{"id":60649,"date":"2024-11-08T18:25:00","date_gmt":"2024-11-08T18:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=60649"},"modified":"2024-11-08T18:25:01","modified_gmt":"2024-11-08T18:25:01","slug":"casos-de-raiva-em-capivaras-no-litoral-paulista-sao-alerta-para-monitorar-virus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2024\/11\/08\/casos-de-raiva-em-capivaras-no-litoral-paulista-sao-alerta-para-monitorar-virus\/","title":{"rendered":"Casos de raiva em capivaras no litoral paulista s\u00e3o alerta para monitorar v\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<p>Variante encontrada na Ilha Anchieta, munic\u00edpio de Ubatuba, era a mesma dos morcegos-vampiros, que provavelmente se alimentaram do sangue dos roedores em momento de dist\u00farbio no h\u00e1bitat<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas capivaras foram encontradas mortas na Ilha Anchieta, no munic\u00edpio de Ubatuba (SP), entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Duas delas apresentaram paralisia das patas traseiras antes de morrerem. An\u00e1lises dos c\u00e9rebros, realizadas no Instituto Pasteur, em S\u00e3o Paulo, determinaram a causa da morte: encefalite causada pelo v\u00edrus da raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Este terceiro relato de casos de raiva em capivaras no mundo, e o segundo no Brasil, foi publicado na revista Veterinary Research Communications. O estudo, apoiado pela Fapesp, tamb\u00e9m detectou que a variante do v\u00edrus encontrada nos tr\u00eas animais \u00e9 a mesma presente em morcegos-vampiros (Desmodus rotundus).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, tem-se observado um aumento no n\u00famero de casos relatados de raiva em animais silvestres. Isso possivelmente est\u00e1 relacionado a dist\u00farbios ambientais que desequilibram o ecossistema onde vivem os morcegos\u201d, explica Enio Mori, pesquisador do Instituto Pasteur, \u00f3rg\u00e3o da Secretaria de Estado da Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo, e coordenador do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro caso recente foi o de um gamb\u00e1 infectado com o v\u00edrus, encontrado morto em Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos da Ilha Anchieta, um parque estadual no munic\u00edpio de Ubatuba, ocorreram pouco depois de uma reforma nas ru\u00ednas existentes na ilha, em 2019, quando o telhado de uma constru\u00e7\u00e3o foi reformado e os morcegos perderam temporariamente seus abrigos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm momentos como esse, h\u00e1 grande estresse nas col\u00f4nias e muitas brigas entre os morcegos. Com isso, podem passar raiva uns aos outros, aumentando as chances de transmiti-la para os animais silvestres dos quais eles se alimentam, como as capivaras\u201d, conta Mori, que tamb\u00e9m \u00e9 professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Patologia Experimental e Comparada da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMVZ-USP).<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, o desmatamento tamb\u00e9m contribui para o aumento dos casos de raiva. A diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de animais silvestres, que servem como fonte de alimento original para os morcegos-vampiros, faz com que estes busquem outros mam\u00edferos, como animais dom\u00e9sticos ou at\u00e9 mesmo seres humanos, para se alimentarem. Isso aumenta o risco de transmiss\u00e3o da raiva para novos hospedeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Variantes<br>As capivaras mortas foram localizadas por funcion\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o Florestal, respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o do Parque Estadual da Ilha Anchieta. Amostras de seus c\u00e9rebros foram enviadas ao Instituto Pasteur, que integra uma rede de laborat\u00f3rios que realizam diagn\u00f3sticos para vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica da raiva, utilizando material enviado pelos centros de controle de zoonoses dos munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, como prova de triagem, os pesquisadores e t\u00e9cnicos realizaram a detec\u00e7\u00e3o de ant\u00edgenos para o v\u00edrus da raiva no tecido cerebral. Os tr\u00eas casos apresentaram resultado positivo para a raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, o isolamento do v\u00edrus foi realizado como teste confirmat\u00f3rio. Uma das amostras estava muito deteriorada, o que impediu a realiza\u00e7\u00e3o desse exame, mas o genoma da part\u00edcula viral p\u00f4de ser sequenciado. Todas as amostras confirmaram a presen\u00e7a da mesma variante encontrada em morcegos-vampiros, indicando uma prov\u00e1vel transmiss\u00e3o pela mordedura.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico outro caso de raiva em capivaras no Brasil foi publicado em 1985. No mundo, outro caso s\u00f3 foi relatado no norte da Argentina, em 2009. Apenas no estudo atual foi feita a tipifica\u00e7\u00e3o da variante viral encontrada.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existem relatos de casos de raiva humana transmitida por capivaras. No entanto, acidentes em que pessoas foram mordidas por esses animais geralmente causam grandes les\u00f5es. Ainda n\u00e3o se sabe se a saliva das capivaras cont\u00e9m o v\u00edrus, como ocorre com os morcegos, que s\u00e3o reservat\u00f3rios do pat\u00f3geno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso, a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica precisa continuar para entender o papel das capivaras no ciclo do v\u00edrus, por exemplo. \u00c9 bem poss\u00edvel que elas sejam hospedeiros finais, que morrem sem transmitir o v\u00edrus para outros animais. Mas, para confirmar isso, precisamos de novos estudos\u201d, atesta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia o artigo Rabies in free-ranging capybaras (Hydrochoerus hydrochaeris) on Anchieta Island, Ubatuba, Brazilna \u00edntegra.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: CNN Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Variante encontrada na Ilha Anchieta, munic\u00edpio de Ubatuba, era a mesma dos morcegos-vampiros, que provavelmente se alimentaram do sangue dos roedores em momento de dist\u00farbio no h\u00e1bitat Tr\u00eas capivaras foram encontradas mortas na Ilha Anchieta, no munic\u00edpio de Ubatuba (SP), entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. 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