{"id":66179,"date":"2025-07-14T11:36:13","date_gmt":"2025-07-14T11:36:13","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=66179"},"modified":"2025-07-14T11:36:13","modified_gmt":"2025-07-14T11:36:13","slug":"emendas-crescem-r-170-bi-em-10-anos-e-expoem-disputa-entre-governo-congresso-e-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2025\/07\/14\/emendas-crescem-r-170-bi-em-10-anos-e-expoem-disputa-entre-governo-congresso-e-stf\/","title":{"rendered":"Emendas crescem R$ 170 bi em 10 anos e exp\u00f5em disputa entre governo, Congresso e STF"},"content":{"rendered":"\n<p>De 2015 a 2024, as emendas parlamentares consumiram R$ 173 bilh\u00f5es a mais do que se tivessem sido corrigidas apenas pela infla\u00e7\u00e3o. Uma valoriza\u00e7\u00e3o que, somada ao crescente car\u00e1ter impositivo de sua execu\u00e7\u00e3o, levaram-nas ao centro de um cabo de for\u00e7a entre os tr\u00eas Poderes.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma atitude in\u00e9dita, o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a dizer em entrevista e em uma reuni\u00e3o fechada que o Congresso n\u00e3o \u00e9 intoc\u00e1vel e que aceitaria discutir um corte na carne.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Fl\u00e1vio Dino relata a\u00e7\u00f5es em que sinaliza estar disposto a mexer, inclusive, na obrigatoriedade da execu\u00e7\u00e3o das emendas -movimento que, segundo parlamentares, ocorre em sintonia com o governo Lula (PT), interessado em recuperar parte da verba de investimentos hoje nas m\u00e3os do Legislativo.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ambiente para mudan\u00e7as no modelo ganhou f\u00f4lego extra com a recente campanha nas redes sociais sobre a taxa\u00e7\u00e3o de ricos versus pobres, alavancada pelo PT e por governistas e que teve o Congresso como um dos principais alvos. As investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o com uso de emendas, sob comando do STF, tamb\u00e9m impulsionaram o debate.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s das declara\u00e7\u00f5es e sinaliza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de Motta e Dino, por\u00e9m, h\u00e1 vari\u00e1veis que pressionam para que nada mude.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todo ano, cada um dos 513 deputados federais e 81 senadores tem direito a direcionar verbas do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o para obras e investimentos em seus redutos eleitorais.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 2013, as emendas parlamentares n\u00e3o tinham car\u00e1ter impositivo, ou seja, o governo s\u00f3 pagava o que queria e geralmente as usava como moeda de troca por apoio do Congresso.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o enfraquecimento pol\u00edtico de Dilma Rousseff (PT) em seu segundo mandato (2015-2016), o Congresso iniciou, nas gest\u00f5es de Henrique Eduardo Alves (MDB-RN) e de (principalmente) Eduardo Cunha (MDB-RJ) na presid\u00eancia da C\u00e2mara, um movimento de aprova\u00e7\u00e3o da obrigatoriedade das emendas.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No governo Jair Bolsonaro (PL), que estabeleceu uma alian\u00e7a com o centr\u00e3o em troca de apoio parlamentar, os valores explodiram, e o car\u00e1ter impositivo da execu\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De um empenho (reserva no Or\u00e7amento para gasto) de R$ 3,4 bilh\u00f5es de emendas parlamentares em 2015, o que dava uma m\u00e9dia de R$ 5,8 milh\u00f5es por congressista, o valor saltou para R$ 44,9 bilh\u00f5es no ano passado, m\u00e9dia de R$ 75,6 milh\u00f5es por parlamentar.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No ano eleitoral de 2026, o projeto da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias reserva R$ 54,2 bilh\u00f5es para as emendas -77% desse valor de car\u00e1ter impositivo, ou seja, de execu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria pelo governo.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista em que fez men\u00e7\u00e3o \u00e0 suposta disposi\u00e7\u00e3o do Congresso de discutir mudan\u00e7as, Motta afirmou que falava no contexto da defesa de corte de benef\u00edcios tribut\u00e1rios e de gastos por parte do Executivo.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana que passou, em reuni\u00e3o com representantes do setor privado, voltou a se manifestar nesse sentido, mas, segundo relatos, de forma mais contundente sobre a necessidade de isso se dar em um ambiente de cortes na carne dos tr\u00eas Poderes.<br><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00edderes partid\u00e1rios ouvidos pela Folha nos \u00faltimos dias disseram que, por ora, esse debate n\u00e3o existe na C\u00e2mara.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns veem nas palavras do deputado apenas um discurso para se opor \u00e0 campanha das redes de que o Congresso defende ricos e privil\u00e9gios em detrimento dos pobres.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outros, que a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o colocada de forma mais suave na entrevista e de forma mais contundente na reuni\u00e3o fechada \u00e9 a senha de que nada vai mudar.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Congresso, \u00e9 dada como remot\u00edssima a chance de uma concerta\u00e7\u00e3o que envolva, por exemplo, o governo aceitando n\u00e3o dar ganho real ao sal\u00e1rio m\u00ednimo e desvincul\u00e1-lo dos benef\u00edcios da Previd\u00eancia, o Judici\u00e1rio cancelando penduricalhos e o Legislativo abrindo m\u00e3o do poder conquistado com as emendas impositivas.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Da parte do STF, na transi\u00e7\u00e3o de Bolsonaro a Lula, no final de 2022, houve o primeiro movimento no sentido de dar um freio ao atual modelo via decis\u00e3o judicial.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ent\u00e3o presidente da corte, Rosa Weber, suspendeu as chamadas &#8220;emendas de relator&#8221;, as \u00fanicas n\u00e3o impositivas, mas que eram usadas pela c\u00fapula do Congresso para obter apoio interno por meio de sua distribui\u00e7\u00e3o aos parlamentares. A decis\u00e3o foi referendada pelos demais ministros da corte.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da press\u00e3o do Legislativo sobre o novo governo e sobre o STF para afrouxar a medida, o Congresso driblou a decis\u00e3o transferindo as verbas para as emendas de comiss\u00e3o. Na teoria, a defini\u00e7\u00e3o do dinheiro seria feita pelas comiss\u00f5es tem\u00e1ticas da C\u00e2mara e do Senado. Na pr\u00e1tica, continuaram sendo distribu\u00eddas por decis\u00e3o dos parlamentares que integram a c\u00fapula do Congresso.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Indicado em 2024 ao STF por Lula, de quem \u00e9 aliado e foi ministro da Justi\u00e7a, Fl\u00e1vio Dino passou a assumir o confronto com o Congresso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emendas.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em 2024 ele determinou, em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, que o Executivo s\u00f3 poderia executar emendas parlamentares mediante pr\u00e9via e total transpar\u00eancia, com a abertura de contas espec\u00edficas para cada verba e a identifica\u00e7\u00e3o nominal dos parlamentares solicitantes.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o tamb\u00e9m restringiu a destina\u00e7\u00e3o das emendas de comiss\u00e3o. No \u00faltimo dia 27, realizou audi\u00eancia p\u00fablica sobre o tema composta majoritariamente por cr\u00edticos do atual modelo.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Congresso, h\u00e1 expectativa de que o ministro possa tomar alguma nova decis\u00e3o sobre o volume e o car\u00e1ter impositivo das emendas, o que certamente ser\u00e1 visto por parlamentares como um ato de Lula feito por meio de seu indicado &#8211;nesse contexto, com potencial de ampliar a crise entre os Poderes em torno do assunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 2015 a 2024, as emendas parlamentares consumiram R$ 173 bilh\u00f5es a mais do que se tivessem sido corrigidas apenas pela infla\u00e7\u00e3o. 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