o fecha diagn\u00f3stico<\/strong>, mas funciona como um sinal de que algo precisa ser investigado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque a hipertens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 definida por um pico isolado, e sim por m\u00e9dias repetidas ao longo do dia. Diante de uma notifica\u00e7\u00e3o, a conduta adequada \u00e9 confirmar os valores com m\u00e9todos validados \u2014como a Monitoriza\u00e7\u00e3o Ambulatorial da Press\u00e3o Arterial (MAPA), exame em que o paciente permanece 24 horas com o manguito aferindo automaticamente, ou com monitoriza\u00e7\u00e3o residencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ressaltam que&nbsp;<strong>jovens tamb\u00e9m podem ter hipertens\u00e3o secund\u00e1ria e que um alerta pode ser a porta de entrada para um diagn\u00f3stico precoce<\/strong>. Nesse contexto, um eventual aumento na procura por consultas n\u00e3o \u00e9 necessariamente negativo: pode significar mais gente sendo avaliada antes de desenvolver complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pode reduzir desigualdades?<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m identificou diferen\u00e7as importantes entre grupos raciais, refletindo desigualdades j\u00e1 conhecidas na sa\u00fade cardiovascular.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, a incorpora\u00e7\u00e3o de wearables ao rastreamento pode ter dois efeitos opostos:&nbsp;<strong>ampliar o acesso ao diagn\u00f3stico ou refor\u00e7ar desigualdades<\/strong>, dependendo de quem consegue adquirir o dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardiologistas avaliam que, se houver redu\u00e7\u00e3o de custo e amplia\u00e7\u00e3o de acesso ao longo do tempo \u2014como ocorreu com smartphones\u2014,&nbsp;a tecnologia tende a contribuir para maior detec\u00e7\u00e3o de casos.&nbsp;Em pa\u00edses continentais como o Brasil, onde h\u00e1 regi\u00f5es com acesso limitado a servi\u00e7os m\u00e9dicos, qualquer ferramenta que estimule a busca por avalia\u00e7\u00e3o formal pode ter impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o alcance depende de pol\u00edticas p\u00fablicas e de acesso real \u00e0 tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que fazer ao receber um alerta?<\/h2>\n\n\n\n<p>O consenso \u00e9 que o alerta deve ser levado a s\u00e9rio, mas n\u00e3o interpretado como diagn\u00f3stico definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 iniciar investiga\u00e7\u00e3o com medi\u00e7\u00e3o adequada no consult\u00f3rio, repetir aferi\u00e7\u00f5es em casa com aparelho validado e, se necess\u00e1rio, solicitar exames complementares, como MAPA. Dependendo do perfil do paciente, podem ser indicados exames laboratoriais e avalia\u00e7\u00e3o de causas secund\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a aus\u00eancia de alerta n\u00e3o deve ser interpretada como sinal de que est\u00e1 tudo bem \u2014especialmente em idosos ou pessoas com fatores de risco.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diretrizes podem mudar?<\/h2>\n\n\n\n<p>Atualmente, as recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas exigem confirma\u00e7\u00e3o com aparelhos de manguito validados. A tecnologia vest\u00edvel ainda n\u00e3o est\u00e1 incorporada \u00e0s diretrizes como m\u00e9todo diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tend\u00eancia, por\u00e9m, \u00e9 de evolu\u00e7\u00e3o.<\/strong>&nbsp;Com aperfei\u00e7oamento dos sensores e novos estudos de valida\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel que esse tipo de ferramenta venha a ser contemplado no futuro como estrat\u00e9gia complementar de rastreamento.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 l\u00e1, o smartwatch pode funcionar como aliado, desde que n\u00e3o substitua o b\u00e1sico: medir a press\u00e3o corretamente e procurar avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Freepik A possibilidade de receber no pulso um alerta sobre press\u00e3o alta pode parecer um avan\u00e7o definitivo na preven\u00e7\u00e3o cardiovascular. Mas um novo estudo indica que a tecnologia ainda est\u00e1 longe de substituir o aparelho tradicional de bra\u00e7o \u2014e&nbsp;pode deixar escapar mais da metade dos casos de hipertens\u00e3o n\u00e3o diagnosticados. A an\u00e1lise, publicada no&nbsp;Journal<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":73645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[119],"tags":[],"class_list":{"0":"post-73644","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73644"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73646,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73644\/revisions\/73646"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}