{"id":71311,"date":"2025-12-20T17:00:18","date_gmt":"2025-12-20T17:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=71311"},"modified":"2025-12-20T17:00:19","modified_gmt":"2025-12-20T17:00:19","slug":"quase-metade-da-populacao-deve-comecar-o-ano-novo-endividada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2025\/12\/20\/quase-metade-da-populacao-deve-comecar-o-ano-novo-endividada\/","title":{"rendered":"Quase metade da popula\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar o Ano Novo endividada"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Foto: Jo\u00e9dson Alves\/Ag\u00eancia Brasil<\/h4>\n\n\n\n<p>Por Hieros Vasconelos<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil se despede de mais um ano com um retrato preocupante da vida financeira da popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o 80,6 milh\u00f5es de pessoas inadimplentes, a maior marca hist\u00f3rica do pa\u00eds pelo 11\u00ba m\u00eas consecutivo, segundo levantamento mais recente da Serasa. Ao todo, o pa\u00eds acumula 321 milh\u00f5es de d\u00edvidas negativadas, que somam aproximadamente R$ 511 bilh\u00f5es em d\u00e9bitos. Por tr\u00e1s desses n\u00fameros est\u00e3o hist\u00f3rias de perda de renda, cr\u00e9dito caro, desemprego, informalidade e dificuldade de reorganizar o or\u00e7amento em um cen\u00e1rio ainda marcado por juros elevados e custo de vida pressionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Bahia, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais sens\u00edvel. O estado chega ao fim do ano com cerca de 5 milh\u00f5es de pessoas com o nome negativado, o que representa 43,97% da popula\u00e7\u00e3o adulta. Na pr\u00e1tica, isso significa que quase metade dos baianos deve virar o calend\u00e1rio para o Ano Novo convivendo com d\u00edvidas em aberto, restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e dificuldades para reorganizar a vida financeira logo nos primeiros meses do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00fameros absolutos, a Bahia aparece entre os estados com maior volume de pessoas inadimplentes do pa\u00eds, ficando atr\u00e1s apenas de unidades mais populosas, como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Nordeste, lidera o ranking em quantidade de consumidores com o nome negativado. Quando o recorte \u00e9 proporcional, o estado n\u00e3o ocupa o topo nacional, mas ainda assim apresenta um \u00edndice elevado, acima da m\u00e9dia brasileira, o que evidencia a dimens\u00e3o do problema e o impacto direto sobre a economia local.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da Serasa apontam que o setor banc\u00e1rio segue como o principal respons\u00e1vel pelas d\u00edvidas em atraso. Cart\u00f5es de cr\u00e9dito, empr\u00e9stimos pessoais e cheque especial concentram a maior parte dos d\u00e9bitos, impulsionados pelos juros elevados e pelo uso recorrente do cr\u00e9dito como complemento de renda. Em seguida aparecem contas b\u00e1sicas, como \u00e1gua, luz e g\u00e1s, al\u00e9m de telefonia e internet. O com\u00e9rcio tamb\u00e9m figura entre os principais credores, especialmente em compras parceladas de eletrodom\u00e9sticos, m\u00f3veis e itens de consumo cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor m\u00e9dio das d\u00edvidas dos consumidores baianos gira em torno de R$ 4 mil por pessoa, mas muitos acumulam mais de um d\u00e9bito, o que torna o processo de negocia\u00e7\u00e3o ainda mais complexo. Em grande parte dos casos, a inadimpl\u00eancia n\u00e3o surge de um \u00fanico gasto elevado, mas da soma de pequenas despesas feitas ao longo do tempo, que acabam se tornando impag\u00e1veis diante de imprevistos, perda de renda ou aumento das despesas fixas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Serasa, o avan\u00e7o da inadimpl\u00eancia est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 dificuldade das fam\u00edlias em equilibrar o or\u00e7amento mensal. Muitos consumidores recorrem ao cr\u00e9dito para pagar despesas essenciais, como alimenta\u00e7\u00e3o e contas dom\u00e9sticas, criando um ciclo de endividamento dif\u00edcil de romper. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que os devedores busquem negocia\u00e7\u00e3o o quanto antes, priorizando d\u00edvidas com juros mais altos, como cart\u00e3o de cr\u00e9dito e cheque especial, e aproveitem programas de renegocia\u00e7\u00e3o e feir\u00f5es que oferecem descontos expressivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para um educador financeiro ouvido pela reportagem, o in\u00edcio do ano costuma ser um per\u00edodo cr\u00edtico para quem j\u00e1 est\u00e1 endividado. Al\u00e9m das d\u00edvidas acumuladas, janeiro traz<\/p>\n\n\n\n<p>despesas t\u00edpicas, como impostos, material escolar e reajustes de servi\u00e7os. Segundo ele, o primeiro passo para quem deseja come\u00e7ar o ano com o nome limpo, ou ao menos em processo de recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 ter clareza sobre a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o financeira. Isso envolve listar todas as d\u00edvidas, identificar valores, taxas de juros e prazos, e entender o que \u00e9 prioridade no or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista destaca que negociar \u00e9 sempre melhor do que ignorar a d\u00edvida. Muitas empresas e institui\u00e7\u00f5es financeiras oferecem condi\u00e7\u00f5es mais vantajosas para pagamento \u00e0 vista ou parcelamentos mais longos, com juros reduzidos. Outra recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 evitar assumir novos compromissos financeiros enquanto as d\u00edvidas antigas n\u00e3o estiverem sob controle, mesmo quando o cr\u00e9dito volta a ser oferecido ap\u00f3s uma renegocia\u00e7\u00e3o inicial. Para ele, criar uma reserva m\u00ednima para emerg\u00eancias \u00e9 fundamental para evitar o retorno \u00e0 inadimpl\u00eancia poucos meses depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os baianos endividados, o sentimento \u00e9 de apreens\u00e3o, mas tamb\u00e9m de tentativa de recome\u00e7o. Moradora de Salvador, uma trabalhadora do setor de servi\u00e7os relata que passou a usar o cart\u00e3o de cr\u00e9dito para cobrir despesas b\u00e1sicas ap\u00f3s uma redu\u00e7\u00e3o na renda. Quando percebeu, j\u00e1 n\u00e3o conseguia pagar o valor total da fatura e teve o nome negativado. Hoje, busca negociar as d\u00edvidas para recuperar o acesso ao cr\u00e9dito e iniciar o novo ano com mais tranquilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Feira de Santana, um vendedor aut\u00f4nomo conta que a inadimpl\u00eancia veio ap\u00f3s um per\u00edodo de doen\u00e7a e queda nas vendas. Segundo ele, o maior desafio \u00e9 lidar com os juros, que fazem a d\u00edvida crescer mesmo sem novos gastos. A expectativa \u00e9 conseguir um acordo que permita parcelar os d\u00e9bitos sem comprometer totalmente a renda mensal.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas alertam que o endividamento em massa vai al\u00e9m de um problema individual. Ele afeta o consumo, desacelera a economia e amplia desigualdades, especialmente em estados com grande parcela da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de informalidade, como a Bahia. Por isso, iniciativas de educa\u00e7\u00e3o financeira, renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e acesso a cr\u00e9dito mais respons\u00e1vel s\u00e3o apontadas como fundamentais para reduzir o n\u00famero de pessoas com o nome negativado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Jo\u00e9dson Alves\/Ag\u00eancia Brasil Por Hieros Vasconelos O Brasil se despede de mais um ano com um retrato preocupante da vida financeira da popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o 80,6 milh\u00f5es de pessoas inadimplentes, a maior marca hist\u00f3rica do pa\u00eds pelo 11\u00ba m\u00eas consecutivo, segundo levantamento mais recente da Serasa. 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