{"id":6064,"date":"2022-09-30T15:10:21","date_gmt":"2022-09-30T15:10:21","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/09\/30\/allan-kardec-quem-foi-o-homem-que-inventou-o-espiritismo\/"},"modified":"2022-09-30T15:10:21","modified_gmt":"2022-09-30T15:10:21","slug":"allan-kardec-quem-foi-o-homem-que-inventou-o-espiritismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/09\/30\/allan-kardec-quem-foi-o-homem-que-inventou-o-espiritismo\/","title":{"rendered":"Allan Kardec: quem foi o homem que \u2018inventou\u2019 o espiritismo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/mQAL4UsVBxYzjek3FHZbIEVs6Ao=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/C\/9\/0kClQoTIGuSydHWAw1iA\/hippolyte-rivail-nasceu-em-familia-catolica-e-desde-muito-jovem-dedicou-se-aos-estudos-sobretudo-de-filosofia-e-ciencias.jpg\"><br \/>   Allan Kardec foi o pseud\u00f4nimo adotado pelo franc\u00eas Hippolyte L\u00e9on Denizard Rivail, not\u00e1vel pedagogo, professor e tradutor, na hora de sistematizar as pesquisas \u2014 consideradas como cient\u00edficas por ele \u2014 sobre os fen\u00f4menos paranormais e a mediunidade. Hippolyte Rivail nasceu em fam\u00edlia cat\u00f3lica e, desde muito jovem, dedicou-se aos estudos, sobretudo de filosofia e ci\u00eancias<br \/>\nDom\u00ednio P\u00fablico via BBC<br \/>\nDa maneira como ele entendia, n\u00e3o se tratava de ter &#8220;inventado&#8221; o espiritismo. Allan Kardec (1804-1869) considerava-se o &#8220;codificador&#8221; da ideia. Que, para ele, tamb\u00e9m n\u00e3o era uma religi\u00e3o \u2014 mas, sim, uma doutrina, compat\u00edvel com a religiosidade crist\u00e3 e, principalmente, com a ci\u00eancia e a filosofia ent\u00e3o preponderantes na Europa do s\u00e9culo 19.<br \/>\nKardec foi o pseud\u00f4nimo adotado pelo franc\u00eas Hippolyte L\u00e9on Denizard Rivail, not\u00e1vel pedagogo, professor e tradutor, na hora de sistematizar as pesquisas \u2014 consideradas como cient\u00edficas por ele \u2014 sobre os fen\u00f4menos paranormais e a mediunidade.<br \/>\nEscolheu ele o nome depois de uma experi\u00eancia em que um suposto esp\u00edrito familiar havia lhe revelado uma vida pregressa dele entre os druidas celtas da regi\u00e3o da G\u00e1lia.<br \/>\nNo Brasil, a doutrina esp\u00edrita kardecista encontrou solo f\u00e9rtil, sobretudo ao longo do s\u00e9culo 20. A ponto de, segundo os dados do \u00faltimo censo do Instituto Brasileiro de Geogr\u00e1fica e Estat\u00edstica (IBGE), publicados em 2010, o espiritismo seja considerado a terceira religi\u00e3o com mais adeptos no pa\u00eds, depois do catolicismo e dos evang\u00e9licos \u2014 e, tamb\u00e9m, dos que declaram n\u00e3o participar de nenhuma religi\u00e3o.<br \/>\nOficialmente, s\u00e3o mais de 3,8 milh\u00f5es de praticantes da doutrina em territ\u00f3rio nacional. &#8220;Deu certo por aqui porque o espiritismo, no Brasil, desenvolveu mais o seu lado espiritual, religioso, e aqui j\u00e1 existia, por conta das religi\u00f5es afro-brasileiras e afro-ind\u00edgenas e o sincretismo que se fez no ambiente religioso, uma propens\u00e3o \u00e0 cren\u00e7a em esp\u00edritos, em entidades e seres que interferem cotidianamente na realidade, produzindo infort\u00fanios, curas, bem-estar na popula\u00e7\u00e3o&#8221;, argumenta o historiador, soci\u00f3logo e cientista da religi\u00e3o Marcelo Ayres Camur\u00e7a, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor do livro Espiritismo em Sete Li\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm outras palavras, como salienta o pesquisador, no Brasil j\u00e1 havia uma cren\u00e7a em esp\u00edritos anterior \u00e0 pr\u00f3pria chegada do kardecismo. E isso estava presente &#8220;em orix\u00e1s, caboclos e no pr\u00f3prio catolicismo popular&#8221;. &#8220;Quando o espiritismo chega, acontece uma adequa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<br \/>\n&#8220;O espiritismo kardecista encontra solo f\u00e9rtil aqui no Brasil porque a nossa matriz cultural nunca foi eminentemente racionalista, sempre foi mais emotiva e isso desemboca em uma vis\u00e3o religiosa mais m\u00e1gica. Nesse sentido, e n\u00e3o h\u00e1 nada pejorativo aqui, lidamos com as quest\u00f5es de uma maneira a partir do pensamento m\u00e1gico, encantado&#8221;, contextualiza o historiador, fil\u00f3sofo e te\u00f3logo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.<br \/>\n&#8220;Somos adeptos de uma religiosidade do encantamento e isso de deve \u00e0 nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria, baseada na constru\u00e7\u00e3o da identidade brasileira, com \u00edndios, negros e portugueses que viveram durante muito tempo aqui e foram tamb\u00e9m alimentando esses aspectos. Esse \u00e9 o caldo de cultura&#8221;, acrescenta ele.<br \/>\nMoraes acredita que o espiritismo acabou trazendo &#8220;uma resposta que agrada as pessoas&#8221;, com &#8220;recompensas que n\u00e3o est\u00e3o presentes em vis\u00f5es mais deterministas como o cristianismo&#8221;. &#8220;Esse mix transformou de fato o kardecismo numa religi\u00e3o interessante para o universo brasileiro&#8221;, analisa.<br \/>\nDe curioso a te\u00f3rico esp\u00edrita<br \/>\nHippolyte Rivail nasceu em fam\u00edlia cat\u00f3lica e, desde muito jovem, dedicou-se aos estudos, sobretudo de filosofia e ci\u00eancias. Ao situar o percurso intelectual dele, \u00e9 preciso ressaltar o contexto acad\u00eamico, uma vez que eram de sua contemporaneidade o naturalista Charles Darwin (1809-1882), que apresentaria a teoria da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, e o fil\u00f3sofo Auguste Comte (1798-1857), formulador do positivismo.<br \/>\nBacharelado em Ci\u00eancias e Letras, Rivail passou a atuar como tradutor, professor e pedagogo. Foi entusiasta da democratiza\u00e7\u00e3o do ensino e chegou a oferecer aulas gratuitas em sua pr\u00f3pria casa, em Paris.<br \/>\nEm 1854, ouviu falar pela primeira vez sobre as tais &#8220;mesas girantes&#8221;, encontros medi\u00fanicos que eram moda na Fran\u00e7a daquele tempo. C\u00e9tico, atribuiu o fen\u00f4meno inicialmente n\u00e3o a uma for\u00e7a de supostos esp\u00edritos, mas a uma influ\u00eancia do magnetismo.<br \/>\nQuando come\u00e7ou a frequentar tais reuni\u00f5es, como curioso, contudo, ele passou a se convencer de que algo a mais poderia haver ali. E passou a sistematizar um m\u00e9todo cient\u00edfico para, no seu entendimento, comprovar se haveria fraude ou n\u00e3o \u2014 estabelecendo uma s\u00e9rie de perguntas que eram feitas do mesmo modo em reuni\u00f5es diferentes, a fim de buscar coer\u00eancia naquilo que lhe era apresentado como obra de esp\u00edritos.<br \/>\nO pentateuco da nova doutrina<br \/>\nJ\u00e1 convencido de uma influ\u00eancia sobrenatural, ele publicou sua primeira obra, O Livro dos Esp\u00edritos, em 1857. O material \u00e9 considerado o marco fundador do espiritismo kardecista. E ali ele passou a assumir o pseud\u00f4nimo Allan Kardec, em refer\u00eancia a sua suposta vida passada mas tamb\u00e9m como forma de diferenciar a sua carreira esp\u00edrita de seus trabalhos como pedagogo.<br \/>\nFac-s\u00edmile da edi\u00e7\u00e3o de 1860 da obra &#8216;O Livro dos Esp\u00edritos&#8217;, principal livro escrito por Kardec e base da nova doutrina<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o via BBC<br \/>\nE \u00e9 por causa dessa fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que Kardec se tornou t\u00e3o importante. Afinal, se manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas j\u00e1 eram narradas e sess\u00f5es com m\u00e9diuns j\u00e1 ocorriam, ele n\u00e3o &#8220;inventou&#8221; nada de novo \u2014 mas colocou no papel um m\u00e9todo e procurou, a seu modo, explicar o que via.<br \/>\n&#8220;Ao longo da hist\u00f3ria, ocorreram muitos fen\u00f4menos ditos medi\u00fanicos, de comunica\u00e7\u00e3o com esp\u00edritos. E o pr\u00f3prio Kardec, que ficou conhecido como l\u00edder, quase fundador, ou &#8216;codificador&#8217; do espiritismo, ele n\u00e3o era m\u00e9dium&#8221;, comenta Camur\u00e7a.<br \/>\n&#8220;Mas sua curiosidade fez com que ele se tornasse o primeiro a sistematizar, vamos dizer que do ponto de vista cient\u00edfico, o que faziam os m\u00e9diuns&#8221;, explica o professor.<br \/>\nPara escrever seus livros fundamentais do espiritismo, ele passou a frequentar sess\u00f5es com m\u00e9diuns diferentes, aplicando perguntas sistem\u00e1ticas e as compilando.<br \/>\n&#8220;Eram quest\u00f5es ao pretenso mundo espiritual, de toda ordem, de cosmologia, do destino da Terra e dos homens&#8221;, elenca Camur\u00e7a.<br \/>\nKardec seguiria fazendo pesquisas e escrevendo livros basilares da nova doutrina, tendo publicado cinco obras at\u00e9 1868. S\u00e3o considerados &#8220;o pentateuco&#8221; do espiritismo.<br \/>\n&#8220;Ele foi aprofundando a doutrina. Seu m\u00e9rito foi ter feito as perguntas e as sistematizado&#8221;, aponta Camur\u00e7a.<br \/>\nQuando ele morreu, v\u00edtima de um aneurisma aos 64 anos, no ano de 1869, ele trabalhava em uma obra que procurava explicar as rela\u00e7\u00f5es entre o magnetismo e o espiritismo. Na \u00e9poca, estima-se que sua doutrina j\u00e1 era seguida por cerca de 8 milh\u00f5es de adeptos.<br \/>\nKardec n\u00e3o via o espiritismo como uma religi\u00e3o, mas sim como uma doutrina &#8216;que combinava ci\u00eancia, filosofia e espiritualidade&#8217;<br \/>\nDom\u00ednio P\u00fablico via BBC<br \/>\nCientificismo e teologia<br \/>\nCamur\u00e7a situa o kardecismo dentro do contexto cientificista do s\u00e9culo 19. &#8220;Ele chama o espiritismo de terceira revela\u00e7\u00e3o, sendo a primeira Mois\u00e9s, a segunda Jesus Cristo. Esta terceira seria a revela\u00e7\u00e3o da modernidade, com a Terra j\u00e1 evolu\u00edda para receber essa doutrina que explicaria a humanidade&#8221;, afirma.<br \/>\nNesse sentido, ele mesclava ideias como a do evolucionismo \u2014 com a teoria de que a humanidade evolui porque a cada reencarna\u00e7\u00e3o os seres t\u00eam a chance de retornar melhores \u2014 e o sentido de justi\u00e7a.<br \/>\n&#8220;Ele conseguiu produzir uma doutrina que estava no esp\u00edrito do seu tempo, ou seja, a modernidade que negava as religi\u00f5es enquanto dogmas e acabava adequando a mentalidade religiosa a uma mentalidade cient\u00edfica e filos\u00f3fica. Essa era a sua pretens\u00e3o&#8221;, explica Camur\u00e7a.<br \/>\nConforme esclarece o pesquisador, Kardec n\u00e3o via o espiritismo como uma religi\u00e3o, mas sim como uma doutrina &#8220;que combinava ci\u00eancia, filosofia e espiritualidade&#8221;.<br \/>\n&#8220;Como religi\u00e3o ele concebia as que existiam at\u00e9 ent\u00e3o, principalmente na Europa Ocidental onde ele vivia, com o catolicismo e o protestantismo&#8221;, conta Camur\u00e7a. &#8220;Para ele, o espiritismo visava a superar dois impasses da modernidade: a religi\u00e3o dogm\u00e1tica que caia no fatalismo, na ideia de que &#8216;as coisas acontecem porque Deus quis assim&#8217;, sem buscar explica\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e racionais; e a ci\u00eancia ateia e utilitarista que n\u00e3o percebia os valores mais aprofundados da humanidade.&#8221;<br \/>\nNa sua proposi\u00e7\u00e3o, Kardec acabou trazendo uma doutrina baseada na cren\u00e7a dos fen\u00f4menos da vida p\u00f3s-morte. &#8220;E isso \u00e9 significativo, porque, a princ\u00edpio, a ci\u00eancia n\u00e3o se interessa por isso&#8221;, enfatiza Camur\u00e7a.<br \/>\n&#8220;Ele quis estender a ci\u00eancia da \u00e9poca, muito positivista, a uma compreens\u00e3o do mundo inef\u00e1vel. O que era cient\u00edfico mas tamb\u00e9m filos\u00f3fico, porque existia uma moral por tr\u00e1s disso&#8221;, acrescenta.<br \/>\nNo kardecismo, enfatiza Camur\u00e7a, &#8220;Deus \u00e9 o princ\u00edpio de todas as coisas, uma for\u00e7a vital que organiza o cosmos e tem uma moral que implica em valores de justi\u00e7a&#8221;.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63087981<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Allan Kardec foi o pseud\u00f4nimo adotado pelo franc\u00eas Hippolyte L\u00e9on Denizard Rivail, not\u00e1vel pedagogo, professor e tradutor, na hora de sistematizar as pesquisas \u2014 consideradas como cient\u00edficas por ele \u2014 sobre os fen\u00f4menos paranormais e a mediunidade. 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