{"id":67024,"date":"2025-09-04T12:49:13","date_gmt":"2025-09-04T12:49:13","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=67024"},"modified":"2025-09-04T12:49:13","modified_gmt":"2025-09-04T12:49:13","slug":"pesquisa-mede-impacto-de-mudancas-do-clima-e-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2025\/09\/04\/pesquisa-mede-impacto-de-mudancas-do-clima-e-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Pesquisa mede impacto de mudan\u00e7as do clima e desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>O per\u00edodo de estiagem na Amaz\u00f4nia brasileira est\u00e1 mais severo e a temperatura da floresta aumentou 2 graus entre 1985 e 2020, segundo <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-63156-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a> liderado por cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo. A an\u00e1lise revisou 35 anos de dados de desmatamentos, temperatura e chuvas no bioma, o que permitiu medir&nbsp;o impacto do desmatamento e da emiss\u00e3o de gases de&nbsp;efeito estufa em todo o mundo sobre a floresta. <strong>O desmatamento \u00e9 respons\u00e1vel por 74,5% da redu\u00e7\u00e3o de chuvas e 16,5% do aumento da temperatura do bioma nos meses de seca.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1657034&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1657034&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa separou o territ\u00f3rio do bioma em 29 blocos de an\u00e1lise. Esses blocos, com \u00e1rea delimitada de 300 quil\u00f4metros (km)&nbsp;por 300 km, foram pensados assim pois permitiam an\u00e1lises que consideravam o comportamento do clima em escala ampla, considerando grandes chuvas e sistemas clim\u00e1ticos com escala de quil\u00f4metros. Sua precis\u00e3o, por\u00e9m, era bem mais pr\u00f3xima: usando o mapeamento desenvolvido para monitoramento de supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o, pela rede MapBiomas, a &#8220;vis\u00e3o&#8221; dos pesquisadores chegava a impressionantes 30 metros. Cruzando essas informa\u00e7\u00f5es, foi poss\u00edvel acompanhar como, nos diferentes quadrantes da regi\u00e3o, as mudan\u00e7as em cobertura vegetal ao longo das d\u00e9cadas tiveram impacto na precipita\u00e7\u00e3o e na temperatura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m de entender o processo, acenderam mais uma luz de alerta: a manuten\u00e7\u00e3o dos ritmos atuais de devasta\u00e7\u00e3o aqui e de emiss\u00e3o de gases no planeta aumentar\u00e1 os extremos clim\u00e1ticos na regi\u00e3o, chegando mais pr\u00f3ximo do que seria um ponto de estresse, com impactos cada vez mais profundos no equil\u00edbrio da vida na regi\u00e3o, j\u00e1 para 2035<\/strong>. Hoje, a m\u00e9dia \u00e9 de 19% de perda da cobertura, por\u00e9m h\u00e1 \u00e1reas com pico de 80% de superf\u00edcie desmatada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;A Amaz\u00f4nia \u00e9 um bioma bastante complexo, que recebe umidade do oceano e tem din\u00e2mica bastante equilibrada a respeito do ciclo hidrol\u00f3gico. Ela j\u00e1 est\u00e1 impactada, precisamos come\u00e7ar a reverter este processo e n\u00e3o h\u00e1 margem para mais fatores de estresse do bioma, internos ou n\u00e3o&#8221;, explicou o professor Marco Franco , do Instituto de Astronomia da USP, principal autor do artigo, que recebeu destaque na revista Nature.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores preferem n\u00e3o falar em ponto de n\u00e3o retorno para a floresta, pois o termo n\u00e3o tem consenso na comunidade cient\u00edfica, mas n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas em afirmar que n\u00e3o h\u00e1 margem segura para permitir a explora\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. <strong>Grandes empreendimentos, como minas e usinas, podem desequilibrar ainda mais o entorno, com potencial para afetar \u00e1reas extensas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Isso j\u00e1 tem sido sentido na produ\u00e7\u00e3o da safrinha, que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o rara do nosso agroneg\u00f3cio, em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. Em algumas \u00e1reas do bioma ela tem tido quedas relevantes. A seca est\u00e1 aumentando, em m\u00e9dia, 12 dias a cada 10 anos&#8221;, disse Franco.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela j\u00e1 \u00e9 sentida a partir de um limiar relativamente pequeno de supress\u00e3o, com 10% de perda da vegeta\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas analisadas. Segundo os dados obtidos, taxas de supress\u00e3o entre 10% e 40% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa levam a uma queda mais brusca das chuvas e acentuam o aumento local de temperaturas. A partir da\u00ed,&nbsp;a taxa de impacto diminui, por\u00e9m \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil reflorestar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecendo esse impacto, alertam os participantes, fica mais transparente a responsabilidade e a possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o entre governos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;J\u00e1 sab\u00edamos que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ocorriam, a partir de outros estudos. Agora conseguimos mensurar isso, o que nos permite sentar e conversar com os respons\u00e1veis. Saber o nosso papel, do Brasil, em rela\u00e7\u00e3o ao desmatamento, e conversar com o resto do mundo sobre o impacto que as emiss\u00f5es de gases globais de&nbsp;efeito estufa t\u00eam sobre a floresta&#8221;, explicou o professor Luiz Machado, que acompanhou e coordenou o levantamento.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Segundo os resultados obtidos, as chuvas apresentaram redu\u00e7\u00e3o de cerca de 21 mil\u00edmetros (mm) na esta\u00e7\u00e3o seca por ano, com o desmatamento contribuindo para uma diminui\u00e7\u00e3o de 15,8 mm<\/strong>. A&nbsp;temperatura m\u00e1xima aumentou cerca de 2 \u00b0C, sendo 16,5% atribu\u00eddos ao efeito da perda florestal e o restante \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. Esse peso varia. \u00c1reas da Amaz\u00f4nia oriental, onde a cobertura vegetal est\u00e1 mais pr\u00f3xima da original, com supress\u00e3o abaixo de 10%, sofrem bem menos com a seca. L\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o para o aumento de temperatura \u00e9 quase exclusiva da emiss\u00e3o industrial, externa e ligada aos pa\u00edses do norte global, como Estados Unidos e a China. Em \u00e1reas do sudeste do bioma, como a regi\u00e3o de Santar\u00e9m, no Par\u00e1, o impacto do desmatamento no aumento da temperatura \u00e9 mais equilibrado, al\u00e9m do impacto das secas ser bem mais relevante, explicou Franco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No artigo, os pesquisadores alertam que&nbsp;se o desmatamento continuar sem controle, a extrapola\u00e7\u00e3o dos resultados sugere um decl\u00ednio adicional na precipita\u00e7\u00e3o total durante a esta\u00e7\u00e3o seca e maior eleva\u00e7\u00e3o da temperatura. <\/strong>O pr\u00f3ximo desafio do grupo est\u00e1 em mensurar o impacto poss\u00edvel, em diferentes cen\u00e1rios, para a floresta, at\u00e9 o ano de 2100. Uma das contribui\u00e7\u00f5es do grupo al\u00e9m da mensura\u00e7\u00e3o e da comprova\u00e7\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o entre desmatamento, precipita\u00e7\u00f5es e aumento das temperaturas, est\u00e1 na disponibiliza\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros para outros grupos de pesquisa, permitindo por exemplo, que bi\u00f3logos usem esses dados para entender impactos em esp\u00e9cies e territ\u00f3rios mais restritos, dentro do bioma.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amaz\u00f4nia brasileira perdeu 14% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa entre 1985 e 2023, de acordo com dados do&nbsp;MapBiomas, atingindo uma \u00e1rea de 553 mil km2, o equivalente ao territ\u00f3rio da Fran\u00e7a. A pastagem foi a principal causa no per\u00edodo. Mesmo com a queda nos \u00faltimos dois anos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;\u00e1rea desmatada, o fogo e o avan\u00e7o de \u00e1reas agr\u00edcolas continuam amea\u00e7ando a regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo de estiagem na Amaz\u00f4nia brasileira est\u00e1 mais severo e a temperatura da floresta aumentou 2 graus entre 1985 e 2020, segundo estudo liderado por cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo. 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