{"id":59271,"date":"2024-08-28T14:58:53","date_gmt":"2024-08-28T14:58:53","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=59271"},"modified":"2024-08-28T14:58:54","modified_gmt":"2024-08-28T14:58:54","slug":"producao-cientifica-brasileira-caiu-em-2023-pesquisadores-indicam-como-reverter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2024\/08\/28\/producao-cientifica-brasileira-caiu-em-2023-pesquisadores-indicam-como-reverter\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira caiu em 2023; pesquisadores indicam como reverter"},"content":{"rendered":"\n<p>Queda de 7,2% na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira em 2023 repete decl\u00ednio do ano anterior; pa\u00eds mantinha ritmo de crescimento at\u00e9 2021<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo segundo ano seguido, o Brasil apresentou queda no volume de pesquisas cient\u00edficas produzidas. Os dados s\u00e3o do relat\u00f3rio da Elsevier-Bori, que aponta uma diminui\u00e7\u00e3o de 7,2% na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de 2023 em rela\u00e7\u00e3o a 2022. O documento foi divulgado no final de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil n\u00e3o est\u00e1 sozinho na queda. Dos 53 pa\u00edses analisados, 35 tiveram varia\u00e7\u00e3o negativa, como Estados Unidos e Jap\u00e3o. Para a elabora\u00e7\u00e3o do estudo, foram analisados dados, entre 1996 e 2023, de pa\u00edses que produziram mais de 10 mil artigos cient\u00edficos em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Pandemia acelerou o decl\u00ednio cient\u00edfico?<br>Conforme aponta o relat\u00f3rio da Elsevier-Bori, o Brasil mantinha um ritmo de crescimento do total de pesquisas produzidas at\u00e9 2021, quando ocorreu a primeira queda. Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m em n\u00edveis similares ao per\u00edodo pr\u00e9-pandemico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ricardo Oliveira da Silva, professor universit\u00e1rio e diretor da Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), n\u00e3o podemos desprezar o impacto da fase aguda da pandemia de Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA necessidade de isolamento das pessoas, at\u00e9 que tiv\u00e9ssemos uma vacina segura e dispon\u00edvel, paralisou a coleta de dados em muitos laborat\u00f3rios e a consequ\u00eancia disso \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de artigos submetidos e publicados. Isso atingiu a todos, em maior ou menor escala\u201d, diz o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do vi\u00e9s operacional, os cortes no investimento em ci\u00eancia nos \u00faltimos anos podem ter gerado esse decl\u00ednio na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pandemia acelerou um processo que estava para acontecer. Estamos falando de uma janela de dez anos em que o financiamento [em ci\u00eancia] no pa\u00eds ou estabilizou ou diminuiu\u201d, afirma Marcio de Castro Silva Filho, diretor de pesquisa cient\u00edfica da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa janela indicada por Silva Filho \u00e9 exposta em relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio do Conhecimento, que identifica em 2014 o pico do denominado \u201cOr\u00e7amento do Conhecimento\u201d (montante de recursos p\u00fablicos destinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do conhecimento no Brasil), com investimentos na casa dos R$ 38 bilh\u00f5es em valores reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, o ritmo de investimentos vem caindo, totalizando R$ 117 bilh\u00f5es em perdas acumuladas em valores reais corrigidos pelo IPCA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o or\u00e7amento de 2014 tivesse sido integralmente aplicado a 2024, seria necess\u00e1ria a recomposi\u00e7\u00e3o de R$ 86 bilh\u00f5es para compensar as perdas que ocorreram entre 2015 e 2023\u201d, aponta o relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como retomar o crescimento da ci\u00eancia no Brasil?<br>N\u00e3o existe uma receita m\u00e1gica para a retomada do crescimento da pesquisa cient\u00edfica no Brasil. Ainda assim, especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar: faltam mecanismos para que o ambiente cient\u00edfico seja atrativo para o desenvolvimento de uma carreira profissional \u2014 especialmente para os jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Como lembra o ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o e atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), Renato Janine, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil \u00e9 feita, majoritariamente, por pesquisadores que est\u00e3o em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de universidades p\u00fablicas. Logo, as solu\u00e7\u00f5es passam por melhorias por nesses ambientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsas e sal\u00e1rios precisam ser atrativos<br>As bolsas defasadas s\u00e3o uma pauta recorrente no meio acad\u00eamico. Ap\u00f3s quase dez anos de congelamento dos valores, o Governo Federal reajustou as bolsas oferecidas pela Funda\u00e7\u00e3o Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), as duas principais institui\u00e7\u00f5es que oferecem bolsas para estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A bolsa de mestrado passou de R$ 1,5 mil para R$ 2,1 mil; de doutorado, de R$ 2,5 mil para R$ 3,1 mil; e de p\u00f3s-doutorado, de R$ 4,1 mil para R$ 5,2 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, elas ainda se mostram insuficientes na vis\u00e3o dos cientistas ouvidos pela CNN. \u201cO valor da bolsa em n\u00edvel federal \u00e9 baixo e est\u00e1 defasado para garantir qualidade de vida a jovens pesquisadores\u201d, analisa Silva Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Sal\u00e1rios n\u00e3o competitivos para docentes das universidades federais s\u00e3o outro exemplo que ilustra como a vida acad\u00eamica n\u00e3o \u00e9 atrativa atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuem \u00e9 da \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, por exemplo, ganha muito dinheiro. [S\u00e3o sal\u00e1rios] superiores aos de um professor em in\u00edcio de carreira [em universidades federais]\u201d, diz Janine.<\/p>\n\n\n\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o com os sal\u00e1rios tamb\u00e9m tem gerado discuss\u00f5es e foi motivo de greve de professores universit\u00e1rios no primeiro semestre deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Por quase dois meses, a categoria reivindicou o aumento dos sal\u00e1rios e dos investimentos no setor. Ap\u00f3s acordo com o Minist\u00e9rio da Gest\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7os P\u00fablicos, o sal\u00e1rio de professores com doutorado e dedica\u00e7\u00e3o exclusiva passou de R$ 7,3 mil para R$ 10 mil. Os que est\u00e3o ingressando na carreira passaram a receber um sal\u00e1rio inicial de R$ 8,4 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Infraestrutura de qualidade<br>Os especialistas indicam, ainda, a necessidade de investir os recursos em infraestrutura. Para eles, s\u00e3o necess\u00e1rios espa\u00e7os f\u00edsicos de qualidade para que os cientistas possam trabalhar e desenvolver os seus estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA necessidade de aumentar os investimentos nessa \u00e1rea \u00e9 um consenso. Mas, n\u00e3o basta apenas aumentar os recursos. \u00c9 preciso ter uma pol\u00edtica de desenvolvimento cient\u00edfico pautada nas necessidades do pa\u00eds, na absor\u00e7\u00e3o dos profissionais formados e na recupera\u00e7\u00e3o do parque cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico\u201d, afirma da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, o investimento passaria tanto pela compra de maquin\u00e1rio, quanto pela compra de insumos vari\u00e1veis conforme o andamento da pesquisa \u2014 produtos que n\u00e3o s\u00e3o baratos e que necessitam de altos valores para serem adquiridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Aposentadoria e outros direitos trabalhistas<br>Al\u00e9m do reajuste das bolsas e dos sal\u00e1rios, falta um planejamento de carreira e vida a longo prazo, que inclui uma revis\u00e3o das regras previdenci\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA contagem para aposentadoria no Brasil n\u00e3o inclui o tempo [de bolsa] de mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado, contrastando com outros pa\u00edses em que essas posi\u00e7\u00f5es contam no tempo de servi\u00e7o\u201d, lembra D\u00e1rio Oliveira, professor adjunto na Escola de Matem\u00e1tica Aplicada da FGV Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, os bolsistas s\u00e3o considerados \u201ccontribuintes facultativos\u201d. Projetos para modificar essas regras tramitam no Congresso, como o Projeto de Lei 675\/2022, que tem como proposta trazer um recolhimento da bolsa para a previd\u00eancia a uma al\u00edquota de 5% sobre valor total recebido.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da aposentadoria, os bolsistas tamb\u00e9m n\u00e3o recebem 13\u00ba sal\u00e1rio, f\u00e9rias, seguro de vida, entre outros benef\u00edcios regidos pela CLT.<\/p>\n\n\n\n<p>Garantia de trabalho<br>A doc\u00eancia n\u00e3o precisa ser o \u00fanico tipo de trabalho poss\u00edvel para pesquisadores, segundo os especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso que o mercado de trabalho absorva essa m\u00e3o de obra qualificada para que a pesquisa cient\u00edfica tamb\u00e9m seja desenvolvida em outros polos al\u00e9m das universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cParcerias p\u00fablico-privadas, investimentos de empresas privadas e um mercado aquecido de startups geralmente permitem um fluxo de financiamento em pesquisa que ajudam a financiar projetos essenciais e alunos em quantidade e qualidade (\u2026) \u00c9 importante o investimento para a exist\u00eancia de centros acad\u00eamicos de excel\u00eancia, mas tamb\u00e9m criar condi\u00e7\u00f5es para que pesquisadores formados nesses centros tenham emprego adequado fora da doc\u00eancia tamb\u00e9m\u201d, aponta Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: CNN Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queda de 7,2% na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira em 2023 repete decl\u00ednio do ano anterior; pa\u00eds mantinha ritmo de crescimento at\u00e9 2021 Pelo segundo ano seguido, o Brasil apresentou queda no volume de pesquisas cient\u00edficas produzidas. 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