{"id":59053,"date":"2024-08-18T05:28:37","date_gmt":"2024-08-18T05:28:37","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/?p=59053"},"modified":"2024-08-18T05:28:38","modified_gmt":"2024-08-18T05:28:38","slug":"brasil-se-torna-mais-moderno-e-competitivo-com-reforma-tributaria-e-autonomia-do-bc-apontam-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2024\/08\/18\/brasil-se-torna-mais-moderno-e-competitivo-com-reforma-tributaria-e-autonomia-do-bc-apontam-economistas\/","title":{"rendered":"Brasil se torna mais moderno e competitivo com reforma tribut\u00e1ria e autonomia do BC, apontam economistas"},"content":{"rendered":"\n<p>Principais pautas econ\u00f4micas que tramitam no Congresso podem beneficiar cen\u00e1rio; j\u00e1 d\u00edvida dos estados pode ser pedra no sapato da Uni\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a economia brasileira ter crescido quase 3% em 2023, e de o governo esperar uma alta tamb\u00e9m consistente de 2,5% neste ano, o cen\u00e1rio macro do pa\u00eds ainda \u00e9 marcado por outros elementos que geram incertezas.<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, um sistema tribut\u00e1rio visto como confuso \u2013 com impostos cobrados em cascata no ponto de origem da compra \u2013 e tens\u00f5es entre o Executivo e o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela regula\u00e7\u00e3o do sistema financeiro \u2013 o Banco Central (BC) \u2013 trazem inseguran\u00e7a sobre o ambiente do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro, a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas e da elevada d\u00edvida dos estados coloca luz sobre problemas fiscais que impactam negativamente a sa\u00fade econ\u00f4mica do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, alguns dos principais projetos de car\u00e1ter econ\u00f4mico em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados e no Senado visam mudar esse cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Economistas ouvidos pela CNN apontam que alguns deles devem melhorar a imagem do pa\u00eds, otimizando o ambiente de neg\u00f3cios e at\u00e9 atraindo investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm das maiores dificuldades que o investidor estrangeiro de longo prazo tem no Brasil \u00e9 o ambiente de neg\u00f3cios\u201d, pontua Paulo Henrique Duarte, economista da Valor Investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os principais projetos que podem melhorar esse ambiente, Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master e professor na Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), pontua a regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria \u2013 ao simplificar o sistema tribut\u00e1rio brasileiro \u2013 e a autonomia do BC, que d\u00e1 mais clareza para o mercado sobre o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Duarte indaga que esse \u00e9 um processo feito \u201ctijolinho por tijolinho\u201d, e que n\u00e3o s\u00e3o apenas alguns projetos que v\u00e3o mudar por completo a imagem internacional do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse conjunto de pequenas reformas que tornam o ambiente de neg\u00f3cios e jur\u00eddico mais previs\u00edvel devem ser feitas regularmente\u201d, aponta o economista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sim, Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, refor\u00e7a que podemos, sim, esperar por um ambiente de crescimento melhor e que vai atrair capital externo. Movimento esse, que segundo ele, j\u00e1 pode ser observado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como efeito pr\u00e1tico, ele ressalta a retomada da alta dos investimentos diretos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 bom para a economia como um todo, traz mais crescimento, mais produtividade e provavelmente, nos torna um pa\u00eds que acaba escapando dessa armadilha da renda m\u00e9dia baixa, que \u00e9 onde o Brasil est\u00e1 agora.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Reforma tribut\u00e1ria<br>\u201cPrincipalmente a reforma tribut\u00e1ria, acredito que \u00e9 o avan\u00e7o mais relevante para o Brasil. O principal ponto positivo \u00e9 a simplifica\u00e7\u00e3o do sistema tribut\u00e1rio brasileiro, que hoje \u00e9 muito oneroso para as empresas\u201d, destaca Paulo Duarte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou o projeto principal da regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria, que define as regras de aplica\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), composto pelo Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) \u2013 substituindo o tributo estadual ICMS e o municipal ISS \u2013 e pela Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS) \u2013 que entra no lugar do federal PIS\/Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m foram definidos os casos em que ser\u00e1 aplicado o Imposto Seletivo (IS), o chamado \u201cImposto do Pecado\u201d \u2013 que substitui o IPI.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vota\u00e7\u00e3o, a C\u00e2mara aprovou um sistema que trava a al\u00edquota geral do IVA em 26,5%, com objetivo de mitigar o impacto das exce\u00e7\u00f5es e regimes especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico, o ex-ministro da Fazenda, Ma\u00edlson da N\u00f3brega, avalia o projeto como \u201cuma revolu\u00e7\u00e3o\u201d ao padronizar a al\u00edquota cobrada pelas unidades da federa\u00e7\u00e3o e estabelecer a cobran\u00e7a na ponta final, acabando com a chamada guerra fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, com a cobran\u00e7a do imposto sendo realizada no ponto de origem da compra \u2013 ou seja, no lugar onde o vendedor est\u00e1 instalado \u2013 muitos estados buscam oferecer subs\u00eddios para atrair empresas a produzirem em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInv\u00e9s da bagun\u00e7a de hoje, ser\u00e1 uniforme no nacional, com a mesma al\u00edquota sendo aplicada em todos os lugares. A reforma tribut\u00e1ria p\u00f5e um fim ao caos que caracteriza o sistema tribut\u00e1rio no Brasil. Essa bagun\u00e7a \u00e9 negativa para a economia. Aumenta o custo para as empresas, reduz a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es e gera incerteza jur\u00eddica\u201d, explica o ex-ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3brega indica que as mudan\u00e7as t\u00eam o potencial de alavancar a produtividade do pa\u00eds, contribuindo com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n\n\n\n<p>O economista e s\u00f3cio da Nomos, Beto Saadia, concorda com o pensamento e aponta para um ganho inclusive na quest\u00e3o log\u00edstica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas f\u00e1bricas no Brasil s\u00e3o instaladas em estados que h\u00e1 uma negocia\u00e7\u00e3o com o governador. E na maioria dos casos, o mercado consumidor dela \u00e9 muito longe da f\u00e1brica, ent\u00e3o voc\u00ea tem uma malha de log\u00edstica com custo muito al\u00e9m do que poderia\u201d, aponta Saadia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVoc\u00ea reduz os custos de log\u00edstica, diminui o custo do Brasil e voc\u00ea aumenta a produtividade a partir do momento que n\u00e3o faz mais refer\u00eancia, tributariamente falando, onde voc\u00ea vai instalar a sua f\u00e1brica. A empresa vai procurar o lugar que vai ser geograficamente mais eficiente, e n\u00e3o tributariamente mais eficiente\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao aplicar o IVA, o Brasil se moderniza e se aproxima dos sistemas tribut\u00e1rios de outras economias, o que \u00e9 positivo para quem olha o pa\u00eds de fora, segundo Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, professor de economia da PUC-SP e ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, o nosso sistema tribut\u00e1rio traz muitas desvantagens competitivas. Primeiro por ser muito complexo, segundo por ter diferentes legisla\u00e7\u00f5es nos 27 estados e o Distrito Federal, o que gera grande desconforto de administra\u00e7\u00e3o e anomalias, de forma que haja guerra fical, planejamento tributario\u201d, pontua Lacerda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO IVA harmoniza essas quest\u00f5es em linha com a m\u00e9dia internacional. Esse \u00e9 um grande avan\u00e7o, que cria um ambiente mais favor\u00e1vel aos investimentos\u201d, diz o professor da PUC-SP.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro projeto de regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria se trata da defini\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Gestor. Aprovado na ter\u00e7a-feira (13) pela C\u00e2mara, o texto-base define as regras do colegiado que administrar\u00e1 o IBS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Comit\u00ea Gestor \u00e9 uma das grandes inova\u00e7\u00f5es desse projeto. Em uma federa\u00e7\u00e3o t\u00e3o complexa como a brasileira, voc\u00ea admitir a estrutura atual, em que cada ente tem a sua propria distribui\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o daria certo\u201d, afirma Ma\u00edlson da N\u00f3brega.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO comit\u00ea faz o papel que os bancos fazem hoje. N\u00f3s pagamos o imposto no banco e ele transfere para o ente. O comit\u00ea n\u00e3o tem poder de interfer\u00eancia e n\u00e3o pode privilegiar um ente em detrimento de outro. Ele tem poder de interpreta\u00e7\u00e3o de norma, o que \u00e9 bom para o funcionamento do sistema\u201d, conclui o ex-ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, os economistas consultados pela CNN entram em consenso sobre um ponto negativo do projeto: a alta quantidade de exce\u00e7\u00f5es e regimes especiais, que devem pesar no aumento da al\u00edquota para alguns setores, afim de compensar a arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Autonomia do BC<br>Outra mat\u00e9ria acompanhada de perto \u00e9 a proposta de emenda constitucional (PEC) da autonomia do BC. Al\u00e9m de constitucionalizar a autonomia operacional da autarquia \u2013 sancionada em lei de 2021 -, o projeto define a autonomia or\u00e7ament\u00e1ria da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, convertido em empresa p\u00fablica, o BC poder\u00e1 definir seu pr\u00f3prio or\u00e7amento a partir de suas receitas, sem depender de defini\u00e7\u00f5es por parte da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esse projeto, Paulo Gala, do Master, \u00e9 assertivo: \u201cO mercado que ver independ\u00eancia do BC para combater a infla\u00e7\u00e3o e subir juros se necess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a reforma tribut\u00e1ria, a autonomia do BC moderniza o nosso sistema e nos aproxima do padr\u00e3o adotado internacionalmente, segundo Luciano Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[A PEC da autonomia do BC traz] o Brasil para uma legisla\u00e7\u00e3o mais moderna. Isso vai ser bom para o mercado, que ver\u00e1 isso com bons olhos. Principalmente o investidor estrangeiro, porque ele vai perceber o Brasil dando mais um passo para a institucionaliza\u00e7\u00e3o baseada numa l\u00f3gica moderna e que outros pa\u00edses\u201d, afirma o economista-chefe da Monte Bravo.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da autonomia do BC, como um todo, visa trazer previsibilidade para a autarquia, limitando interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e permitindo que ela seja mais transparente com o mercado. Mas ao poder definir seu or\u00e7amento, o BC tamb\u00e9m otimizaria a ger\u00eancia e garantia de realizar seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGrande parte dos gastos prim\u00e1rios da Uni\u00e3o est\u00e3o pr\u00e9-definidos [despesas obrigat\u00f3rias], e \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil colocar espa\u00e7o para investimentos. Com essa rigidez or\u00e7ament\u00e1ria, h\u00e1 cada vez mais dificuldade para definir [o or\u00e7amento do BC]\u201d, explica Ma\u00edlson da N\u00f3brega.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[Com autonomia or\u00e7ament\u00e1ria] se tem a seguran\u00e7a de que um \u00f3rg\u00e3o como o BC vai seguir cumprindo seu papel de supervisionar o sistema financeiro e estabilizar a moeda. O BC tem que estar equiparado com as \u00faltimas tecnologias, e n\u00e3o pode ficar sujeito \u00e0s restri\u00e7\u00f5es da rigidez or\u00e7ament\u00e1ria que h\u00e1 no Brasil. Ele perde sua fun\u00e7\u00e3o se faltar or\u00e7amento\u201d, conclui o ex-ministro da Fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Compensa\u00e7\u00e3o \u00e0 desonera\u00e7\u00e3o da folha<br>Apesar de n\u00e3o estarem diretamente ligadas com o funcionamento do ambiente de neg\u00f3cios brasileiros, as pautas de car\u00e1ter fiscal impactam na sa\u00fade da economia do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>E uma das principais quest\u00f5es que o governo bate na tecla hoje \u00e9 a da compensa\u00e7\u00e3o \u00e0 desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Congresso aprovou a prorroga\u00e7\u00e3o das ren\u00fancias concedidas a 17 setores da economia no final do ano passado, vigorando at\u00e9 2027. O governo tentou barrar a medida, mas teve seu veto derrubado.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o h\u00e1 um vai e volta de projetos entre o Executivo e o Legislativo buscando compensar as ren\u00fancias. Em maio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, havia determinado que, em dois meses, o governo e o Congresso chegassem a um acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>O prazo se encerrava em 19 de julho, mas foi estendido at\u00e9 11 de setembro pelo ministro do STF Edson Fachin.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o impacto da desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento deve ser de R$ 17 bilh\u00f5es a R$ 18 bilh\u00f5es em 2024, com previs\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o no ano que vem.<\/p>\n\n\n\n<p>A pasta afirma que as medidas de compensa\u00e7\u00e3o apresentadas pelo Senado podem n\u00e3o ser suficientes para bancar o rombo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ter\u00e7a-feira (13), Haddad apontou que foi firmado um acordo para votar as propostas do Senado, de modo a n\u00e3o travar o andamento da agenda. Contudo, o ministro indicou que as medidas seriam revistas caso a previs\u00e3o da Fazenda se concretizar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCaso contr\u00e1rio, a gente volta pra mesa at\u00e9 o final do ano pra resolver o problema da compensa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as medidas debatidas hoje est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>Aumento da al\u00edquota dos Juros sobre Capital Pr\u00f3prio (JCP) de 15% para 20%;<br>\u201cDesenrola\u201d das multas cobradas pelas ag\u00eancias reguladoras;<br>Repatria\u00e7\u00e3o de ativos no exterior;<br>Permitir que pessoas f\u00edsicas possam atualizar os valores de im\u00f3veis j\u00e1 informados \u00e0 Receita Federal para o valor de mercado, de modo a tributar a diferen\u00e7a com uma al\u00edquota de 4% do IR;<br>Simplificar a transfer\u00eancia de dep\u00f3sitos judiciais para o Tesouro;<br>Resgate de dep\u00f3sitos judiciais esquecidos;<br>Delega\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a do Imposto Territorial Rural (ITR) aos munic\u00edpios;<br>Combate \u00e0 fraudes, de modo a fortalecer o chamado pente-fino de benef\u00edcios.<br>A princ\u00edpio, Luciano Costa aponta como positivo o andamento da compensa\u00e7\u00e3o, uma vez que est\u00e1 se buscando endere\u00e7ar um problema de sa\u00fade fiscal do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desonera\u00e7\u00e3o, a gente tamb\u00e9m v\u00ea a discuss\u00e3o no sentido correto. Obviamente a gente pode discutir se as medidas realmente t\u00eam o potencial de arrecada\u00e7\u00e3o que o governo est\u00e1 esperando. Mas t\u00eam que s\u00e3o importantes\u201d, diz o economista-chefe da Monte Bravo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o, ela tamb\u00e9m est\u00e1 no sentido correto, acho que dentro dessa agenda [de melhorar o ambiente econ\u00f4mico] \u00e9 uma medida tamb\u00e9m favor\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, ele aponta que a quest\u00e3o fiscal \u00e9 hoje um \u201ccopo meio cheio, meio vazio\u201d por conta do projeto de renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida dos estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida dos estados<br>Aprovado pelo Senado na quarta-feira (14), o projeto de renegocia\u00e7\u00e3o institui o Programa de Pleno Pagamento de D\u00edvidas dos Estados (Propag), que visa revisar os mais de R$ 740 bilh\u00f5es em d\u00edvidas das unidades federativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonio Lacerda, da PUC-SP, e Paulo Duarte, da Valor Investimentos, veem o projeto como positivo. Para Duarte, a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida \u00e9 necess\u00e1ria para desafogar e a capacidade de investimento de alguns entes federativos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA motriz estadual \u00e9 muito importante para o crescimento. Favorece o ambiente econ\u00f4mico de forma geral, tanto por ter uma quest\u00e3o definitiva para o or\u00e7amento estadual e federal, dando maior previsibilidade, quanto liberar o or\u00e7amento dos estados e da uni\u00e3o para fazer investimento nessas regi\u00f5es\u201d, aponta Duarte.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema do projeto, e um dos principais pontos que foi discutido nele, \u00e9 o dos juros. Hoje, as taxas s\u00e3o de 4% mais o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) \u2013 a infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds \u2013 ou a Selic, atualmente em 10,5% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto aprovado muda o c\u00e1lculo para que o pagamento seja feito corrigido pelo IPCA mais uma taxa que varia entre 2% a 4%, a depender do contrato. Por\u00e9m, os juros poder\u00e3o ser compensados por meio das seguintes alternativas:<\/p>\n\n\n\n<p>Transfer\u00eancia de valores em moeda corrente;<br>Transfer\u00eancia de participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias em empresas estaduais;<br>Transfer\u00eancia de bens m\u00f3veis ou im\u00f3veis;<br>Cess\u00e3o de cr\u00e9ditos l\u00edquidos e certos com o setor privado;<br>Outros ativos acordados entre as partes.<br>Para Ma\u00edlson da N\u00f3brega, o problema j\u00e1 come\u00e7a no momento em que o Senado entrou no meio da negocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida entre o credor e o devedor, mas que a situa\u00e7\u00e3o se agrava no que ele chama de \u201ccaso t\u00edpico de risco moral\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO projeto \u00e9 cheio de defeitos. Ele imp\u00f5em um custo \u00e0 Uni\u00e3o e estimula os estados a gastarem para ter uma redu\u00e7\u00e3o na taxa. Isso vai consagrar a percep\u00e7\u00e3o de que estado n\u00e3o precisa pagar, de que algu\u00e9m vai resolver meu problema. O devedor vai ganhar [com esse projeto]\u201d, conclui o ex-ministro da Fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Beto Saadia refor\u00e7a que, da maneira como foi aprovado, o projeto de renegocia\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 uma vit\u00f3ria dos estados\u201d, que v\u00e3o ter um custo de d\u00edvida menor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso [a compensa\u00e7\u00e3o de juros] serve como mais folga financeira para os estados continuarem gastando. \u00c9 mais impulso fiscal que acaba pressionando ainda mais a nossa economia, gerando mais infla\u00e7\u00e3o\u201d, aponta o economista e s\u00f3cio da Nomos.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado final disso: um aumento de custo para a pr\u00f3pria Uni\u00e3o, que vai acabar aumentando a d\u00edvida p\u00fablica, diz Luciano Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, essas compensa\u00e7\u00f5es acabam sendo como um \u201cperd\u00e3o de d\u00edvidas\u201d, ao diminui o custo l\u00edquido que j\u00e1 est\u00e1 impl\u00edcito na d\u00edvida p\u00fablica, ou seja, na emiss\u00e3o que foi feita para fazer a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida dos estados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara a economia como um todo, era melhor o projeto original, os pagamentos acontecerem no custo que foi acordado l\u00e1 atr\u00e1s, por uma quest\u00e3o de recorrer a ter que fazer mais emiss\u00e3o de d\u00edvida para financiar esse recebimento menor l\u00e1 na frente\u201d, conclui o economista-chefe da Monte Bravo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: CNN Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Principais pautas econ\u00f4micas que tramitam no Congresso podem beneficiar cen\u00e1rio; j\u00e1 d\u00edvida dos estados pode ser pedra no sapato da Uni\u00e3o Apesar de a economia brasileira ter crescido quase 3% em 2023, e de o governo esperar uma alta tamb\u00e9m consistente de 2,5% neste ano, o cen\u00e1rio macro do pa\u00eds ainda \u00e9 marcado por outros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":59055,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"class_list":{"0":"post-59053","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-economia"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59053"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59053\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59056,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59053\/revisions\/59056"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59055"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}